Eleições 2018: Pesquisa Datafolha demonstra liderança de Lula para presidente da República

Página 16 da Pesquisa Datafolha de intenção de voto para presidente da República, realizada nos dias 6 e 7 de junho de 2018.

Página 16 da Pesquisa Datafolha de intenção de voto para presidente da República, realizada nos dias 6 e 7 de junho de 2018.

Preso há dois meses, o ex-presidente Lula (PT) mantém o índice mais alto de intenção de voto para a disputa da Presidência da República entre os pré-candidatos com nomes colocados para a disputa. Sem o petista, Jair Bolsonaro (PSL) lidera, tendo Marina Silva (Rede) como principal adversária. O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), fica atrás da candidata da Rede e empata com Geraldo Alckmin (PSDB) nos cenários em que há petistas na disputa, embora leve vantagem numérica sobre o tucano quando também tem como adversários Fernando Haddad e Jaques Wagner. O ex-prefeito de São Paulo e o ex-governador da Bahia estão distantes do patamar de intenção de votos de Lula e não ultrapassam 1% de preferência do eleitorado.

Com 30% no único cenário em que seu nome é testado, Lula fica à frente de Jair Bolsonaro, que tem 17%, e de Marina Silva, que tem 10%. Tanto Geraldo Alckmin quanto Ciro Gomes são indicados por 6%, e na sequência aparecem Alvaro Dias (Podemos), com 4%, e Manuela D’Ávila (PCdoB), Fernando Collor (PTC), Henrique Meirelles (PMDB), Rodrigo Maia (DEM), João Goulart Filhos PPL) e Flávio Rocha (PRB), cada um deles com 1% das intenções de voto. Também incluídos na consulta, Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo), Guilherme Afif Domingos (PSD), Aldo Rebelo (SDD), Levy Fidelix (PRTB) e Paulo Rabello de Castro (PSC) foram citados mas não atingiram 1%. Uma fatia de 17% votaria em branco ou nulo, e 4% não opinaram.

Com o petista fora da corrida presidencial e Haddad como candidato do PT, Bolsonaro (19%) lidera, e Marina (15%) surge em patamar próximo. Na sequência surgem Ciro (10%), Alckmin (7%), Dias (4%), Manuela (2%), Maia (2%) e Haddad, Meirelles, Collor, Rocha, Alencar, Fidelix, Amôedo e Boulos, cada um deles com 1%. Os demais foram citados mas não atingiram 1%, uma fatia de 28% declarou voto em branco ou nulo, e 5% preferiram não opinar sobre oesse cenário.

Nesse cenário, Bolsonaro lidera com folga entre os homens (26%, ante 12% de Marina, 12% de Ciro, 7% de Alckmin e 5% de Dias), na faixa dos mais jovens, de 16 a 24 anos (26%, ante 16% de Marina, 5% de Ciro e 5% de Alckmin) e também na posterior, de 24 a 35 anos (28%, ante 17% de Marina, 8% de Ciro e 7% de Alckmin).

O presidenciável do PSL também se destaca entre os eleitores com curso superior (25%, contra 12% da ex-senadora da Rede, 12% de Ciro, 6% do ex-governador de São Paulo, 4% de Alvaro Dias, 3% de Haddad e 3% de Boulos), mas é nas camadas mais ricas do eleitorado que a preferência por seu nome dispara: tem 13% entre os mais pobres, na faixa de renda familiar de até 2 salários por mês, ante 17% de Marina, 9% de Ciro e 6% de Alckmin. Na faixa de renda de 2 a 5 salários, Bolsonaro sobe para 23%, já à frente de Marina (13%), Ciro (9%) e Alckmin (8%). Entre quem tem renda entre 5 e 10 salários, a distância de Bolsonaro (29%) para Marina (11%), Ciro (17%) e Alckmin (5%) e Dias (7%) é ampliada. Por fim, entre os mais ricos, com renda superior a 10 salários, ele alcança (34%), percentual próximo da soma dos índices de Marina (3%), Ciro (14%), Alckmin (10%) e Dias (9%), seus adversários mais próximos. Ainda na faixa dos mais ricos, 7% votariam em Haddad, melhor índice do petista por segmento de renda, ao contrário de Lula, que pontua melhor entre os mais pobres quando seu nome aparece entre os postulantes à Presidência.

