Eleições 2018: Ex-presidente dos EUA Bill Clinton pede à brasileiros que não votem movidos pela raiva, ódio e ressentimento; discurso é observado como crítica ao fascismo de Jair Bolsonaro

Em São Paulo, ex-presidente dos EUA Bill Clinton adverte aos eleitores que não se dirijam às urnas orientados pelo ódio e ressentimento, como ocorreu nas últimas eleições americanas. "Não desistam de seu país", alerta o democrata.

Em São Paulo, ex-presidente dos EUA Bill Clinton adverte aos eleitores que não se dirijam às urnas orientados pelo ódio e ressentimento, como ocorreu nas últimas eleições americanas. “Não desistam de seu país”, alerta o democrata.

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton alertou os eleitores brasileiros durante um evento em São Paulo nesta sexta-feira (21/09/2018) contra os riscos de irem às urnas nas eleições presidenciais orientados pela raiva e pelo ódio.

“Não tente tomar uma decisão quando está nervoso, pois assim nunca se toma decisões acertadas”, disse Clinton a uma plateia de investidores, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A 15 dias das eleições presidenciais no Brasil, o americano advertiu que, “em um país como este, quando há raiva e ressentimento não há boas decisões”. Ele acrescentou que o mesmo vale para os Estados Unidos.

Segundo Clinton, as pessoas devem ter o cuidado de avaliar qual o futuro que desejam para o país. “‘Como quero que o Brasil esteja quando meus filhos chegarem à minha idade? Que decisões devo tomar para que isso ocorra?’ O presidente [da Rússia, Vladimir] Putin diria que somos antiquados, mas nós acreditamos que a democracia é a melhor maneira de atingir esse objetivo, embora seja lenta e às vezes os fatos não nos ajudem”, observou.

“No Brasil, a corrupção é um problema? Sim, mas vocês têm a capacidade de lidar com isso”, disse Clinton. “O que eu sei é que em nenhum lugar do mundo há uma população com tanta energia, tão diversa e um país com tantos recursos naturais como o Brasil. Não desistam de seu país.”

Ele lembrou que, nos Estados Unidos, muitos eleitores votaram nas últimas eleições presidenciais movidos pelo ressentimento, por considerarem que não recebiam tratamento justo ou por não se sentirem representados na sociedade. Ele não fez menção direta ao presidente Donald Trump, que derrotou sua esposa, a ex-candidata pelo Partido Democrata Hillary Clinton, no pleito de 2016.

Clinton ressaltou que a democracia ainda é o melhor sistema. “É tão lenta em comparação ao modo que vocês conduzem os seus negócios”, disse aos investidores em São Paulo. “Mas vocês, as pessoas que deram a democracia ao Brasil e que a restauraram, devem se perguntar o seguinte: será que vale a pena aguentar a lentidão ou errar novamente para ser livre?”, observou, sem mencionar nenhum dos candidatos à Presidência nas eleições de 7 de outubro.

“Há décadas não via tanto ódio no Brasil”, afirmou, por sua vez, o ex-presidente Fernando Henrique, pedindo a defesa dos valores democráticos. “A democracia é um valor essencial. Eu vivi na ditadura, quem viveu a ditadura sabe que a democracia é um valor que não se pode abandonar e vale a pena lutar por isso”, completou.

*Com informações do DW.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]