“Escândalo” e “traição”: Papa Francisco pede perdão às vítimas de abusos na Irlanda

O papa Francisco celebrou missa no Santuário de Knock, na Irlanda.

O papa Francisco celebrou missa no Santuário de Knock, na Irlanda.

Em seu segundo e último dia de visita a Dublin, o papa Francisco pediu, neste domingo (26/08/2018), “o perdão do Senhor” pelas agressões sexuais cometidas na Irlanda por padres católicos. Ao mesmo tempo, foi acusado de ter encoberto um religioso acusado de “comportamento gravemente imoral”.

“Imploro o perdão do Senhor por estes pecados, pelo escândalo e pela traição sentida por muitas pessoas na família de Deus”, declarou o sumo pontífice durante uma visita ao Santuário de Knock, a 180 quilômetros de Dublin, onde foi recebido por 45 mil pessoas.

Desde 2002, mais de 14.500 pessoas foram vítimas de abusos sexuais por membros do clero na Irlanda. A hierarquia da Igreja irlandesa é acusada de ter encoberto centenas de padres.

Várias investigações também revelaram práticas ilegais de adoção de crianças nascidas de mulheres solteiras, realizadas pelo Estado irlandês com a cumplicidade da Igreja Católica. A magnitude desses escândalos explica em parte a perda de influência, nos últimos anos, da religião sobre a sociedade irlandesa, historicamente muito católica.

“Nenhum de nós pode evitar se sentir comovido com as histórias de crianças que sofreram abusos, que tiveram sua inocência roubada e que foram abandonadas a dolorosas lembranças”, declarou. “Esta ferida aberta nos desafia a ser firmes e determinados na busca da verdade e da justiça”, acrescentou.

Neste domingo à tarde, Francisco volta a Dublin para celebrar a missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias no enorme Phoenix Park, na presença de meio milhão de fiéis. Paralelamente, no centro da capital irlandesa, vítimas de abusos da Igreja e seus partidários participarão de um protesto batizado “De pé pela verdade”.

Viagem ofuscada por escândalos de pedofilia

Oficialmente dedicada ao Encontro Mundial das Famílias, a visita do sumo pontífice neste fim de semana à Irlanda foi ofuscada pelos escândalos de abusos do clero. No sábado (25), em Dublin, Francisco falou de sua “vergonha” e “sofrimento” diante do “fracasso das autoridades da Igreja” para enfrentar adequadamente os “crimes hediondos” do clero na Irlanda.

No entanto, o sumo pontífice foi acusado por um ex-embaixador do Vaticano em Washington, o arcebispo Carlo Maria Vigano, de ter retirado as sanções impostas contra o cardeal Theodore McCarrick, apesar da existência de acusações por “comportamento gravemente imoral com seminaristas e padres”. O religioso de 88 anos, arcebispo emérito de Washington, renunciou em julho, decisão acatada pelo papa.

O material que contém onze páginas foi divulgado simultaneamente no sábado em várias publicações católicas americanas de tendência tradicionalista ou ultraconservadora, assim como em um jornal italiano de direita. Neste documento, o ex-núncio apostólico, agora aposentado, também acusa um grande número de altos prelados da Cúria Romana, incluindo o número dois Pietro Parolin. “A corrupção atingiu o topo da hierarquia da Igreja”, diz o bispo Vigano em uma carta, chegando a exigir a renúncia do papa.

Encontro com vítimas

Francisco se reuniu no sábado, no final do dia, com oito vítimas irlandesas de abusos sexuais. Entre esses “sobreviventes”, estão Paul Jude Redmond e Clodagh Aileen Malone, que foram adotados ilegalmente após serem retirados dos braços de suas mães solteiras com a cumplicidade de instituições católicas. “O papa pediu desculpas pelo que aconteceu nessas casas” para jovens mães, disseram em um comunicado.

Mas para Mark Vincent Healy, um sobrevivente de abusos sexuais, o sábado foi uma “oportunidade perdida”. “Quando ele vai agir?”, perguntou este representante da organização “Ending Clergy Abuse” (“Acabar com os abusos do clero”).

Ele também ficou desapontado com o fato de o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, não ter pedido ao papa que tornasse públicos os dados de possíveis predadores enviados ao Vaticano. O premiê, no entanto, sugeriu que o sumo pontífice usasse sua “posição” e “influência” para “trazer justiça” às vítimas em todo o mundo.

*Com informações do RFI.

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