Ainda sob o mesmo cenário, a disputa regional mostra o pré-candidato do PSL em vantagem no Centro-Oeste (26%, ante 17% de Marina, 7% de Ciro e 5% de Alckmin) e na região Sul (22%, ante 14% de Alvaro Dias, 9% de Marina, 8% de Ciro e 5% de Alckmin). No Nordeste, a ex-senadora da Rede tem 17%, contra 13% de Ciro, 12% do deputado do PSL e 2% de Alckmin. O tucano tem 11% no Sudeste, maior eleitorado do país, empatado com Ciro (9%) e Marina (14%), e atrás de Bolsonaro (20%). Na região Norte, a ex-senadora pelo Acre lidera (19%) ao lado de Bolsonaro (22%), ambos à frente de Ciro (10%) e do ex-governador de São Paulo (5%).Entre eleitores de Lula no cenário em que seu nome é testado, 17% preferem Marina e 13% optam por Ciro quando o petista é substituído por Haddad. O ex-prefeito de São Paulo é apontado, neste momento, por somente 2% do eleitorado de seu correligionário, percentual menor do que os que, sem Lula, migram seu voto para Jair Bolsonaro (6%). Parte substancial (40%) das intenções de voto no ex-presidente opta pelo voto em branco ou nulo na sua ausência da eleição.

A substituição de Haddad por Jaques Wagner como nome do PT para disputa presidencial não altera significativamente a disputa: Bolsonaro (19%) lidera, e em segundo lugar surge Marina Silva (14%). Eles são seguidos por Ciro (10%), Alckmin (7%), Dias (4%). Manuela (2%) e Maia (2%), com os demais aparecendo com 1% ou menos. Brancos e nulos, neste cenário, somam 28%, e há 5% que preferiram não opinar.

Em outro cenário testado, sem candidaturas do PT, Bolsonaro tem 19%, e Marina aparece com 15%. A seguir aparecem Ciro (11%), Alckmin (7%), Dias (4%) e Manuela (2%), entre outros com 1% o menos. A parcela de brancos ou nulos, nesta simulação, é de 28%, e é de 6% a taxa de eleitores que preferiram não opinar sobre a disputa.

Na intenção de voto espontânea, quando os nomes dos potenciais candidatos não são apresentados aos eleitores, 12% citam Bolsonaro como nome já escolhido para a eleição presidencial, no mesmo patamar dos que mencionam Lula (10%). Também foram citados Ciro (2%), Alckmin (1%), Marina (1%) e Alvaro Dias (1%), entre outros que não atingiram 1%. Uma fatia de 23% declarou que irá votar em branco ou nulo, e 46% não souberam apontar sua opção de voto para disputa presidencial.

A comparação com levantamentos anteriores mostra que a intenção de voto espontânea em Lula vem caindo: ele tinha 18% em setembro do ano passado, oscilou para 17% em consultas feitas em novembro e janeiro, caiu para 13% em abril, após sua prisão, e agora tem 10%. No mesmo período, Bolsonaro passou de 9% para 12%, sendo que no último levantamento, de abril, ele tinha 11%. Entre os homens, Bolsonaro tem 18% da preferência espontânea. O índice do pré-candidato do PSL também fica acima da média entre os mais jovens (17% na faixa de 16 a 24 anos e 17% entre quem tem de 24 a 35 anos), na parcela mais escolarizada (19%), no eleitorado com renda mais alta (21% entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários e 25% na faixa acima de 10 salários) e no Centro Oeste (18%).

A rejeição aos presidenciáveis também foi alvo de consulta, e dois ex-presidentes lideram a lista: 39% declaram que não votariam de jeito nenhum em Fernando Collor, que é seguido por Lula, rejeitado por 36%. Na sequência aparece Bolsonaro, em quem 32% não votariam, e depois Alckmin (27%), Marina (24%), Ciro (23%), Maia (20%), Meirelles (17%), Haddad (16%), Fidelix (16%), Alencar (13%), Wagner (12%), Dias (12%), Rebelo (11%), Manuela (11%), Boulos (11%), Rocha (11%), Rabello de Castro (11%), Goulart Filho (10%), Amoêdo (10%) e Afif (10%). Há ainda 6% que rejeitam todos, 3% que votariam em qualquer um, e 4% que não opinaram sobre o tema.

Bolsonaro é mais rejeitado em alguns segmentos em que consegue intenção de voto mais alta, como entre os mais jovens (44% dos que têm de 16 a 24 anos não votariam de jeito nenhum no nome do PSL), na fatia dos mais escolarizados (40%) e na faixa de renda de 5 a 10 salários de renda familiar (37%). Ou seja, nesses segmentos há uma polarização mais acentuada em torno do nome do deputado do PSL.

No 2º turno, Lula e Marina são nomes mais fortes

Nas simulações de segundo turno realizadas pelo Datafolha, o ex-presidente Lula se manteve à frente nas situações nas quais seu nome foi apresentado aos eleitores. Diante de Alckmin, o ex-presidente tem 49% das intenções de voto, e o ex-governador de São Paulo, 27%. Votariam em branco ou nulo 22%, e 1% não opinou. O mesmo cenário em abril trazia Lula com 48%, ante 27% de Alckmin. Votos em branco ou nulo somavam 23%.

A disputa contra Marina também mostra estabilidade: petista é o preferido de 46%, e 31% optariam pela ex-senadora da Rede. Há ainda 21% que votariam em branco ou nulo, e 1% que não opinou. Na última pesquisa, o ex-presidente tinha 46%, Marina aparecia com 32%, e 21% votariam em branco ou nulo.

