Triste Bahia ó quão dessemelhante | Por Sergio Jones

Vista aérea da Baía de Aratu, trecho do município de Salvador.

Vista aérea da Baía de Aratu, trecho do município de Salvador.

A Bahia de Todos os Santos já não é a mesma, o vapor de Cachoeira não navegava mais no mar, os atabaques dos iluminados e coloridos terreiros de outrora, já não se faz ouvir, estão surdos. Não és mais a Bahia dos cantos e desencantos, do sincretismo religioso. Menos ainda abençoada por Santos e Orixás. Hoje, estampa uma pálida e nostálgica caricatura de um passado eivado de glória e encantamentos.

Conforme estudos realizados recentemente pelo Instituto de Pesquisas Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FABSP), estes deixaram transparecerem uma triste realidade, na qual as estatísticas apontam que a violência se instalou por todo o pais. Com a complacência criminosa do poder público e de seus “representantes”.

Entre as capitais, Belém assumiu o título de mais violenta de 2016, com uma taxa média de 76,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Atlas da Violência de 2015, a capital paraense era a quarta mais perigosa, com 61,8 homicídios/100 mil moradores. Nesta edição do relatório, Belém é seguida por Aracaju (73 homicídios/100 mil habitantes); Natal (62,7 homicídios/100 mil habitantes); Rio Branco (62,6 homicídios/100 mil habitantes) e Salvador (57,8 homicídios/100 mil habitantes).

Juntos, os municípios representam apenas 2,2% do total de cidades brasileiras. Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país. Fato que, para os pesquisadores, indica a migração da criminalidade para cidades menores, processo que vem sendo observado por especialistas desde meados dos anos 2000.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, as com maior grau de virulência se concentram nas regiões mais pobres e menos favorecidas do país, o Norte e Nordeste. No entanto, o ranking dos 309 municípios com maior taxa de mortalidade é encabeçado por Queimados, no Rio de Janeiro, com 134,9 homicídios por grupo de 100 mil pessoas.

As quatro cidades seguintes com os maiores índices de letalidade ficam na Bahia. Com uma taxa de 124,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Eunápolis está entre as mais violentas. Em seguida vem Simões Filho (107,7 homicídios/100 mil habitantes); Porto Seguro (101,7 homicídios/100 mil habitantes) e Lauro de Freitas, com 99,2 homicídios/100 mil habitantes.

Já a relação das cidades com a menor taxa média de homicídios em 2016 começa com Brusque (SC), onde foi registrada uma taxa média de 4,8 homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida ficaram Atibaia (SP) (5,1); Jaraguá do Sul (SC) (5,4); Tatuí (SP) (5,9) e Varginha (SP) (6,7).

Diante deste quadro de horrores e barbarismo civilizatório o governo brasileiro continua impotente em cumprir com as suas obrigações junto aos segmentos menos favorecidos da sociedade. Em contrapartida, prospera a perversa concentração de renda na mão de poucos. Desvio de modelo econômico capitalista que é agravado pelos sucessivos escândalos de corrupção, associado com a impunidade. O que coloca Brasil, no topo do ranking, como um dos países mais corruptos do mundo.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista ([email protected]).

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