Eleições 2018: Como será a estreia dos candidatos à presidência da República no horário eleitoral na TV

Cartaz da campanha eleitoral de Lula presidente!

Seis dos 13 candidatos terão menos de 10 segundos para apresentar propostas. Tempo reduzido faz com que campanhas preparem programas mais longos para a internet, apostando na força das redes sociais. Chapa Lula, presidente e Fernando Haddad, vice tem o segundo maior tempo de TV. 

É possível que a máxima eleitoral “quanto maior o tempo de TV, mais chances de ganhar a disputa” caia por terra na disputa desse ano. Com tempo reduzido, poucas alianças e um punhado de partidos nanicos participando da corrida presidencial, mal dará tempo de alguns dos candidatos se apresentem aos eleitores.

Seis dos 13 postulantes à Presidência da República terão menos de 10 segundos de espaço por bloco diário, e mais de 70% do tempo está distribuído entre apenas três candidaturas.

Para driblar o tempo reduzido, os candidatos apostam em produções audiovisuais extras, isto é, preparam programas com tempo mais longo para veicularem em suas redes sociais e canais no Youtube. Há, inclusive, estratégias que mesclam as duas mídias.

Antes mesmo da estreia nos canais de televisão aberta, duas candidaturas já vazaram na internet partes ou a íntegra do que será apresentado aos eleitores a partir deste sábado (01/09/2018).

A propaganda eleitoral gratuita começa a ser veiculada na televisão e no rádio a partir desta sexta-feira. A primeira aparição dos presidenciáveis, entretanto, deve ocorrer apenas no sábado, já que os blocos exibidos às sextas, segundas e quartas-feiras pertencem às candidaturas aos governos estaduais, distritais, aos postulantes ao Senado e às Assembleias Legislativas. As inserções dos candidatos à presidente serão exibidas aos sábados, terças e quintas-feiras. O tempo total de 25 minutos é dividido com as candidaturas a deputado federal. No domingo não há exibição.

O horário eleitoral seguirá sendo exibido até 4 de outubro, três dias antes do pleito. Geralmente, essa fase da campanha é considerada a mais importante para os políticos. Como quase 50% da população brasileira não tem acesso à internet, a televisão e o rádio ainda estão entre os instrumentos mais importantes para um candidato se tornar conhecido e conquistar votos.

A propaganda dos presidenciáveis vai ao ar em dois momentos do dia. O primeiro bloco será exibido a partir das 13h, e o seguinte, a partir das 20h30. Cada bloco terá 12 minutos e 30 segundos.

Confira como será o primeiro programa na TV dos postulantes à Presidência:

PSDB

Com quase metade do tempo de TV, o candidato Geraldo Alckmin vai enviar um recado direto aos eleitores de Jair Bolsonaro (PSL). O vídeo de 1 minuto, no qual uma bala quase atinge a cabeça de uma criança (nas cenas anteriores, ela atravessa e causa a explosão de diversos outros objetos, como um melão e um copo de vidro), foi divulgado no Twitter do candidato nesta quinta-feira. Segundo a equipe de Alckmin, o primeiro filme da campanha foi inspirado em uma peça publicitária inglesa intitulada “Guns kill: Kill guns”.

O vídeo elaborado pela equipe do tucano é praticamente idêntico ao comercial em que foi inspirado. Pelo Twitter, a equipe do presidenciável comentou: “A peça fala de como os problemas do Brasil não são resolvidos na bala.” Alckmin, entretanto, tem defendido ao longo de eventos de campanha o porte de arma para pessoas que vivem em áreas rurais ou isoladas.

Outras informações sobre o primeiro programa não foram divulgadas pela equipe. Também não se sabe se a candidata à vice, Ana Amélia Lemos, aparecerá em algum momento dos 5 minutos e 32 segundos que detém a candidatura com o maior número de coligações da campanha: nove.

PT

Sem a certeza de até quando conseguirá manter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, inclusive no horário eleitoral, o PT correu na frente e divulgou, em 20 de agosto, o que será o primeiro programa de TV do partido na campanha deste ano – isso se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não barrar antes a aparição do candidato, já que atualmente ele está preso. O partido tem 2 minutos e 23 segundos.

No vídeo publicizado há dez dias, Fernando Haddad, que ainda figura como candidato a vice até que a candidatura de Lula acabe formalmente impugnada e o PT altere o cabeça de chapa, é apresentado. O protagonismo do filme, entretanto, ainda é de Lula. O vídeo mostra cenas do registro da candidatura do ex-presidente no TSE e depoimentos de populares apoiando o petista.

O PT chegou a tentar autorização judicial para gravar partes do programa de dentro da cela de Lula, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, mas o pedido foi negado.

Mesmo que seja trocado por Haddad, Lula ainda continuará aparecendo nos programas – com vídeos gravados anteriormente à sua prisão, que ocorreu em março. Segundo a legislação, 25% de tempo do horário eleitoral não precisa obrigatoriamente ser destinado à chapa de candidatos.

A assessoria do PT confirmou que a presença de Manuela D’Ávila (PC do B), que assumirá como postulante à vice no caso da impugnação de Lula, que só se dará após a formalização da decisão do TSE.