No embate entre Lula e Bolsonaro, 49% preferem o ex-presidente, e 32%, o deputado federal. Os votos em branco ou nulo neste cenário somam 17%, e 1% não respondeu. Em abril, o petista tinha 48%, ante 31% do adversário, além de 19% optariam por branco ou nulo.

Candidata nas duas últimas eleições presidenciais, Marina venceria Alckmin, Ciro e Bolsonaro, tendo este último como o adversário mais competitivo neste momento. Se o 2º turno fosse disputado entre Marina e o deputado do PSL, a ex-senadora do Acre teria 42% das intenções de voto, ante 32% de Bolsonaro. Votariam em branco ou nulo 24%, e 2% não opinaram. Na comparação com abril, Marina oscilou negativamente (tinha 44%), e Bolsonaro, positivamente.

A simulação de 2º turno entre Marina e Alckmin mostra vantagem da ex-senadora (42%) sobre o presidenciável do PSDB (27%). Há ainda 29% que optariam por votar em branco ou nulo, e há 2% que não opinaram. No levantamento anterior, ela tinha 44%, e o tucano, 27%.

Contra Ciro, Marina teria 41%, ante 29% do ex-governador do Ceará. Uma fatia de 28% votaria em branco ou nulo, e 2% não opinaram. Em relação a abril, a vantagem da presidenciável da Rede sobre Ciro caiu de 26 para 12 pontos. À época, Marina aparecia com 50%, e o pedetista, com 24%.

Em uma disputa entre Ciro e Alckmin, há empate (32% a 31%, respectivamente), e 34% votariam em branco ou nulo, além de 3% que preferiram não opinar. No levantamento anterior, ambos tinham 32%.

Na disputa entre Alckmin e Bolsonaro, há empate, com 33% para cada um deles. Uma parcela de 32% preferiria anular ou votar em branco, e 3% não opinaram. Na pesquisa de abril, o tucano tinha 33%, ante 32% do adversário.

O confronto direto entre Ciro e Bolsonaro mostra um empate, com vantagem numérica para o ex-governador (36% a 34%). Há ainda 28% que votariam em branco ou nulo, e 3% sem opinião. No levantamento anterior, ambos tinham 35% das intenções de voto.

Alternativa a Lula como candidato do PT, Fernando Haddad foi testado em três cenários, e fica atrás em todos eles.

Contra Bolsonaro, o ex-prefeito de São Paulo tem 27%, ante 36% do adversário. Nesta disputa, 34% votariam em branco ou anulariam, e 3% preferiram não opinar. Em abril, o petista aparecia com 26%, ante 37% do adversário.

Quando o adversário de Haddad é Alckmin, o tucano lidera com 36%, e o petista fica com 20% das intenções de voto. Uma fatia de 40% votaria em branco ou nulo, e 4% não opinaram. Em abril, o ex-governador de São Paulo tinha 37%, e o ex-prefeito da capital paulista, 21%.

A disputa direta entre Haddad e Ciro mostra o pedetista com o dobro das intenções de voto do petista (38% a 19%), com 38% optando pelo voto branco ou nulo, e 4% se abstendo de opinar.

Peso do apoio de lula segue estável

O peso do apoio de Lula a um candidato na disputa pela Presidência ficou estável desde abril: 30% votariam com certeza em um nome apoiado pelo petista, e 17% talvez votariam. A fatia dos que não votariam é de 51%, e 2% não opinaram. Há dois meses, 30% certamente seguiriam a indicação do petista, e 16% talvez seguissem. Na região Nordeste, 48% certamente escolheriam o candidato de Lula para a Presidência, e na região Norte, 39%. Entre os mais pobres, com renda familiar de até 2 salários, o índice de preferência por um nome apoiado pelo ex-presidente também é de 38%. Na fatia dos que escolhem Lula no único cenário eleitoral em que seu nome é apresentado, 62% apontam que seguiriam sua indicação para outra candidatura à Presidência. Nesse mesmo cenário, 23% dos eleitores de Marina também declaram votar em alguém apoiado pelo petista; entre eleitores de Ciro, o índice chega a 33%.

Também foram testados o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do atual presidente, Michel Temer (MDB), a candidatos a presidente na próxima eleição. O grau de prestígio do tucano também ficou estável na comparação com abril – 65% não votariam em um nome que tivessem seu apoio, e os demais votariam com certeza (10%), talvez votariam (22%) ou não opinaram.

No caso de Temer, a rejeição a seu apoio, que já era o mais alto entre os consultados, aumentou: em abril, 86% rejeitavam votar em um candidato apoiado pelo atual presidente, índice que agora é de 92%. No mesmo período, caiu de 9% para 5% a taxa dos que talvez optassem por um nome que tivesse o apoio do emedebista, e oscilou de 3% para 2% a dos que com certeza escolheriam esse candidato. Há ainda 2% que não opinaram sobre o apoio de Temer.

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