Um almirante baiano | Por Baltazar Miranda Saraiva

O Comandante do 2º Distrito Naval, almirante Almir Garnier Santos e o deputado Ângelo Coronel, presidente do Poder Legislativo da Bahia, durante encontro na Assembleia Legislativa da Bahia.

O Comandante do 2º Distrito Naval, almirante Almir Garnier Santos e o deputado Ângelo Coronel, presidente do Poder Legislativo da Bahia, durante encontro na Assembleia Legislativa da Bahia.

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em boa hora, resolveu conceder ao Vice-Almirante Almir Garnier Santos, Comandante do 2º Distrito Naval, o título de Cidadão Baiano. A proposta, de autoria do deputado Ângelo Almeida (PSB), foi apresentada através de projeto de resolução com este objetivo, sendo aprovada por unanimidade.

Almir Garnier Santos nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1960, e possui uma longa tradição na Marinha. Nela ingressou com apenas dez anos de idade, como aluno do Curso de Formação de Operários da extinta Escola Industrial Comandante Zenethilde Magno de Carvalho. De lá foi para a Escola Técnica do Arsenal de Marinha, onde graduou-se técnico em estruturas navais., em primeiro lugar.

Em seguida fez a famosa viagem de instrução a bordo do Navio Escola “Custódio de Melo”, em 1982, sendo promovido a Segundo Tenente, vindo a servir na Fragata “Independência”, como Ajudante de Divisão de Operações.

Promovido a Primeiro-Tenente em 1985, ingressou no Centro de Instrução “Almirante Wandenkolk” para fazer o Curso de Aperfeiçoamento em Eletrônica para Oficiais, no Rio de Janeiro, tendo se destacado no primeiro lugar. Entre os anos de 1981 e 1991, o então Tenente Garnier desenvolveu suas habilidades operativas servindo a bordo dos navios mais modernos da Esquadra brasileira à época: a Fragata Independência, a Fragata União e o Navio-Escola Brasil, onde ocupou os cargos de Chefe do Departamento de Operações, de Instrutor de Operações de Guardas-Marinhas, de Encarregado da Manutenção do Material Eletrônico e de Oficial de Defesa Aérea e Guerra Eletrônica.

Em 1991, como Capitão-Tenente, foi designado para realizar o Curso de Mestrado em Pesquisa Operacional e Análise de Sistemas, em Monterey, CA EUA. Após a conclusão do Mestrado, serviu em funções técnicas por cerca de dez anos, quando gerenciou equipes de projeto de alto desempenho, desenvolvendo projetos de otimização de recursos logísticos, de emprego de Poder Naval e de jogos para treinamento de Guerra Naval.

O então Capitão de Corveta Almir Garnier concluiu o Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores em 1998, quando também obteve a primeira colocação. Possui ainda o curso de Master of Business Administration (MBA) em Gestão Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPEAD (2008) e o Curso de Política e Estratégia Marítima da Escola de Guerra Naval, concluído com menção honrosa, em 2008.

Em 31 de março de 2010 foi promovido ao posto de Contra-Almirante e em 31 de março de 2014 ao posto de Vice-Almirante. Comandou o navio de apoio logístico “Almirante Gastão Motta”, o Centro de Apoio a Sistemas Operativos e o Centro de Análises de Sistemas Navais.

O então Contra-Almirante Almir Garnier foi o 65º Diretor da Escola de Guerra Naval, assumindo a direção em 04/04/2013, passando-a em 28/04/2014, já na condição de Vice-almirante, por ocasião do centenário da referida Escola, oportunidade em que apresentou a edição histórica da “Revista Comemorativa do Centenário”, cuja ideia “foi resgatar e registrar parte da trajetória desta instituição, na qual muitas gerações de oficiais de nossa Marinha tiveram seus conhecimentos aprimorados e ampliados”.

A Escola de Guerra Naval é uma instituição de altos estudos militares, que tem o propósito de contribuir para a capacitação dos oficiais no desempenho de comissões operativas e administrativas; assim como no exercício de cargos de comando, chefia, direção e funções em estado-maior e nos altos escalões da Marinha, abrangendo toda a vida profissional do oficial, a partir do posto de Capitão-Tenente. O último, o Curso de Politica e Estratégia Marítimas – C-PEM, é realizado por Capitães-de-Mar-e-Guerra e constitui requisito para promoção a Oficial General.

O lema da escola é Navale Bellvm Navtis Docere – “Ensinar a Guerra aos Marinheiros”.

A Escola foi inaugurada em 11 de junho de 1914, tendo sido o seu primeiro Diretor o Contra-Almirante Antonio Coutinho Gomes Pereira.

Antes de assumir o Comando do 2° Distrito Naval, atuou por cerca de dois anos e meio como assessor especial militar do Ministro da Defesa, tendo servido aos Ministros Celso Amorim, Jaques Wagner, Aldo Rebelo e Raul Jungmann.

É coautor de dois livros na área de gestão de logística e da cadeia de suprimentos. Atuou como palestrante convidado de logística e gerenciamento de projetos, por mais de doze anos, nos programas de graduação e de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas.

Foi agraciado com a Medalha Mérito Marinheiro (duas âncoras) e com vários prêmios e condecorações, incluindo a Medalha Ordem do Mérito da Defesa (Grande Oficial); a Medalha Ordem do Mérito Naval (Grande Oficial); a Medalha Ordem do Mérito Militar (Comendador); a Medalha Ordem do Mérito Aeronáutico (Comendador); a Medalha Militar e Passador de Ouro, além da Medalha Mérito Tamandaré; a Medalha-Prêmio Escola de Guerra Naval e a Medalha-Prêmio Conde de Anadia, entre outras Medalhas-Prêmios concedidas por Marinhas amigas.

Por ocasião da outorga da Medalha Thomé de Souza que lhe foi outorgada pela Câmara de Vereadores de nossa capital, escrevi que o homenageado era marinheiro por amor e convicção, tendo escolhido a vida militar por considerar as Forças Armados do Brasil as instituições mais democráticas do país.

Sua vasta experiência em comando é coordenada com a sua habilidade no trato social, atuando como um verdadeiro gentleman, próprio de sua natural grandeza. E agora que recebe o título de cidadão baiano, pode dizer, como Caetano Veloso, que é marinheiro, da Bahia e de São Salvador.

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Revista comemorativa do centenário da Escola de Guerra Naval

*Baltazar Miranda Saraiva é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), presidente da 5ª Câmara Cível do TJBA, e membro da Comissão de Igualdade do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, do Conselho da Magistratura do TJBA, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), da Sociedade Amigos da Marinha (SOAMAR), além de vice-presidente Social, Cultural e Esportivo da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES).

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