Uma irmandade a serviço do bem | Por Luiz Holanda

Artigo aborda atuação das Santa Casas na Bahia.

Artigo aborda atuação das Santa Casas na Bahia.

Poder-se-ia dizer que as Santas Casas nasceram para fazer misericórdia, palavra de origem latina (“misere” e “cordis”) que significa doar seu coração a alguém. Em sentido amplo, esse alguém representa todos aqueles que sentem dificuldades para superar as necessidades que a vida exige, notadamente os menos afortunados.

A primeira Santa Casa foi criada em 15 de agosto de 1498, em Lisboa, pela rainha Leonor de Lancastre, esposa de D. João II, originando a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia. Seus dois grandes princípios básicos – a fraternidade e a solidariedade-, visavam atender os enfermos e os necessitados de Portugal, à época em profunda crise humanitária.

De lá para a Ásia e, depois, para a África foi um pulo. Logo em seguida vieram para as Américas, em especial para o Brasil. Aqui, as primeiras Santas Casas surgiram logo após o seu descobrimento, precedendo nossa própria organização jurídica como Estado. Por ocasião do surgimento de nossa Constituição Imperial, em 25 de março de 1824, algumas já haviam sido fundadas, inclusive a Santa Casa da Bahia, dedicada ao atendimento das crianças necessitadas, dos enfermos e ao amparo da velhice.

As Santas Casas foram o prenúncio da assistência social dos estados, sendo que, no Brasil, no campo da educação, foram responsáveis pelos primeiros cursos de Medicina e Enfermagem, como é o caso da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Vitória. Atualmente, as Santas Casas são responsáveis pelo maior número de residências médicas, prestando reconhecidos serviços aos profissionais dessa área.

Tomé de Souza é considerado o seu fundador, incorporando os mesmos ideais e a mesma filosofia de suas similares em Lisboa. Desde sua origem as Santas Casas foram mantidas pelas doações das comunidades. Se hoje possuem um patrimônio digno de sua importância, deve-se ao trabalho de homens e mulheres abnegadas dos compromissados em fazer o bem a todos que dele necessitem.

O compromisso da Misericórdia estabelecia que os provedores fossem “homens de autoridade, prudência, virtude, reputação e idade”. Em suas origens, os cargos mais importantes eram ocupados por nobres, políticos influentes ou comerciantes de grande porte.

Daí o acúmulo, pelos governadores gerais, do cargo de provedor, a exemplo de Mem de Sá, Diogo Luís de Oliveira e outros, até que alguns médicos viessem a assumir os cargos de provedores e mordomos das Santas Casas. Na Bahia, o cirurgião José Soares de Castro chegou a ser eleito provedor.

De igual modo, os que ocupariam os cargos mais importantes da entidade deveriam ser pessoas de classe social elevada. Hoje, seus provedores são escolhidos pela capacidade, liderança, abnegação e espírito público.

Na Bahia, o provedor da Santa Casa é o competente administrador Roberto Sá Menezes, que recebeu o prêmio dos “100 Mais Influentes da Saúde 2018” durante cerimônia no Centro de Eventos Pro Mago, em São Paulo. O evento fez parte da South American Healthcare Exhibition (SAHE), feira de negócios de saúde.

Segundo Menezes, o pessoal da Santa Casa trabalha todos os dias para melhorar a vida e a saúde de muitos baianos, independentemente de prêmios. “Ser reconhecido por este empenho é motivo de orgulho para toda a equipe e a certeza de que estamos no caminho certo”.

O provedor foi eleito na categoria Gestor de Saúde pelo trabalho de destaque que realiza à frente da instituição. O prêmio é concedido aos mais votados através de uma enquete realizada no site do Grupo Mídia, além de uma análise de mercado feita pelo Conselho Editorial da empresa.

Agradecendo a honraria, o provedor assim se expressou: “Acho que é o reconhecimento de toda a equipe, de todos nossos colaboradores. Temos trabalhado buscando sempre a excelência e a satisfação dos nossos pacientes, seguindo nessa direção – o que é importante, principalmente em um momento de crise em que nós estamos vivendo”.

A justa homenagem espelha, também, o reconhecimento dos baianos por essa instituição, reconhecida mundialmente como uma irmandade do bem.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]