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O que existe de similar entre Getúlio Vargas e Lula é o ódio das elites contra ambos | Por Sérgio Jones

Em 31 de julho de 2016, manifestantes na Avenida Paulista pedem afastamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff. Dois anos após os protestos, Golpe Jurídico/Parlamentar expôs alienação da média brasileira.

Em 31 de julho de 2016, manifestantes na Avenida Paulista pedem afastamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff. Dois anos após os protestos, Golpe Jurídico/Parlamentar expôs alienação da classe média brasileira.

Todos nós estamos exaustos de saber que, ao longo da história da humanidade, não existem nem são estas formatadas por coincidências e acasos, mas por fatos que lhes são inerentes. Registrando e retratando o seu tempo e as suas contradições intrínsecas que acabam se tornando tão peculiar a todos. E isso pude constatar ao deparar-me diante de um artigo escrito pelo jornalista paulista Mário Lopes. No qual ele busca traçar, com êxito, a aproximação da trajetória política de Lula com o velho caudilho Getúlio Vargas, embora reconheça a existência de inúmeros aspectos que os colocam em posições distintas, a começar pelo tempo e conjunção histórica de época. Mais um fato os aproxima bastante, o ódio das elites a Lula é o mesmo que foi dedicado a Getúlio.

Embora reconheça o autor que o Lula teve até agora muito menos tempo que Getúlio, considera ser um equívoco dizer que sua gestão teve menor impacto sobre a infraestrutura do país. E ressalva, se Getúlio fundou a Petrobras, Lula refundou-a com o pré-sal – com a oposição das elites nacionais. Se Getúlio lançou as bases da indústria brasileira, Lula deu a ela uma dimensão sem precedentes ao tornar o Brasil uma potência exportadora global.

É de conhecimento geral de que Getúlio deixou sua marca na superestrutura nacional, ao criar o Ministério da Educação, Lula promoveu uma revolução no ensino superior, abrindo o as portas da Universidade aos filhos dos pobres, depois de décadas de veto. Se Getúlio mudou as relações no país e a cultura nacional ao instituir os sindicatos, voto secreto, o ensino primário obrigatório, o voto feminino, Lula inseriu os pretos e os pobres com as políticas de cotas, mudou a relação das pessoas LGTBs com o Estado e, ao contrário do que se disseminou, em seu governo (e no de Dilma), em vez de acomodação, o movimento sindical brasileiro teve um dos períodos mais vigorosos de mobilização da história – a partir de 2004 o número de greves no país começou a crescer “até atingir a quantidade impressionante – para o Brasil – de 2050 greves em 2013”.

Diante de toda essa similitude, houve algo que Getúlio jamais sonhou em fazer – nem havia condições concretas para tanto. Lula retirou o Brasil da condição de país subalterno e desimportante na geopolítica e transformou-o num protagonista influente e admirado. A partir do boom das commodities e das exportações, Lula tornou o Brasil de um país irrelevante no contexto das relações comerciais da China no 9º maior parceiro comercial do país que desponta para assumir a liderança do planeta. Mais que isso: sob sua liderança, o Brasil deixou a sombra dos EUA – o que fica evidenciado pelo trecho antológico e exemplar do discurso de Lula na 4ª Cúpula das Américas em 2005.
Aprofundando mais sob a atuação de Lula, Lopes destaca e chama a atenção para o fato de que o Brasil foi um dos vetores da formação dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o bloco que tem alterado o estatuto das relações geopolíticas globais -sem qualquer protagonismo brasileiro desde o golpe de 2016.

Fazendo uma breve e necessárias retrospectiva ficou evidente a profunda e precisa observação histórica ao citar que em 1945, a elite brasileira decretou o fim do getulismo. Poucos meses depois, o apoio de Getúlio garantiu a vitória de Dutra na eleição presidencial contra o candidato da direita, Eduardo Gomes. Mais ainda: em 3 de outubro de 1950, o próprio Getúlio derrotou diretamente o candidato da UDN, o mesmo Eduardo Gomes, retornando à Presidência -com 49% dos votos.

Sobre Getúlio e sua volta à Presidência, um dos principais porta-vozes da direita à época, Carlos Lacerda, escreveu em uma manchete do jornal Tribuna da Imprensa, em 1 de junho de 1950, um pequeno conjunto de frases que passou à história e cabe como uma luva à situação atual, em relação a Lula. Escreveu Lacerda: “O senhor Getúlio Vargas não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”. Trocando em miúdos podemos sentenciar que o ódio das elites a Lula é o ódio a Getúlio.

O que fica evidenciado diante desta rápida pincelada, pela tela de nossa curta existência enquanto nação, é que os inimigos e até aliados de Getúlio cansaram de decretar o fim do getulismo nos anos 1940-50. Os inimigos e até aliados de Lula têm decretado nos últimos três anos o fim do lulismo. Como aconteceu no passado, aqueles foram derrotados e esses estão sendo.

O articulista ao fazer todas essas ponderações observa, com muita maestria, que Lula é tão grande quanto Getúlio – talvez maior- e o lulismo é o sucessor direto do getulismo – como, aliás, acabou por reconhecer outro gigante, Leonel Brizola, nos últimos anos de vida.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista ([email protected]).

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