Eleições 2018: PT oficializa troca de Lula por Fernando Haddad para presidência da República

Fernando Haddad e Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-ministro Fernando Haddad assume candidatura à presidência da República com a responsabilidade de aprofundar as transformações sociais do Brasil, retomando as políticas públicas dos 13 anos de PT no poder da República.

Fernando Haddad e Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-ministro Fernando Haddad assume candidatura à presidência da República com a responsabilidade de aprofundar as transformações sociais do Brasil, retomando as políticas públicas dos 13 anos de PT no poder da República.

Após meses de suspense, o PT finalmente oficializou nesta terça-feira (11/09/2018) o seu “plano B” à Presidência. Após reunião da Comissão Executiva Nacional em Curitiba, a poucas horas do prazo final de substituição de candidaturas, membros do partido confirmaram que o ex-prefeito Fernando Haddad vai assumir a cabeça de chapa no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva.

O anúncio formal deve ocorrer a partir de 15h em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense, onde Lula está preso desde abril. Um ato onde serão lidas mensagens do ex-presidente está previsto.

Segundo o governador Fernando Pimentel, que participou da reunião, a Executiva atendeu a um pedido do próprio Lula, que na segunda-feira tomou a decisão de desistir da candidatura em favor de Haddad. O PT tinha até está terça-feira para efetuar a troca em sua chapa presidencial.

Antes disso, o partido tentou postergar ao máximo o anúncio e nos últimos meses seus dirigentes negaram repetidamente a possibilidade de substituir Lula como candidato, mesmo após ele ter sido condenado em segunda instância e atingido pela Lei da Ficha Limpa.

Apoiadores de Lula também tentaram até o último momento reverter a decisão que barrou a candidatura de Lula em agosto. Não foi fácil para o partido desistir do seu principal nome. Nas pesquisas eleitorais, Lula aparecia com até 39% das intenções de voto, muito à frente de qualquer outro candidato.

Poucas horas antes do anúncio, a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, ainda afirmou a jornalistas que o partido pretendia aguardava a análise de um recurso no Supremo contra a decisão que barrou a candidatura de Lula. No entanto, outros dirigentes petistas que chegavam à reunião já afirmavam que estavam resignados com a substituição.

Nas últimas semanas, a insistência em manter Lula como candidato vinha causando nervosismo em alguns setores do partido que defendiam uma definição rápida de Haddad como substituto para aproveitar ao máximo o tempo de restante de campanha até o primeiro turno. Enquanto a resistência à execução do plano B persistiu, o candidato Ciro Gomes (PDT), que disputa o mesmo eleitorado que votou no PT em eleições passadas, passou para o segundo lugar nas pesquisas.

Haddad já vinha assumindo uma posição de maior destaque nas últimas semanas, viajando ao Nordeste e concedendo várias entrevistas. No entanto, ele também ainda insistia que era apenas o vice e que Lula era de fato o candidato do PT à Presidência.

Com a mudança, Haddad, que havia sido registrado inicialmente como candidato a vice na chapa deve passar o lugar para a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB). Os dois vão ter menos de um mês para fazer campanha para promover a nova composição da chapa e promover junto aos eleitores que eles são os candidatos indicados por Lula.

Haddad, por enquanto, está em quarto lugar na última pesquisa Datafolha, mas seu desempenho está em uma curva crescente. Mesmo antes de ter sido anunciado como o candidato do PT, ele já registrou 9% das intenções de voto, ficando tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), que já se esforçam há meses para promover suas candidaturas. Em agosto, Haddad tinha apenas 4% das intenções no Datafolha. Foi o candidato que apresentou o maior crescimento. Segundo o governador Pimentel, os números do Datafolha mostram que Lula já está conseguindo transferir votos para Haddad.

Mas entre as dificuldades que o ex-prefeito deve enfrentar está o desafio de promover sua candidatura para mais setores da sociedade sem a participação de Lula, que preso não poderá gravar peças de campanha e participar de eventos ao lado do ex-prefeito.

Quando venceu a corrida pela prefeitura de São Paulo em 2012, Haddad dependeu em larga medida de recursos volumosos disponibilizados pelo PT e sua associação com o ex-presidente, que participou de dezenas de eventos de campanha ao lado dele. Em 2016, a tática não funcionou, e Haddad acabou perdendo no primeiro turno para João Doria (PSDB), que fazia sua estreia na política.

Haddad também ainda segue sendo o único candidato com desempenho relevante nas pesquisas que corre o risco de perder em um eventual segundo turno com o ex-capitão populista de direita Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o Datafolha, Haddad tem por enquanto 38% das intenções de voto em uma disputa isolada contra Bolsonaro, que registra 39%. Candidatos como Ciro, Marina e Alckmin aparecem com vantagem maior em cenários contra o ex-capitão.

*Com informações da Deutsche Welle Brasil.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]