Feira de Santana: Peça de Fusca virou adereço no pescoço dos jovens, nos anos 1960 | Por Adilson Simas

Volkswagen Fusca 1960.

Volkswagen Fusca 1960.

O ‘Anel Brucutu’ foi uma febre criada pela Jovem Guarda, comandada por Roberto e Erasmo Carlos. Os rapazes achavam o máximo usar, pendurado em uma corrente no pescoço, o tal brucutu, aquela pecinha do Fusca, responsável por esguichar água no para-brisa do carro. A moda de retirar o brucutu para fazer aquela espécie de anel, ganhou tanta força que era difícil encontrar um Fusca intacto. Aqui na Feira não foi diferente. Por volta de 1966, Lúcia Lago, estudante do Colégio Santanópolis, reuniu algumas colegas e comandou a “quadrilha” que arrancava o brucutu dos fusquinhas. A façanha está no blog do colégio e vale a pena lembrar de novo.

Quem se lembra do brucutu?

Lúcia Lago

Isto foi no ano de 1966, mais ou menos. Era uma tarde de outono, eu lendo uma revista da época, precisamente a página de ‘Mexericos da Candinha’, quem lembra? Eu li que estava na maior onda em São Paulo e no Rio de janeiro a moda lançada por Roberto Carlos, de usar brucutu no pescoço. Tudo que se referia a ele eu queria saber. Era apaixonada por ele. Paixão da minha vida com meus treze para quatorze anos de minha adolescência!

Procurei saber do que se tratava e descobri que era uma pecinha, pequena por onde saia água do limpador de para-brisa do carro, precisamente o Fusca da época. Imediatamente testei e conseguir tirar do primeiro que me apareceu na frente. Facílimo de tirar, não deu nenhum trabalho.

Foi o primeiro brucutu que eu roubei… me tornei o maior terror nesta cidade; não podia ver um Fusca! De todos eu tirava a pobre da peça. Isto se tornou uma epidemia, a esta altura do campeonato eu havia formado uma verdadeira quadrilha. Só lá no colégio, claro que eu era a chefa. Tinha; Marise, Rute, Telma, Socorrinho, etc.

Acho que Sheila também fazia parte, saíamos todas do colégio pra caçar brucutu (roubar) a palavra certa. Não sobrava nenhum. Eu distribuía pra todo mundo a gente enfiava a pecinha numa corrente e pendurava no pescoço; uma gracinha! Eu lancei esta moda, aqui em Feira todos os jovens usavam. Ai! Ai! Se minha mãe descobrisse eu ia levar uma surra.

Só minha irmã Célia sabia desta minha delinquência, nesta época noiva de Expedito, ele me dava conselhos; pare com isto cunhada pois é muito feio! Eu já tinha tirado o do carro dele também. O coitado não sabia.

Então, eu quero dizer uma coisa, isto ganhou repercussão nacional muito ampla, hoje a Polícia Federal ia entrar em ação, não sei o que seria da minha vida.

Alguém se lembra disto? Talvez os mais velhos que eu e quem tinha um fusca não esqueceu não, tenho certeza. Eu já levei cada carreira, tropeços e quedas nas minhas fugas pois eu tinha que correr mesmo, só faltou cachorro valente pra me pegar ou polícia pra me prender. Eu tinha uma coleção que não tinha tamanho. Tinha orgulho da caixa de sapato enorme lotada de brucutu escondida debaixo da minha cama. Mais quanto mais eu tinha, mais queria; eu não vendia não, eu distribuía de graça. Quem diria? Lúcia Lago ladrona de brucutu! Que cruel! Meu Deus não podia ter duas Lúcias desta não; eu não valia nada, minha mãe pensava que eu era uma santa! Nem imaginava a cretina que eu era…

Um dia eu inventei de tirar dos carros diferentes: partir pra Aero Willis, meu primeiro teste foi diga de quem foi? Dr. Pirajá.

Lá em frente a Farmácia São Luiz, na Praça da Bandeira, eu na maior cara de pau parti pra o ataque, as meninas me dando cobertura claro. Eu já tinha toda técnica pra efetuar a ocorrência cruel. Menina? Não prestou não, o pessoal não percebeu, mas Dr. Pirajá apareceu e me pegou no ato. Me pegou pelas orelhas e me deu uma bronca terrível não teve perdão não! Então minha Mãe e meu Pai tomaram conhecimento. Me deram corretivo, claro que muitas semanas sem mesadas, castigos, tive que devolver os brucutus todos (de quem eu lembrava claro) e tive que jogar fora o meu adorado estoque.

Tomei uma surraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, ai ai.

Parei definitivamente com aquela onda. Quem ganhou, ganhou, quem não ganhou adeus! Mas, quero dizer uma coisa: eu não já falei que tudo tem uma explicação em outros relatos? Vejam, Deus é bom demais! A palavra do Senhor diz assim: “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” sei que ele perdoa o tempo da ignorância. Claro que eu já pedi perdão e sei que ele me perdoou.

Eu tinha um namorado na época (um grande amor), sabe de uma coisa? Sem saber eu salvei a vida dele! Claro que eu havia dado um brucutu pra ele, que não tirava do pescoço. Ele foi passar o fim de semana na chácara do pai pra caçar, levou sua espingarda! Numa determinada hora, que foi dar um tiro; a arma disparou contra ele e atingiu seu peito, bateu no brucutu e não entrou no coração. Ele não morreu por milagre! O brucutu ficou todo amassado, salvou sua vida! Pode? Deus transformou a maldição em benção na minha vida!

Hoje eu agradeço pra Deus ter me poupado de tantas coisas!

Até eu fazendo algo errado, ele me livrou e também a vida deste rapaz salvando sua vida! Creio que ele deve lembrar este fato. Com certeza! Valeu Senhor! Fiquei devendo esta pra Ti! Obrigada! Pelos seus grandes feitos. Fica registrado aqui este relato, muito obrigada!

*Adilson Simas é jornalista.

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