Marcha no Subúrbio marca Dia de Luta contra o Encarceramento da Juventude Negra em Salvador

Cartaz anuncia 'Macha Incomode', com a finalidade de protestar contra a violência de afrodescendentes.

Cartaz anuncia ‘Macha Incomode’, com a finalidade de protestar contra a violência de afrodescendentes.

Lembrando o encarceramento do jovem Rafael Braga, preso em 20 de junho de 2013, por carregar em sua mochila, durante uma manifestação, uma garrafa de detergente Pinho Sol, o vereador Hilton Coelho (PSOL) apresentou, a Câmara de Salvador aprovou e o Executivo sancionou um projeto de lei propondo a criação do Dia de Luta Contra o Encarceramento da Juventude Negra.

O evento deve ser comemorado anualmente no dia 20 de junho, passando a fazer parte do Calendário Oficial de Eventos do Município. “Em Salvador, cidade de maioria populacional negra e jovem, justamente a faixa populacional onde o hiperencarceramento vem incidindo, é indispensável promover o debate sobre esta situação. Tal projeto de lei agora aprovado é uma forma de ano a ano, refletirmos sobre essa realidade e lutarmos para modificá-la”, afirma Hilton Coelho.

Uma atividade de grande porte está prevista para a próxima quarta-feira, 20, no Subúrbio Ferroviário. A Marcha Incomode: contra o Extermínio, o Feminicídio e o Hiperencarceramento da Juventude Negra marca o encerramento de uma série de eventos na capital baiana. Para chamar atenção da população e do poder público para essa grave questão acontece, a partir das 15 horas, a Marcha. Os participantes sairão da Praça do Lobato, próxima à Cesta do Povo, em direção ao Parque São Bartolomeu.

“Além da seletividade etária e racial que orienta o encarceramento em massa no Brasil, os dados trazidos contribuem para evidenciar o que a literatura especializada vem chamando de hiperencarceramento ou encarceramento em massa. Na Bahia a situação não é diferente. Jovens negros, em sua maioria, são presos provisórios, aqueles que ainda aguardam julgamento. É preciso uma grande reflexão da sociedade a respeito”, finaliza Hilton Coelho.

Dados

Divulgado no início deste mês, o Atlas da Violência 2018 aponta que 33.590 jovens foram assassinados em 2016 no Brasil, sendo 94,6% do sexo masculino.  Além da idade, o estudo mostra que a violência no Brasil tem cor. A taxa de homicídios de pessoas negras cresceu 23,1% entre 2006 e 2016. No mesmo período, este indicador registrou uma redução de 6,8% entre não negros. A pesquisa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Produzido pela Secretaria Nacional de Juventude, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017 (ano base 2015) mostra que o risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é 2,7 vezes maior que o de um jovem branco. O estudo aponta ainda que a violência atinge especialmente garotos negros, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.

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