Trovas e trovadores | Por João Baptista Herkenhoff

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX e um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX e um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro.

‘Trovador’, título do disco de Chico Buarque de Holanda.

‘Trovador’, título do disco de Chico Buarque de Holanda.

Dezoito de julho é o Dia Nacional do Trovador.

Num momento da vida brasileira em que explodem o ódio e a intolerância, em que amigos rompem laços fraternos antigos como decorrência da paixão política, num momento como este, a trova pode serenar os ânimos.

A trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas cada um, rimando pelo menos o segundo com o quarto verso.

É criação literária popular, que fala mais diretamente ao coração do povo. É através da trova que o povo toma contato com a poesia e sente sua força.

O termo TROVA, do francês, “trouver” (achar) nos indica que os trovadores devem “achar” o motivo de sua poesia ou de suas canções.

Temos grandes trovadores no Espírito Santo.

Cito alguns, a seguir.

Solimar de Oliveira:

Nesta existência a alegria,

experimenta e verás!

Está na doce poesia

de todo bem que se faz…

Neste exemplo se descobre

a Fraternidade, irmão:

um pobre com outro pobre

dividindo o próprio pão.

Ciro Vieira da Cunha:

Do teu amor (quem diria?)

só três meses durou,

resta a saudade – alegria

da tristeza que ficou…

Athayr Cagnin:

Indiferente à maldade,

vou traçando de alma ungida,

o giz da fraternidade

no quadro negro da vida…

Nordestino Filho:

Fraternidade, meu bem,

Só se diz Fraternidade

Quando, aIém da caridade,

não se faz mal a ninguém.

Beatriz Abaure:

Num posto de álcool na esquina,

diz um bêbado que passa:

-Isto que é gasolina!

Tem cheiro até de cachaça.

Com um tema que fascina

eu tentei fazer poesia:

Foi um sonho, Colombina!

Não passou de fantasia…

Vejamos agora algumas trovas do poeta português Fernando Pessoa e dos poetas brasileiros Menotti Del Picchia, Mário de Andrade, Cecília Meireles, Carlos Drumond de Andrade.

Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor,

finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente.

Menotti del Picchia:

Saudade, perfume triste

de uma flor que não se vê.

Culto que ainda persiste

num crente que já não crê.

Mário de Andrade:

Teu sorriso é um jardineiro,

meu coração é um jardim.

Saudade! Imenso canteiro

que eu trago dentro de mim.

Cecília Meireles:

Os remos batem nas águas,

têm de ferir para andar.

As águas vão consentindo –

esse é o destino do mar.

Carlos Drummond de Andrade:

Solidão, não te mereço,

pois que te consumo em vão.

Sabendo-te, embora, o preço,

calco teu ouro no chão.

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Sobre o autor

João Baptista Herkenhoff
João Baptista Herkenhoff possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito do Espírito Santo (1958) , mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1975) , pós-doutorado pela University of Wisconsin - Madison (1984) e pós-doutorado pela Universidade de Rouen (1992) . Atualmente é PROFESSOR ADJUNTO IV APOSENTADO da Universidade Federal do Espírito Santo.Contato:Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, Departamento de Direito. Avenida Fernando Ferrari, 514 | Goibeiras 29075-910 - Vitoria, ES - Brasil | Home-page: www.jbherkenhoff.com.br |E:mail: [email protected] | Telefone: (27)3335-2604