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UFBA celebra o legado do artista plástico Mário Cravo Júnior

Obras do artista plástico Mário Cravo Júnior exibidas em pontos históricos de Salvador.

Obras do artista plástico Mário Cravo Júnior exibidas em pontos históricos de Salvador.

“Grandes obras à frente de seu tempo e marcantes contribuições culturais que inspiraram gerações de artistas e singularizou o espírito de sua época” são o mais importante legado que o artista plástico Mário Cravo Júnior deixou tanto para a comunidade da Universidade Federal da Bahia quanto para a sociedade baiana e de todo o Brasil, reconhece a diretora da Escola de Belas Artes da UFBA, Nanci Santos Novais.  Cravo Júnior – que também era escultor, pintor, gravador e desenhista e faleceu aos 95 anos, no último dia 1º/08 – atuou como professor de gravura e escultura no curso Artes Plásticas da UFBA, no final da década de 1950, após convite do então reitor, Edgard Santos, que foi tocado pela criatividade de suas produções.

Para ingressar no quadro de docentes, ele fez um curso de livre docência, no ano de 1956, informou a professora Nanci e “ao veicular suas ideias pictóricas, como primeiro modernista baiano, para as várias classes de estudantes de artes plásticas, inspirou novos talentos como o também artista Juarez Paraíso e propiciou um ambiente que culminou na agitação cultural que marcou os anos de 1960, na Bahia, pontuou o assessor especial para assuntos culturais da UFBA, Paulo Costa Lima.  “Sua presença na instituição impulsionou a EBA, que foi fundada no século XIX, a estabelecer ligações com a vanguarda das artes modernas”, reconheceu o professor.

Além da relevante atuação também como integrante do antigo Centro de Cultura da UFBA, Cravo Júnior realizou uma importante contribuição patrimonial à Universidade: doou uma prensa, adquirida graças ao valor de um prêmio que recebeu no Rio de Janeiro, relembrou  Novais, destacando que a presença desse equipamento viabilizou a introdução do curso de gravura na UFBA e,  posteriormente, seus egressos fundaram a Escola Baiana de Gravura.

Mário Cravo, segundo a professora que também é artista plástica, “foi um artista de espírito inovador e produtivo, à frente de sua época.  Para ilustrar seu pioneirismo, ela citou o primeiro monumento elaborado em fibra de vidro na capital baiana, nos anos de 1970, a Fonte da Rampa do Mercado também conhecido como Monumento à Cidade do Salvador, que fica ao lado do Mercado Modelo e em frente ao Elevador Lacerda, na Cidade Baixa. Ela também lembrou que ele foi o primeiro a usar sucata de metal e madeira enquanto os outros usavam acrílica, óleo e bronze”.

Memorial ao primeiro reitor da UFBA

Ao lado do arquiteto e urbanista Diógenes Rebouças, Mário Cravo Jr elaborou o projeto do Memorial ao Reitor Edgard Santos, no ano de 1962.  O monumento, que foi concebido em concreto revestido em mármore, contendo escultura em cobre, efígie do homenageado e escudo da UFBA do mesmo metal e exposto na área lateral do Palácio da Reitoria, no Canela, foi inaugurado em 1963 e reinaugurado em 2005.

Devido ao desgaste do tempo, a obra apresentou necessidade de ser restaurada e, no último dia 17/04, o artista plástico, acompanhado dos filhos, visitou o Gabinete da Reitoria para definir detalhes sobre a reformulação do memorial. Na ocasião, foram apresentados ao reitor João Carlos Salles, os esboços e desenhos originais da obra a fim de definir o planejamento da requalificação do Memorial.  Atualmente, as peças estão no ateliê do artista e o acompanhamento dos trabalhos está sob a responsabilidade da Escola de Belas Artes da UFBA.

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