O fascismo não necessita de muito mais além de ignorância política e força bruta | Por Afrânio Silva Jardim

Afrânio Silva Jardim: Ministério Púbico e Poder Judiciário estão criminalizando a política, fingindo desconhecer que era lícito o financiamento empresarial das campanhas políticas.

Afrânio Silva Jardim: Ministério Púbico e Poder Judiciário estão criminalizando a política, fingindo desconhecer que era lícito o financiamento empresarial das campanhas políticas.

Tenho para mim que muito da dramática realidade social que estamos vivenciando decorre de um sórdido “trabalho”, sistemático e permanente, da grande imprensa no sentido de despolitizar o cidadão brasileiro.

A mídia empresarial criou, na opinião pública, a falsa crença de que a política é “coisa” perversa e que todos os políticos são corruptos ou incompetentes.

Parece que parte do Poder Judiciário e parte do Ministério Público também restaram “seduzidos” por esta falácia …

Ministério Púbico e Poder Judiciário estão criminalizando a política, fingindo desconhecer que era lícito o financiamento empresarial das campanhas políticas. Quaisquer atividades legislativas ou administrativas que vieram a beneficiar determinado segmento empresarial, eles tipificam como crime de corrupção passiva, sem um nexo de causalidade mais próximo e bem definido com a doações anteriores.

A Política e o Direito operam em patamares morais distintos. O Direito não se confunde com a moral. O Direito há de estar positivado nas normas jurídicas, enquanto a moral está na mente das pessoas.

A má-fé é patente, pois estas empresas de comunicação sabem muito bem que não há país no mundo sem governo e não há governo sem política. Não há como liderar sequer um grupo social sem negociar com apoiadores e adversários. Tudo em sociedade é regido pela política !!!

O resultado desta desinformação é gritante. As pessoas se mostram contraditórias, pois não têm condições de compreender corretamente os acontecimentos econômicos, políticos, jurídicos e sociais.

Tudo isso cria, na população, uma postura de total alienação ideológica, um falso moralismo e um nacionalismo exacerbado, campos ideais para a fertilização do fascismo.

Alguns poucos candidatos à Presidência da República bem representam estas posturas totalitárias e conservadoras. Estes políticos fazem política dizendo que não são políticos ou vão governar sem fazer política, como se isso fosse possível.

Estes candidatos são truculentos e intolerantes e isto agrada aos seus eleitores, que apreciam a ignorância e soluções simplistas para problemas complexos. Continuam com os velhos e desgastados bordões: defesa da família e de falsos valores religiosos, combate à corrupção e ao comunismo (que sequer sabem o seu real significado) !!!

São moralistas hipócritas e agem em desacordo com os princípios cristãos. Pregam ódio e discriminação social.

O momento é perigoso e estamos correndo algum risco de cairmos no obscurantismo e em alguma espécie de “terror social”, com perseguição e extermínio de minorias.

Desta forma, temos de, incessantemente, criar uma espécie de “corrente de esclarecimento” à população menos informada. Temos de alertar sobre o perigo do fascismo em nosso meio social. Enfim, só temos uma saída: DEMOCRACIA NELES !!!

*Afrânio Silva Jardim é professor associado de Direito Processual Penal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre e Livre-Docente em Direito Processo Penal pela UERJ.

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