Maior perda salarial em 20 anos faz professores pararem universidades estaduais da Bahia, anuncia movimento dos professores da UNEB, UESB e UESC

Movimento dos professores da UNEB, UESB e UESC promove protesto. UNEB, UESB E UESC fecharão os portões. Em Salvador um ato público acontecerá na Praça da Piedade, às 9h da manhã de quinta-feira (26/04/2018).

Movimento dos professores da UNEB, UESB e UESC promove protesto. UNEB, UESB E UESC fecharão os portões. Em Salvador um ato público acontecerá na Praça da Piedade, às 9h da manhã de quinta-feira (26/04/2018).

A maior perda salarial dos últimos 20 anos, quase mil professores com direitos trabalhistas negados de promoção, progressão e alteração de regime de trabalho, déficit de docentes e pauta de negociação ignorada. Esses são só alguns dos problemas que farão com que a categoria docente das quatro Universidades Estaduais Baianas (UEBA) realizem, nesta quarta-feira (25/04/2018), um dia estadual de protestos e paralisações. Em Salvador, além da UNEB ficar com os portões fechados por um dia, um ato público acontecerá, às 9h, na Praça da Piedade. As outras 23 instalações da UNEB, localizadas no interior, também fecharão as portas devido ao descaso do governo estadual. A decisão foi aprovada em assembleia geral no último dia 10 de abril, anunciou movimento dos professores da UNEB, UESB e UESC.

Reivindicações, segundo a organização do movimento:

— Os protestos são construídos em unidade pelos professores das quatro Ueba. Além da Uneb, Uesb e Uesc também estarão paralisadas. Na Uefs a assembleia não pôde ser realizada por falta de quórum, mas a diretoria do sindicato dos docentes também convocou os professores para o ato público na capital baiana. Segundo a Associação dos Docentes da Uneb (ADUNEB), a expectativa é a realização de uma manifestação com o apoio também de estudantes e servidores técnicos. Ônibus e vans trarão a comunidade acadêmica de várias regiões do estado até a capital.

Perdas salariais

— Os cálculos que comprovam que o período do governo Rui Costa é o pior dos últimos 20 anos, em relação às perdas salariais do funcionalismo público, são do Dieese. O problema surge como resultado da recusa do governo estadual em pagar, nos últimos três anos, a recomposição da inflação. Ainda de acordo com os dados do Dieese, a perda no bolso do trabalhador, provocada pela inflação do último triênio, é de 21,1%. Isso significa na prática que a cada R$ 100, o professor só tem a sua disposição R$ 78,9. Segundo análise do Fórum das Associações Docentes das Ueba, considerando a renda anual dos professores das universidades estaduais baianas, isso significa uma perda acumulada de, pelo menos, três meses de salário desde 2015.

Direitos trabalhistas

— Outro grave problema que tem indignado a categoria docente é o desrespeito do governo com o pagamento dos direitos trabalhistas dos professores. O número atualizado de docentes das Ueba com processos travados na fila de promoção, progressão e mudança de regime de trabalho saltou para 957. Nas quatro universidades estaduais estão parados 472 promoções, 284 progressões e 201 alterações de regime. Apenas na Uneb são 491 prejudicados, com seus direitos negados pelo Estado, sendo 269 promoções, 76 progressões e 146 mudanças de regime de trabalho. Os dados da Uneb são da Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas.

Negociação ignorada

— A pauta de reivindicações de 2018 da categoria docente foi protocolada, em 18 de dezembro do ano passado, junto à Governadoria e secretarias estaduais da Educação (SEC), da Administração (Saeb) e das Relações Institucionais (Serin). De maneira responsável, na tentativa de diálogo e de soluções para os problemas acumulados, as representações do Movimento Docente novamente protocolaram o documento com a solicitação da abertura das negociações, em 20 de março. No mesmo dia os professores também estiveram na Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos, para requisitar uma audiência pública, afim de debater os desafios do ensino superior público no estado. Até o momento, o governador estadual e seus representantes ignoram os problemas da categoria docente e das Ueba.

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