Eleições 2018: Grupo de personalidades assina manifesto contra extrema-direita; “Eleger Jair Bolsonaro coloca em risco a democracia brasileira”, diz documento

Manifesto 'Pela Democracia, pelo Brasil' faz apelo contra o nazifascismo professado por Jair Bolsonaro.

Manifesto ‘Pela Democracia, pelo Brasil’ faz apelo contra o nazifascismo professado por Jair Bolsonaro.

O que Mano Brown, Guilherme Leal, Lilian Schwartz, Casagrande Jr., Celso Lafer, Claudia Costin, Drauzio Varela, Bela Gil, Milton Hatoum, Glória Kalil tem em comum? Todos concordam que eleger Jair Bolsonaro coloca em risco a democracia brasileira. As personalidades participam de um movimento espontâneo que emerge em meios digitais e está disponível para adesão de qualquer cidadão através do site www.democraciasim.com.br.

Em menos de 48 horas mais de 300 representantes de diversas áreas da sociedade civil, de conhecimento, atuação e  posições partidárias diferentes se unem em um único manifesto para reforçar a importância da democracia brasileira. E, mais que isso, para ressaltar que a democracia corre risco caso candidaturas que flertam com o autoritarismo, como a de Jair Bolsonaro, sejam eleitas.

A museóloga Beth Pessoa, o pesquisador Carlos Nobre, a atriz Cláudia Abreu, a cartunista Laerte, a socióloga Maria Alice Setubal, o engenheiro florestal Tasso Azevedo, o publicitário Washington Olivetto, o rapper Xis e o apresentador Zeca Camargo são algumas das pessoas que, também, assinam o manifesto. Apesar das diferenças entre cada um, todos concordam que os 30 anos da democracia recente brasileira trouxe estabilidade, avanços sociais e melhoria da qualidade de vida da população.

O principal propósito é chamar atenção para o momento de crise política que o país passa, lembrando que é hora de avaliar as alternativas disponíveis e recusar as saídas que parecem mais simples e fáceis, com atrasos na área social.

Manifesto ‘Pela Democracia, pelo Brasil’

Somos diferentes. Temos trajetórias pessoais e públicas variadas. Votamos em pessoas e partidos diversos. Defendemos causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos.

Mas temos em comum o compromisso com a democracia. Com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação.

Como todos os brasileiros, sabemos da profundidade dos desafios que nos convocam nesse momento. Mais além deles, do imperativo de superar o colapso do nosso sistema político, que está na raiz das crises múltiplas que vivemos nos últimos anos e que nos trazem ao presente de frustração e descrença.

Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial.

Podemos divergir intensamente sobre os rumos das políticas econômicas, sociais ou ambientais, a qualidade deste ou daquele ator político, o acerto do nosso sistema legal nos mais variados temas e dos processos e decisões judiciais para sua aplicação. Nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público.

Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático.

Conhecemos amplamente os resultados de processos históricos assim. Tivemos em Jânio e Collor outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política, para nos levar ao desastre. Conhecemos 20 anos de sombras sob a ditadura, iniciados com o respaldo de não poucos atores na sociedade. Testemunhamos os ecos de experiências autoritárias pelo mundo, deflagradas pela expectativa de responder a crises ou superar impasses políticos, afundando seus países no isolamento, na violência e na ruína econômica. Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários.

Em momento de crise, é preciso ter a clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos.

Esta clareza nos move a esta manifestação conjunta, nesse momento do país. Para além de todas as diferenças, estivemos juntos na construção democrática no Brasil. E é preciso saber defendê-la assim agora.

É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.

Prezamos a democracia. A democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós. Não são, certamente, poucos os desafios para avançar por dentro dela, mas sabemos ser sempre o único e mais promissor caminho, sem ovos de serpente ou ilusões armadas.

Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser.

