Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória comemora 40 anos de fundação | Por João Baptista Herkenhoff

Publicada em 26 de outubro de 2016, a nota da Comunicado da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória (CJP de Vitória) condena reformas trabalhistas propostas pelo Governo Temer.

Publicada em 26 de outubro de 2016, a nota da Comunicado da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória (CJP de Vitória) condena reformas trabalhistas propostas pelo Governo Temer.

Disse Victor Hugo – Quarenta anos é velhice para a juventude e cinquenta anos é juventude para a velhice.

O grande escritor francês referia-se a juventude e velhice dos seres humanos.

Neste artigo vou tratar dos 40 anos, não de uma pessoa, mas de uma instituição.

Vou falar dos 40 anos da Comissão de Justiça e Paz de Vitória (CJP).

A CJP de Vitória foi criada em 1978 pelos Bispos Dom João Baptista da Motta e Albuquerque e Dom Luís Gonzaga Fernandes.

O Brasil vivia sob regime ditatorial, pois estava em vigor o Ato Institucional Número  5, que foi imposto ao país em 13 de dezembro de 1968. Não havia garantias, era o primado do arbítrio. Opositores do regime eram torturados e lançados no alto mar onde alimentavam os peixes.

A Comissão de Justiça e Paz de Vitória, embora criada sob a égide de Bispos, não era uma instituição católica. Dentre os seus primeiros membros havia dois ministros evangélicos – o Pastor Claude Labrunie e o Pastor Jaime Wright. Nem era mesmo uma instituição integrada, obrigatoriamente, por crentes, por pessoas que professavam a fé em Deus. Um dos membros supunha ser ateu, mas eu contestei seu ateísmo.

Disse-lhe certo dia –

Você nao é ateu, querido companheiro. Você tem colocado sua vida em perigo defendendo a Justiça. Não é crente quem beija o anel do Bispo, ajoelha-se nos bancos da catedral, mas não pratica a Justiça e explora o irmão. Tem Fé, uma Fé autêntica, que não precisa ser explicitada, aquele que faz do zelo pela Justiça um Evangelho. Quisera eu ter sua Fé.

Ele ficou emocionado, mas contestou – eu não sou isto não.

Esta pessoa, que estou relembrando, assumiu mais tarde uma Fé explícita. Passou a frequentar Missas.

Trata-se do Advogado Ewerton Montenegro Guimarães.

Ocorre-me neste momento a lembrança desse lutador, hoje falecido. Ele nao gostava de elogio público. Se estivesse vivo, este artigo lhe traria desconforto.  Dirijo meu pensamento a Ewerton pedindo que, lá na mansão de Deus, onde ele está, peça  por nós, que ainda estamos aqui.

Nestes 40 anos de existência, a CJP procurou ser a voz de quem não tinha voz. Opôs-se a despejos coletivos que mandavam para a rua dezenas de famílias miseráveis. Denunciou abusos contra presos e torturas praticadas nas prisões. Apelou a advogados voluntários para que defendessem pobres, antes de ser instituída, com muito atraso, a Defensoria Pública.

Fui membro da Comissão de Justiça e Paz. Considero isto muito mais importante do que se tivesse sido ministro do Supremo Tribunal Federal.

(Artigo publicado em A Gazeta, de Vitória, edição de 15 de agosto de 2018. Pode ser republicado em jornais ou em sites e pode ser passado de pessoa para pessoa).

*João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor.

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Sobre o autor

João Baptista Herkenhoff
João Baptista Herkenhoff possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito do Espírito Santo (1958) , mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1975) , pós-doutorado pela University of Wisconsin - Madison (1984) e pós-doutorado pela Universidade de Rouen (1992) . Atualmente é PROFESSOR ADJUNTO IV APOSENTADO da Universidade Federal do Espírito Santo.Contato:Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, Departamento de Direito. Avenida Fernando Ferrari, 514 | Goibeiras 29075-910 - Vitoria, ES - Brasil | Home-page: www.jbherkenhoff.com.br |E:mail: [email protected] | Telefone: (27)3335-2604