Eleições 2018: Adoção de política neoliberal pelo governado usurpador de Michel Temer transformou Brasil em colônia do Império, conceito é descrito na obra de Michael Hardt e Antonio Negri

Assunção antidemocrática de Michel Temer à presidência da República demarca retorno da elite colonialista de perfil escravocrata ao centro do poder da República. Governo Temer adotou política da ‘ponte para o retrocesso’, promovendo mudança que favoreceu ao capital internacional, retrocedendo o nacional desenvolvimentismo, permitido o avanço do neoliberalismo brasileiro, o que resultou em severa perda trabalhista, social e ambiental, além de ter reduzido severamente a coesão social.

Assunção antidemocrática de Michel Temer à presidência da República demarca retorno da elite colonialista de perfil escravocrata ao centro do poder da República. Governo Temer adotou política da ‘ponte para o retrocesso’, promovendo mudança que favoreceu ao capital internacional, retrocedendo o nacional desenvolvimentismo, permitido o avanço do neoliberalismo brasileiro, o que resultou em severa perda trabalhista, social e ambiental, além de ter reduzido severamente a coesão social.

Neste 7 de setembro de 2018, data em que o Brasil rememora os 196 anos de independência política em relação a Portugal, o país amarga uma conduta geopolítica e diplomática que o coloca numa posição de subordinação a interesses externos e o distancia da conquista de uma efetiva soberania.

É o que afirma a cientista política Tatiane Berringer, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ela destaca a mudança de rota que o país tem feito no que se refere à relação com os países vizinhos. A pesquisadora ressalta ainda que o Brasil havia conquistado, na história recente, uma posição de destaque em organizações como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o Mercosul e o Brics, que reúne também Rússia, Índia, China, África do Sul.

O atual contexto de avanço conservador e neoliberal teria jogado o país para uma posição de maior conexão com o passado de subordinação aos interesses externos. A postura combativa em relação à Venezuela e a submissão à pauta imposta pelos Estados Unidos são exemplos que ajudariam a ilustrar o novo cenário.

“Ele [o Brasil] tinha alcançado uma margem de manobra muito importante, na qual, através de relações com os demais Estados dependentes, com coalizões e uma prioridade na integração regional, ele tinha conseguido enfrentar certas posturas e posições dos Estados integralistas e assumir um outro patamar, e isso foi rapidamente dissolvido com o golpe de Estado de 2016”, analisa.

A mudança de rota no campo diplomático se desenrola num contexto em que o país é alvo de medidas como a negociação da Base de Alcântara, no Maranhão, junto aos Estados Unidos; a abertura da exploração do pré-sal para as multinacionais; as privatizações de empresas públicas, geralmente destinadas a mãos estrangeiras, entre outras ações.

Todas elas sem o respaldo dos segmentos populares, como destaca o historiador Leidiano Farias, da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP), para quem a busca por soberania e independência do país não pode ser descolada dos interesses desses grupos. Ele destaca que a desvinculação política do Brasil em relação à metrópole portuguesa, em 1822, não trouxe, ao longo do tempo, a construção da cidadania política e social.

Essa realidade, na visão da FBP, está fortemente estampada nos tempos atuais, diante da tomada de grandes decisões sem um debate efetivo e permanente entre forças populares e agentes do Estado.

“O governo Temer é a prova disso. Todo o processo de negociação da base de Alcântara, de privatizações representa a fragilidade da nossa cidadania e, consequentemente, da nossa soberania nacional. Então, a constituição do Brasil como nação ainda é algo a ser construído”, analisa.

Olhando para o futuro, ele avalia que o caminho para a mudança de rumo e a construção da independência estaria no protagonismo popular.

“[Isso] está relacionado à capacidade de o povo brasileiro controlar o seu próprio destino. Esse elemento da participação popular é determinante pra conquista da soberania nacional”, finaliza.

Passado

O historiador e escritor Airton de Farias reflete sobre a trajetória do Brasil nos últimos séculos para encontrar, nas raízes do passado, a explicação para o que se desenrola no tempo presente. Para ele, o processo de subserviência do país a interesses alheios bebe na fonte das contradições que se expuseram muito fortemente, por exemplo, no período da luta pela independência política. A emergência de uma sociedade republicana que, ao mesmo tempo, era elitista e de mentalidade escravocrata ajudaria a ilustrar a análise.

Esse Brasil dos contrastes ajudou, segundo ele, a delinear os rumos que o país tem tomado nos últimos anos, com medidas que aprofundam as políticas liberais e as desigualdades, favorecendo uma elite de caráter antinacional. A receita contribui para mover o país num sentido contrário ao da independência.

“É uma sociedade que minimiza a escravidão, que minimiza a ditadura militar e seus crimes, uma elite com pouco espírito público. É uma questão muito séria. Essas contradições que levaram ao nascimento da nação brasileira se perpetuaram e chegam até hoje”, complementa.

Do Imperialismo ao Império

O Imperialismo pode estar mais próximo da globalização do que se supõe. Embora o Imperialismo como o conhecemos não exista mais, a ideia de império continua viva. E é – como analisam Michael Hardt e Antonio Negri na tese ‘Império – a nova ordem política da globalização’. O livro mostra como o império emergente não é tão diferente da dominação imperialista européia e da expansão capitalista ocorridas respectivamente no início do século XIX e século XX. Apenas o ””império”” de hoje traz elementos do constitucionalismo americano, com sua tradição pluricultural de expansão de fronteiras.

Hardt e Negri analisam as mudanças culturais, econômica e jurídicas ocorridas nas últimas décadas e mostram como é mais simples identificá-las do que apreendê-las. E vão mais longe: insistem que estas só fazem sentido se dissecadas linearmente e comparadas a nossa própria definição de império ao longo das eras, uma ordem universal que desconhece limites ou fronteiras.

Através da obra ‘Império’, os autores identificam uma brusca alteração nos conceitos que formam a própria base filosófica da política moderna – como soberania, nação e povo. Hardt e Negri relacionam essa mudança filosófica a reviravoltas econômicas e culturais na sociedade pós-moderna – a nova forma de racismo, novos conceitos de identidade e diferença, novas tecnologias de informação, comunicação e controle e as novas rotas de imigração.

Os autores mostram, ainda, o poder das corporações transnacionais e a crescente predominância de formas recentes de trabalho e produção. Mais do que simples análise, IMPÉRIO é um trabalho de filosofia política, que observa regimes de exploração e controle na nossa ordem mundial, a procura de um novo paradigma político, verdadeiramente democrático.

Perfil dos autores

Michael Hardt é professor de Literatura da Duke University. Autor de Gilles Deleuze – um aprendizado em Filosofia e co-autor, com Antonio Negri, de Labor of Dionysus: A Critique of the State-form. Editou com Paolo Virno Radical Thought in Italy, e com Kathi Weeks The Jameson Reader. Atualmente trabalha em uma pesquisa sobre a obra de Pier Paolo Pasolini.

Antonio Negri, cientista social e filósofo italiano, nasceu em Pádua em 1933. Condenado a 13 anos de prisão, se exilou em Paris por 14 anos. Retornou à Itália e, desde 1997, cumpre pena na prisão de Rebibbia, em Roma _ atualmente em regime semi-aberto. É autor de A anomalia selvagem – poder e potência em Spinoza; The politics of subversion: a manifesto for the 21st century; Communists Like Us, com Felix Guatarri e Constituent Power and the Modern State.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]