Assinam o manifesto

Alê Youssef, Alessandra Negrini, Alexandre Nero, Alexandre Schneider, Amon Barros, Ana Carolina Evangelista, Ana Helena Altenfelder, Ana Maria Diniz, Ana Moser, André Corradi Moreira Luthier, Andre Degenszajn, André Pereira de Carvalho, Andrea Barata Ribeiro, Andrea Calabi, Andreia Horta, Anna Penido, Antonia Pelegrino, Antônio Prata, Arnaldo Antunes, Astrid Fontenelle de Brito, Átila Roque, Bel Coelho, Bela Gil, Bernard Appy, Beth Pessoa, Beto Vasconcelos, Beto Verissimo, Bia Barbosa, Binho Marques, Bruno Torturra, Caetano Veloso, Caio Magri, Camila Pitanga, Carlos Augusto, Carlos Mello, Carlos Nobre, Carolina Bueno, Cazé Pecini, Celia Cruz, Celso Athayde, Celso Lafer, Cesar Callegari, Cicero Araujo, Cláudia Abreu, Claudia Costin, Cláudio Couto, Clemente Ganz Lucio, Clemir Fernandes, Dani Fiabane, Daniel Augusto, Daniela Di Bonito Mônaco de Moraes, Daniela Gleiser, Dario Guarita Neto, Débora Lamm, Denis Mizne, Dira Paes, Drauzio Varella, Eduardo Marques, Eduardo Mufarrej, Eliane Giardini, Estevão Ciavatta, Esther Solano, Eugenia Moreyra, Eugenio Bucci, Fabio Feldman, Fernand Alphen, Fernanda Thompson, Fernando Abrucio, Fernando Burgos, Fernando Grostein Andrade, Fernando Meirelles, Flávia Lacerda, Floriano de Azevedo Marques Neto, Francisco Sandro Rodrigues Holanda, Franklin Feder, Galeno Amorim, Gerorgiana Goes, Gilberto Dimenstein, Gisele Froes, Glória Kalil, Gregorio Duvivier, Guilherme Casarões, Guilherme Leal, Haroldo Torres, Heitor Dhalia, Helio Santos, Heloisa Buarque de Holanda, Heloísa Perisse, Henrique Silveira, Hugo Possolo, Ilona Szábo, Ilza Jorge, Inês Lafer, Ivam Cabral, Jailson Silva, Joana Jabace, João Biehl, Jorge Abrahao, Jorge Romano, Jorge Schwartz, José Marcelo Zacchi, Juana Kweitel, Juca Kfouri, Jurandir Freire Costa, Karina Buhr, Katia Maia, Laerte, Lauro Gonzales, Leticia Colin, Lilia Schwarcz, Luana Lobo, Luis Bolognesi, Luiz Armando Badin, Luiz Camillo Osorio, Luiz Eduardo Soares, Luiza Lima, Malak Poppovic, Mano Brown, Manoela Miklos, Marcelo Behar, Marcelo Furtado, Marcelo Masagão, Marcelo Rubens Paiva, Marco Antônio Carvalho Teixeira, Marcos Fernandes, Marcus Vinícius Faustini, Maria Alice Setubal, Maria de Medicis, Maria Gadu, Maria Victoria Benevides, Mariana Lacorte Camponez do Brasil, Mariana Pamplona, Marina Person, Mário Aquino Alves, Mário Monzoni, Marisa Moreira Salles, Mariza Abreu, Mary Camargo Neves Lafer, Mel Lisboa, Melina Risso, Michael Haradon, Milton Hatoum, Miriam Krenzinger, Monica Almeida, Monica Franco, Naercio Menezes Filho, Numa Ciro, Oded Grajew, Oscar Vilhena, Pally Siqueira, Paloma Duarte, Patrícia Pilar, Paula Lavigne, Paulinho Moska, Paulo André, Paulo Barreto, Paulo Borges, Paulo Furquim, Paulo Miklos, Pedro Abramovay, Pedro Meira Monteiro, Pedro Paulo Poppovic, Pedro Strozenberg, Priscila Cruz, Rafael Alcadipani, Rafael Parente, Raul Santiago, Regina Braga, Renato Janine Ribeiro, Renato Sergio de Lima, Ricardo Abramovay, Ricardo Borges Martins, Ricardo Henriques, Ricardo Sennes, Ricardo Young, Roberta Martinelli, Roberto Waack, Ronaldo Lemos, Rudi Rocha, Sarah Oliveira, Sergio Leitão, Sergio Miletto, Silvia Ramos, Silvia Taques Bittencourt, Sueli Carneiro, Tadeu Jungle, Tainá Müller, Tasso Azevedo, Tati Bernardi, Thiago Lacerda, Valeria Macedo, Valter Silvério, Vanessa Elias de Oliveira, Vítor Marchetti, Walter Salles, Washington Olivetto, Xis, Xixo Mauricio Piragino, Zeca Camargo e Zuza Homem de Mello.

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