Avós 2018 | Por João Baptista Herkenhoff

26 de julho é comemorado o 'Dia dos Avós'.

26 de julho é comemorado o ‘Dia dos Avós’.

Vinte e Seis de Julho é o Dia dos Avós.

A data foi escolhida para a celebração porque, no calendário litúrgico, é o Dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.

Se o transcurso da efeméride autoriza todo articulista a tratar da matéria, duplamente autorizado está o articulista avô.

Foi uma menininha, cujo nome é Lis, que me contemplou com o privilégio de ser Avô.

Ela é a única pessoa que tem o direito de virar meus arquivos de pernas para o ar, rabiscar nos livros da biblioteca, esconder meus óculos, interromper meu descanso para uma brincadeira.

Pode também mudar o canal para um programa infantil, quando estou vendo TV.

Dizem que avós deseducam quando procedem assim. Não concordo com esta tese. Os adultos comuns, adultos ordinários, estabelecem regras autoritárias de comportamento para as crianças.

Os avós, adultos especiais, adultos extraordinários, com muita sabedoria revogam essas determinações.

A netinha gosta de ouvir histórias e eu gosto de contar. Pede a repetição de algumas que lhe agradam de maneira especial. Reclama se eu esqueço algum detalhe ou não sou fiel ao relato que ela conhece muito bem.

O título de Avô é sumamente democrático. Podem ser avô o ministro, o embaixador, o industrial, o funcionário público, o comerciário, o gari.

Quando o netinho ou a netinha sorri, o avô, seja rei ou súdito, rico ou pobre, brasileiro ou portador de outra nacionalidade, desmancha-se de alegria.

No Dia dos Avós eu me lembro do meu Avô materno: Pedro Estellita Carneiro Lins.

Tive muita convivência com esse Avô. Ele gostava de escrever, publicou livros. Eu era seu datilógrafo. O tema principal de seus escritos era a defesa da Paz. Ele era um pacifista atuante.

Graças a seu exemplo, até hoje abomino a guerra.

Os avós não são importantes apenas no círculo da família. Exercem também um papel de relevo na sociedade. Transmitem às gerações seguintes a experiência que a vida proporcionou.

A experiência não é para ser guardada como bem individual. É patrimônio coletivo, como muito bem colocou o filósofo Alfred Whitehead.

A Bíblia aponta horizontes que merecem ser seguidos por crentes e não crentes. Na contramão do sistema diz que “o cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e obtém-se mediante uma vida justa.” (Provérbios 13, 31).

Até os pequenos gestos revelam a atitude respeitosa para com os idosos. Ceder o lugar ou a passagem ao idoso, mostrar-se disponível para ajudar nas mais comezinhas situações.

Tudo isso demonstra o nível de educação de uma sociedade.

Hoje algumas vozes têm o atrevimento, a insolência, a desfaçatez de advogar, de peito aberto e sem qualquer pudor, a redução dos direitos dos aposentados.

Os que se encontram na Terceira Idade deven resistir à fúria desses insensatos.

É livre a divulgação deste artigo através de qualquer meio ou veículo. É também livre a transmissão de pessoa para pessoa.

*João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado no Espírito Santo, professor e escritor.

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Sobre o autor

João Baptista Herkenhoff
João Baptista Herkenhoff possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito do Espírito Santo (1958) , mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1975) , pós-doutorado pela University of Wisconsin - Madison (1984) e pós-doutorado pela Universidade de Rouen (1992) . Atualmente é PROFESSOR ADJUNTO IV APOSENTADO da Universidade Federal do Espírito Santo.Contato:Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, Departamento de Direito. Avenida Fernando Ferrari, 514 | Goibeiras 29075-910 - Vitoria, ES - Brasil | Home-page: www.jbherkenhoff.com.br |E:mail: [email protected] | Telefone: (27)3335-2604