MDB

A equipe de Henrique Meirelles foi sucinta ao falar da estreia do candidato na TV. No primeiro programa, o candidato será apresentado aos telespectadores e será veiculada mensagem dele “falando olho no olho com o eleitor”, disse. A coligação formada também pelo PHS soma 1 minuto e 55 segundos de espaço por bloco.

A candidatura de Meirelles é mais uma das que investe pesado nas redes sociais, com impulsionamento de postagens e mensagens direcionadas a grupos de eleitores. Ele também irá convidar o eleitor para o seguir nas redes sociais, onde postará vídeos exclusivos da campanha.

Podemos

Com o quarto maior tempo, 40 segundos, a campanha de Álvaro Dias terá como mote: “Fala e Faz”. O foco da mensagem será o combate à corrupção, o qual já vêm sendo pregado pelo candidato, que fez carreira política no Paraná. O filme que será exibido aos eleitores foi gravado em São Paulo, em área urbana e ao ar livre.

PDT

O lema de Ciro Gomes em seus 38 segundos de programa eleitoral será “Mude”. Na primeira peça, o candidato será apresentado ao eleitor. Durante a campanha, haverá enfoque para uma de suas principais propostas, a renegociação da dívida dos brasileiros que estão com o nome sujo em órgãos de proteção ao crédito, como o SPC e o Serasa. A equipe de campanha também irá investir em vídeos feitos especialmente pelas redes sociais.

Rede

Segundo a equipe de Marina Silva, o espaço de TV de apenas 21 segundos será utilizado, principalmente, para mostrar a essência da candidata, com o objetivo de desconstruir os mitos criados em torno dela nas eleições anteriores.

“Nosso programa será uma surpresa. A coisa mais interessante será nossa capacidade de poder de síntese em pouco mais de 20 segundos. Vamos usar muito bem esses segundos”, afirma Marina em release divulgado pelo partido à imprensa.

Psol

O primeiro programa de Guilherme Boulos na TV vai apresentar o candidato e sua vice, Sônia Guajajara. Durante o mês de setembro, a candidatura pretende criticar o sistema eleitoral. Boulos tem direito a 13 segundos por bloco. Os eleitores também serão chamados para transmissões ao vivo pelas redes sociais.

PPL

Para sua primeira aparição na TV como candidato à Presidência, João Goulart Filho teve sorte. Em sorteio realizado pelo TSE, calhou ao partido o último espaço de inserção na estreia da TV – nas exibições seguintes, inicia-se um rodízio no qual o primeiro passa a ser o último no dia seguinte.

Com pouca expressão no Congresso e sem coligações, o PPL dispunha de apenas 5 segundos por bloco. Como será último a parecer no sábado, Goulart ganhou um bônus temporal de 9 segundos, tempo total de sobras no primeiro dia, segundo cálculo do TSE. A decisão foi acordada com os demais partidos.

Em seus 14 segundos, Goulart transmitirá mensagem gravada em estúdio aos eleitores. Apenas ele aparecerá no vídeo. “O tom da campanha de TV será mostrar que a desigualdade social provocado por políticas neoliberais e a extrema concentração de renda impedem o desenvolvimento do país”, aponta o assessor.

PSTU

Em seus 5 segundos por bloco, Vera Lúcia terá de ser sucinta. “Vamos dizer que a eleição é uma farsa e chamar o eleitor para assistir nosso programa no site do partido”, afirma o assessor. Segundo a campanha, no site, os programas da candidata terão entre 1 e 2 minutos.

Patriota

Já a assessoria de Cabo Daciolo informou na quinta-feira à reportagem da DW que “o programa de TV ainda não estava pronto” e, por esse motivo, não poderiam dar detalhes. O candidato tem direito a 8 segundos de espaço.

Democracia Cristã (DC)

Também com 8 segundos, Eymael deve fazer uma aparição curta e destacar seu jingle “Ey, Ey, Eymael”, usado pela primeira vez em 1985, quando concorreu pela primeira vez à prefeitura de São Paulo. Esta é a quinta vez que Eymael entra na disputa à Presidência do país.

PSL

Também na faixa dos 8 segundos está Jair Bolsonaro, que figura entre os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais, mas terá um tempo diminuto na TV e no rádio.

Por causa disso, a campanha aposta na divulgação de vídeos nas redes sociais e pelo canal do candidato no Youtube. O candidato também possui uma conta no Flickr, com diversas fotos da campanha e de sua família.

Os poucos segundos na TV serão aproveitados com mensagens curtíssimas do candidato sobre suas principais apostas, que têm grande apelo junto aos eleitores, como segurança e defesa da família. O programa na TV chamará para as transmissões na internet e também terá versões maiores editadas especialmente para a web.

Novo

Ainda entre os nanicos de tempo, com 5 segundos, está João Amoêdo. O vice da chapa, Christian Lohbauer, afirmou que o Novo usará o tempo para, ao invés de veicular uma mensagem política, simplesmente comunicar que, caso seja eleito, não haverá mais propaganda eleitoral no rádio e na TV.

O partido tem investido forte nas redes sociais e faz transmissões em vídeo ao vivo pelo Facebook quando ocorrem debates televisivos, já que as emissoras não têm obrigação de convidar Amoêdo.

*Com informações do Deutsche Welle.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]