Eleições 2018: Grito dos Excluídos denuncia prisão política de Lula; com lema ‘Desigualdade gera Violência: Basta de Privilégio’, ato ocorreu em São Paulo

'Lula Livre' e críticas ao presidente Michel Temer marcam o 24º Grito dos Excluídos.

‘Lula Livre’ e críticas ao presidente Michel Temer marcam o 24º Grito dos Excluídos.

24ª edição do Grito dos Excluídos, reuniu representantes de movimentos sociais.

24ª edição do Grito dos Excluídos, reuniu representantes de movimentos sociais.

Militantes de movimentos populares, pastorais, sindicatos e partidos de esquerda saíram de São Paulo (SP) em um desfile alternativo nesta sexta-feira (07/09/2018), dia da Independência. Esta é a 24ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas.

Com o lema “Desigualdade gera Violência: Basta de Privilégio”, o ato saiu por volta das 10h da praça Oswaldo Cruz, próximo à Avenida Paulista, em direção ao Parque do Ibirapuera, na região Sul da cidade. Outra exigência do ato foi a liberdade de Lula, preso há mais de 150 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

Em carta, os movimentos populares criticaram a reforma trabalhista e a precarização do trabalho; o aumento do desemprego e do custo de vida; e o congelamento dos gastos públicos. O coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, afirma que o aumento da miséria e da exclusão social no país ocorreu após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Bonfim avalia que o crescimento da violência política no país também é um reflexo do aumento das desigualdades. Segundo ele, isso reverbera em ataques como o que sofreu o candidato à presidência da extrema-direita, atingido por uma facada nesta quinta-feira (6); e também contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja caravana foi alvo de tiros de arma de fogo há seis meses.

“É um resultado catastrófico, uma tragédia que o país está vivendo do ponto de vista econômico e social”, pontua o dirigente. “Uma violência individual como a que aconteceu ontem [com Bolsonaro] não resolve. Nós lamentamos e repudiamos, mas temos que dizer que, infelizmente, aumentou a sensação de violência de intolerância que dá margem para esse tipo de ato.”

Mais contas, menos trabalho

Entre intervenções artísticas e teatrais, os militantes lembraram o aumento do custo de vida e do preço do gás e da energia elétrica. Maria Aparecida, de 55 anos, milita no movimento de moradia na Vila Arapuá, zona Sul da capital paulista, há 30 anos. Para ela, o aumento do custo de vida piora ainda mais um quadro de alto índice de desocupação. Ela segurava uma uma faixa denunciando o número de 13,5 milhões de desempregados durante o governo de Michel Temer (MDB).

“Se o trabalho está difícil, para comprar é pior ainda. Se o mercado de trabalho fecha e as pessoas não têm acesso a emprego, não tem como ter acesso a comprar. Tá muito caro o gás, a luz e e mal dá para pagar as contas”, lamenta.

O fim da violência contra a população negra também foi uma das pautas do Grito dos Excluídos. A yalorixá Solange Machado lembra que os negros estão sub-representados na política. “Não estamos representados nos cenários de poder e nas cadeiras de comando. Continuamos excluídos do nosso direito de sermos reconhecidos  e ter acesso a educação a saúde e respeito.

Ela pontua também  que os religiosos de matriz africana fazem parte do grupo de excluídos. “Excluídos de seus direitos; excluídos do que a Constituição garante e o Estado nós nega”, diz ela. “Aqui nós temos movimentos por moradia, os sem-terra, trabalhadores desempregados, mulheres, comunidade LGBT e diversos outros representantes de grupos que estão fora daquilo que, hoje, a sociedade rotula como merecedores de direitos”.

Lula Livre

A socióloga Susana Inês Basualdo, de 58 anos, já participou de outras edições do Grito dos Excluídos. “Essa manifestação mostra que a verdadeira independência e a verdadeira libertação do Brasil só vão ocorrer quando todos tiverem alcance a uma vida digna”, diz.

Ela afirma que este ano o ato tem uma simbologia ainda maior por conta da prisão política do ex-presidente. “A prisão dele é um sinal claro que não querem o povo melhor, que querem manter a desigualdade no país, manter o poder na mão de poucos. E que a escravidão ainda está na mentalidade das nossas elites.”

O protesto foi encerrado por volta das 13h, em frente ao Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. A escultura do artista Victor Brecheret, inaugurada em 1953, é uma homenagem aos bandeirantes paulistas, “símbolo da opressão dos excluídos”, lembra o jovem Pedro Pankararé. “Aqui é um cenário triste. Esse símbolo aqui mostra a escravidão”, disse, apontando para o monumento. “Mas estar aqui nesse chão nos dá força para lutar cada vez mais.”

Políticos, como o candidato à governador do estado de São Paulo pelo PT, Luiz Marinho, também estiveram presentes.

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