UFRB: 13 anos de Educação Superior no Recôncavo da Bahia | Por Silvio Soglia

Fachada da sede Reitoria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Fachada da sede Reitoria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

No início do século XIX, o mundo ocidental vivia fortes ebulições políticas e sociais embaladas pelos ecos das grandes transformações do final do século XVIII. No Brasil, o clima era de radicalização pela independência política. As províncias baianas do Recôncavo, em especial Santo Amaro da Purificação, Maragogipe e Cachoeira, protagonizaram batalhas que derrotariam as forças portuguesas da região. Essa vitória foi decisiva para impulsionar a decisão do Príncipe Regente em proclamar a independência do Brasil.

A história da UFRB também é marcada na luta pela independência do Brasil quando, em Santo Amaro, a Câmara de Vereança marca o seu tempo como farol e guia, ao propor os pilares constitutivos de um Estado soberano com organização política, administrativa e jurídica próprias; um sistema econômico financeiro e cultural autônomo, exigindo também liberdade de crença religiosa e a implantação na província de uma universidade pública. Desde aquela época, o Recôncavo compreendia que a política, os direitos civis e a produção econômica são aspectos indissociáveis da ciência, da filosofia, das artes e da cultura, no desenvolvimento de uma nação.

É dessa consciência e força ancestral que nasce em 29 de julho de 2005 a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A Câmara Santamarense reivindicou uma universidade para o Recôncavo, contudo o sonho seria adiado por mais um século, quando decisões políticas de governos progressistas retomaram e implementaram o maior projeto de expansão e interiorização do ensino superior no Brasil. Sua criação e implantação foi protagonizada por uma grande força política e com ampla participação dos povos do Recôncavo. Lideranças, artistas, intelectuais e pessoas do povo, mobilizados, mostraram sua disposição, lutaram bravamente e conquistaram a segunda universidade federal na Bahia.

Criada por desmembramento da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, a UFRB está enraizada no local. Suas fundações estão encharcadas pelos saberes e tradições ancestrais; pelo solo fértil do massapê; pelas comunidades das águas, os ribeirinhos, pescadores e marisqueiros; pelas comunidades agrícolas e quilombolas. Nas tramas e tranças dos artesãos, nas mãos criativas dos ceramistas, no empulsionamento do comércio e dos serviços, na beleza da diversidade dos tipos culturais e da estética identitária, a UFRB vai colaborando para mudar a paisagem, os cenários, produzindo conhecimento, ciência, tecnologia, arte e cultura, ao mesmo tempo em que forma jovens e adultos, profissionais e cidadãos.

Hoje, próxima a completar 13 anos, a instituição conta com sete centros de ensino em sete cidades, onde circulam 834 servidores docentes sendo 91% de mestres e doutores, 711 técnicos administrativos e cerca de 450 trabalhadores terceirizados e 12.345 estudantes.

A Federal do Recôncavo da Bahia elevou a oferta de vagas para além da capital do estado e comemora o crescimento do número de jovens baianos, em especial da população negra e pobre, com acesso ao nível superior de ensino, nos últimos anos. Desde a sua criação, a UFRB vem ganhando destaque no cenário nacional pela sua política de inclusão social. Suas ações de pesquisa e extensão se espalham pelos territórios se fazendo presente na vida dos povos, criando e trocando conhecimentos e saberes numa relação de complementaridade.

Vida longa a UFRB, posto que uma universidade é por natureza inconclusa, existe como ação, processo em permanente movimento de transformação.

Silvio Luiz de Oliveira Soglia, Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

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