Eleições: Indefinição sobre vices pressiona partidos a realizar alianças para presidente da República

Eleições 2018 para presidente da República.

Eleições 2018 para presidente da República.

Presidenciáveis e partidos esticam a corda e vão utilizar os últimos dias permitidos pela lei eleitoral para fechar alianças e definir os candidatos a vice, prorrogando o clima de incertezas que permeia o quadro eleitoral de 2018.

Pré-candidato que conseguiu costurar o maior arco de alianças para a disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta quinta-feira que não tem pressa para a definição do vice e que tem até a convenção do partido, em 4 de agosto, para isso.

Mas o chamado blocão —formado por PP, DEM, PR, PRB e SD— já estava reunido para discutir o assunto nesta tarde quando houve o anúncio público de que o empresário Josué Gomes tinha recusado o convite para ser o companheiro de chapa do tucano.

Sem consenso para indicar um outro nome, os líderes do grupo decidiram designar o presidente do DEM e prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, para negociar com Alckmin a vaga.

Além dos cinco partidos do blocão, Alckmin também já tem acertado o apoio de PTB, PSD, PPS e PV. Segundo ACM Neto, as conversas irão incluir todos esses partidos.

Os demais presidenciáveis ainda não conseguiram selar alianças, o que tem restringido os nomes disponíveis na hora da escolha do candidato a vice.

A pré-candidata pela Rede, Marina Silva, no entanto, tem dito que o partido tem boa “prata da casa” e já citou o professor Ricardo Paes de Barros, um dos idealizadores do Bolsa Família, e do presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, como opções para a vaga de companheiro de chapa.

Mas a falta de alianças pode deixar a ex-senadora na difícil missão de enfrentar a disputa eleitoral com pouquíssimo espaço na TV e no rádio. Por isso mesmo, diz uma fonte próxima da pré-candidata, boa parte da campanha terá as redes sociais como foco.

Apostas do PSB

Formalizado candidato na convenção do PDT na semana passada, Ciro Gomes aposta quase todas suas fichas numa aliança com o PSB para não terminar isolado na disputa.

O PDT espera com apreensão uma decisão do PSB, mas os socialistas, que dariam uma resposta após uma reunião do diretório no dia 30, aumentaram o suspense ao cancelar o encontro e deixar a decisão para a convenção do partido em 5 de agosto, último dia permitido pela legislação.

Ciro já havia dito que seu perfil predileto para vice seria um empresário do sudeste do país e, se fechar o acordo com o PSB, a vaga deve ficar com o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda.

O PDT também tenta convencer o PCdoB a abrir mão da candidatura de Manuela D’Ávila e se associar a Ciro. Na falta do PSB, a vaga de vice poderia ser oferecida à deputada estadual gaúcha.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, explica que as negociações com o PCdoB são “delicadas” porque o partido tem candidata e seu partido não quer interferir no processo interno de decisão. Além disso, o PCdoB também é assediado pelo PT, que deseja manter o aliado de várias eleições presidenciais.

E a indefinição da situação do PT tem atrapalhado nas negociações do partido.

A liderança petista tem dito que vai registrar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas como ele foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá deve ter seu nome barrado pela Justiça eleitoral devido à Lei da Ficha Limpa.

Diante desse cenário, possíveis aliados, como PSB e PCdoB, pedem que o PT anuncie qual será o plano B do partido no caso do provável impedimento de Lula. Sem isso, as alianças não avançam. Isso inclui o PR, do empresário Josué Gomes, que além de ser cobiçado pelo blocão para vice de Alckmin também era desejado pelo ex-presidente para ser seu companheiro de chapa.

Com dessas dificuldades, o PT deve escolher entre seus filiados alguém para acompanhar Lula na chapa à Presidência —um nome que possa eventualmente substituí-lo se e quando a candidatura do ex-presidente for impugnada, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

“O PCdoB não desata, a conversa também não andou”, explica a fonte. “O nome vai vir do próprio PT, mas é o Lula que vai decidir”, disse, acrescentando que não há conversas internas ainda concretas sobre um nome porque o partido espera uma decisão de Lula.

Isolados

O oficializado candidato do PSL, deputado Jair Bolsonaro, também pode se ver sem alianças na disputa de outubro e sofreu reveses nas tentativas de definição de um vice.

De início, quando lançou sua prá-candidatura à Presidência, cortejava o senador Magno Malta (PR-ES), mas o parlamentar disse que pretende concorrer à reeleição para o Senado e seu partido, integrante do blocão, fechou com Alckmin.

Bolsonaro partiu então à procura de um novo nome, e o candidato chegou perto de anunciar o general da reserva do Exército Augusto Heleno, do PRP, como seu companheiro de chapa. Mas a cúpula do PRP considerou melhor investir em sua bancada federal e não embarcar na empreitada.

Outro nome cogitado foi o da advogada Janaína Paschoal que ficou nacionalmente conhecida por ter sido uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O “plano C” teria sido abandonado após discurso da advogada em tom moderado na convenção do partido levarem pessoas próximas a Bolsonaro a aconselharem a escolha de outro quadro.

Também isolado e sem conseguir atrair aliados tradicionais, que preferem distância do rejeitado governo do presidente Michel Temer, o MDB pode acabar tendo que compor uma chapa puro-sangue. O partido tem insistido em conversar com partidos maiores, como o PTB e o PRB, que já prometeram apoio a Alckmin, mas sem muita esperança de sucesso.

“Eles têm insistido em conversar, mas nós não vamos romper o acordo”, disse uma fonte de um dos partidos.

Sobram ao MDB negociações concretas com partidos menores, como o PMN, o PHS e o Pros, relatou uma fonte. Desses, apenas o Pros teria tamanho e opções para um candidato a vice, no caso, o ex-deputado Maurício Rands, que ocupa hoje uma secretaria na Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Ele é ex-PT, nordestino e não tem nenhum escândalo no currículo. Mas é tudo muito incipiente ainda”, disse a fonte.

É bem provável, no entanto, que o partido acabe escolhendo um vice de suas próprias hostes e que possa complementar o candidato Henrique Meirelles — um nome do Nordeste, por exemplo.

“Mas nem isso surgiu ainda”, confessa a fonte.

*Por Maria Carolina Marcello e Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito, da Agência Reuters.

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