Por 29 a 16 votos, Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeita abertura de impeachment contra Marcelo Crivella; golpe da Rede Globo é contido

Membros da comunidade protestam em defesa do prefeito Marcelo Crivella.

Membros da comunidade protestam em defesa do prefeito Marcelo Crivella.

Prefeito Marcelo Crivella (PRB). Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeita processo de impeachment.

Prefeito Marcelo Crivella (PRB). Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeita processo de impeachment.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeitou, por 29 votos a 16, o pedido de abertura de impeachment do prefeito, Marcelo Crivella, por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Foram protocolados dois pedidos, pelo vereador Átila Nunes (MDB) e pelo diretório municipal do PSOL.

Em ambos foi citada uma reunião promovida pelo prefeito no Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura, no último dia 4, a um grupo de fiéis evangélicos, quando foram feitas promessas de atendimentos de saúde e isenção de IPTU para igrejas.

Desde antes do início da sessão, marcada para as 14h, grupos de manifestantes de ambos os lados já se colocavam nos arredores da Câmara do Rio, na Cinelândia. A troca de provocações seguiu nas galerias.

No plenário, Átila Nunes ressaltou, em seu discurso da tribuna, que Crivella não poderia governar apenas para uma parcela da população. “Não podemos ser omissos neste momento. Diversas denúncias aconteceram neste ano e meio de mandato. Ele não pode governar para uma parcela da sociedade. Os áudios gravados são do próprio Crivella, fazendo promessas indevidas. O que decidirmos aqui vai sinalizar para as futuras administrações que se deve governar para todos”, disse o vereador.

Já o líder do governo na Câmara, vereador Doutor Jairinho (MDB), considerou que o país passa por problemas muito mais graves para serem resolvidos e que a reunião de Crivella não é motivo para impeachment. “O país passa por tantos problemas e vai se falar em reunião secreta? Quem vai dizer se ele deve governar a cidade é lá em 2020 [nas próximas eleições] e não através de golpe”, disse Jairinho.

Conspiração

Observa-se que a manipulação discursiva da Rede Globo de Televisão e congêneres objetivou destituir o prefeito do Rio de Janeiro do cargo e colocar no lugar o presidente do Poder Legislativo Municipal, que passou a ser o atual substituto do prefeito, em decorrência da morte do vice-prefeito, Fernando Mac Dowell (PR), ocorrida em 20 de maio de 2018.

Uma das fontes de financiamento das atividades do Grupo Globo, a Prefeitura do Rio de Janeiro, cortou substantivamente o milionário repasse de recursos financeiros para o conglomerado de mídia. Em represália, a rede de comunicação determinou que jornalistas gravassem diálogos do prefeito com a comunidade evangélica e, na sequência, orientou os apresentadores dos programas jornalísticos para fazerem leituras com a finalidade de induzir a população e influenciar o Ministério Público e o Poder Judiciário de que Marcelo Crivella usa a estrutura do município com a objetivando favorecer grupo religioso.

No embate, a Câmara Municipal rejeitou o Golpe da Rede Globo e manteve Crivella no cargo. Mas, uma outra frente de batalha foi aberta com a denúncia do Ministério Público cuja finalidade é dar continuidade ao Golpe contra a soberania popular.

Neste contexto, a 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou a ação civil pública contra o prefeito Marcelo Crivella, acusando-o de violar, “reiteradamente, o princípio do estado laico na administração municipal e privilegiar apenas um segmento religioso em diversos atos. Ele foi denunciado na noite desta quarta-feira (11) por improbidade administrativa. Se condenado, o prefeito pode perder o cargo e pagar multa equivalente a R$ 500 mil.

Em síntese, observa-se a sanha persecutória de agentes políticos do Estado contra a soberania popular, em direto confronto com conceitos objetivos e subjetivos de Estado Laico, e em favor dos interesses do grupo privado de comunicação.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).