Caso Lava Jato: PGR tem 15 dias para se posicionar sobre inquérito presidente Michel Temer e ministros do governo; prazo foi determinado pelo ministro do STF Edson Fachin

Atuação de Raquel Dodge indica parcimônia e favorecimento ao governante que a indicou ao cargo de procuradora-geral.

Atuação de Raquel Dodge indica parcimônia e favorecimento ao governante que a indicou ao cargo de procuradora-geral.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin concedeu nesta quarta-feira (12/09/2018) prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que finalizou o inquérito que tem o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco como investigados.

“Tendo em vista que foi acostado aos autos o relatório conclusivo da autoridade policial dê-se vista dos autos à Procuradoria-Geral da República, para que se manifeste no prazo de 15 dias”, decidiu o ministro.

De acordo com depoimento de delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho, houve um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, para tratativas de um repasse de R$ 10 milhões como forma de ajuda de campanha para o PMDB, atualmente MDB.

O caso envolve o suposto favorecimento da empresa Odebrecht durante o período em que Padilha e Moreira Franco foram ministros da Secretaria da Aviação Civil, entre os anos de 2013 e 2015. Na época, Temer era vice-presidente da República.

No prazo de 15 dias, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deverá decidir se denuncia os acusados ao STF, solicita o arquivamento do inquérito ou aguarda o término do mandato do presidente e envia a investigação para a primeira instância da Justiça.

De acordo com a Constituição, o presidente não pode ser responsabilizado por atos fora do mandato. O inquérito trata de fatos investigados quando Temer era vice-presidente.

Outro lado

Na semana passada, após a conclusão do inquérito da PF, em nota, o Palácio do Planalto contestou a conclusão do inquérito da Polícia Federal: “É um atentado à lógica e à cronologia dos fatos”. Disse ainda que “a investigação se mostra a mais absoluta perseguição ao presidente, ofendendo os princípios mais elementares da conexão entre causa e efeito”.

Segundo a nota, o pedido de apoio à campanha eleitoral do PMDB “ocorreu dentro de todos ditames legais”, e os recursos doados em contas do partido foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Agora, sem conseguir comprovar irregularidades nas doações, o delegado aponta supostos pagamentos ocorridos em março como prova dos crimes, ou seja, dois meses antes do jantar”, destaca o Planalto, em referência a um encontro, no Palácio do Jaburu, com a participação de Temer, Padilha e Odebrecht, ocorrido em maio de 2014.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).