O dia em que um boi tentou entrar no prédio da Prefeitura de Feira de Santana | Por Adilson Simas

Paço Maria Quitéria, sede da Prefeitura Municipal de Feira de Santana.

Paço Maria Quitéria, sede da Prefeitura Municipal de Feira de Santana.

Aluno, professor e diretor do extinto Colégio Santanópolis, concebido pelo pai Áureo de Oliveira Filho na primeira metade do século passado, em 1933 e extinto em 1984, o professor Evandro Oliveira é um estudioso da vida feirense. Como poucos sabe de casos e ‘causos’ ocorridos nesta gleba de Padre Ovídio de São Boaventura. Vale a pena lembrar seu relato sobre o boi que tentou, pelas escadarias, chegar ao andar superior do Paço Municipal.

Boi tenta entrar na Prefeitura

A Praça do Nordestino, fim da Avenida Senhor dos Passos, onde era localizada a segunda feira de gado bovino de Feira de Santana até 1943, não tinha Currais de contenção das boiadas e sim algumas varas, e em muitos casos nem varas existiam.

Nessa época a cidade já tinha se expandido e como a Avenida Senhor dos Passos era um dos caminhos de acesso a estrada do sertão, migrou mais rapidamente para este setor.

Decorrente dessa situação foi criado um corredor que atingia a feira livre nas praças da Bandeira e João Pedreira, mais a Rua Marechal Deodoro e adjacências. De vez em quando algumas reses desgarradas corriam para o centro da cidade.

Era um Deus nos acuda, bois e vaqueiros em disparada invadiam a feira livre, o povo em correria, estragando as mercadorias, machucando pessoas. Um pandemônio.

Era criança quando contaram que um boi acuado tentou entrar em nossa casa, caindo na escadaria que dava acesso ao corredor.

Morava na esquina da Rua Marechal Deodoro com o beco que dava para Avenida Senhor dos Passos. Hoje não existe mais o casarão e o beco atualmente é um calçadão.

Mas um caso de estouro de boiada que ficou marcado na cidade por algumas características, mereceu uma atenção especial.

Em uma segunda-feira, algumas reses escaparam dos vaqueiros e parte delas correu em direção do centro da cidade pela Avenida Senhor dos Passos, gritaria dos vaqueiros, o povo apavorado entrando nas casas abertas, outras espantando os animais com gritos, uma zorra total.

Um dos bois atarantado, procurando uma brecha para escapulir chegou à porta da Prefeitura Municipal, chegando subir as escadas do passeio entrando até a bela escada de madeira.

(Esta escada tem características, que vale a pena discorrer. Foi feita na Europa e montada em Feira de Santana. É toda de encaixe, não tem pregos nem parafusos).

O boi não subiu ao andar de cima, pois quando tentava escorregou, caiu e os vaqueiros laçaram e trouxeram de volta à Praça do Nordestino. A única vítima registrada foi de um heroico funcionário defensor do Paço Público Municipal. Seu Moreira, como era conhecido, quebrou o braço na tentativa de barrar o boi enlouquecido.

Como todas as questões se transformam em política partidária em nossas plagas, o episódio teve várias versões irônicas.

– O Bovino foi reclamar das condições ruins da feira de gado;

– O boi estava querendo fazer parte da administração;

– A revolta de ser denominado boi, quando era um touro, e várias outras.

*Adilson Simas é jornalista.

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