Eleições 2018: Prisão de Geddel Vieira Lima e indiciamento de Lucio Vieira Lima conduz MDB da Bahia à mais grave crise da história; parlamentares anunciam saída da legenda

Deputado federal Lúcio Vieira Lima, prefeito ACM Neto e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso em Brasília. MDB é esvaziado pelo prefeito de Salvador.

Deputado federal Lúcio Vieira Lima, prefeito ACM Neto e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso em Brasília. MDB é esvaziado pelo prefeito de Salvador.

O MDB, partido do presidente Michel Temer, é severamente atingido pelo envolvimento de próceres do Caso Lava Jato. O presidente estadual da legenda, ex-ministro Geddel Vieira Lima, se encontra preso em Brasília, enquanto o irmão deputado federal Lúcio Vieira Lima, presidente do MDB em Salvador, responde processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF).

O policial quadro partidário do MDB levou o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), a estabelecer a necessidade de mudança na executiva estadual e municipal do partido, caso a legenda desejasse manter a aliança com o Democratas. Ocorre que os irmãos Vieira Lima rechaçaram abrir mão do poder.

Afastado da presidência, no lugar de Geddel, assumiu o deputado estadual Pedro Tavares, espécie de político-secretário da família. Essa mudança não foi suficiente para conter a indisposição dos demais parlamentares estaduais e de ACM Neto, com relação ao comando dos Vieira Lima sobre o MDB.

Apesar da cobrança para afastamento dos Vieira Lima, ACM Neto, que é, também, presidente nacional do Democratas, responde a investigação criminal no âmbito do Caso Lava Jato, em decorrência de possível recebimento de propina, conforme relatado por executivos delatores do Grupo Odebrecht.

Deputados abandonam

A severa crise ética, moral e policial que atinge o MDB da Bahia levou os deputados estaduais Luciano Simões Filho, Hildécio Meireles e David Rios a confirmar que vão deixar a legenda. Além destes, no terceiro mandato como deputado estadual, o ex-líder do Bloco de Oposição na Assembleia Legislativa deputado Leur Lomanto Jr. confirmou nesta terça-feira (27/03/2018) que deixará de integrar o MDB, nos próximos dias.

“Em minha história política fui filiado apenas ao MDB, onde permaneci por dezessete anos. Agradeço o espaço alcançado e a confiança do meu eleitorado, que me acompanhou durante esse período. É um ciclo que se encerra e outro que começa. Chegou o momento de partirmos juntos para uma nova caminhada”, afirmou.

Além de deixar o MDB, Leur Lomanto Jr. declarou que pretende lançar candidatura à Câmara Federal.

Vice-prefeito de Salvador

Filiado ao MDB, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, deve deixar nos próximos dias a legenda. A medida objetiva atender a imposição de ACM Neto. A desfiliação do vice-prefeito e o provável retorno ao DEM não foi confirmada oficialmente, mas, especulações entre políticos dão como certa a mudança.

Vice-prefeito de Feira de Santana

Filiado ao MDB, Colbert Martins Filho, vice-prefeito de Feira de Santana, respondeu ao Jornal Grande Bahia (JGB) que não pretende deixar a legenda. Quando questionado sobre a desfiliação de parlamentares do MDB, disse não acreditar na hipótese e que esperava que o clima amainasse entre partidários.

Respondendo ao questionamento sobre as eleições proporcionais, refirmou que o grupo do prefeito José Ronaldo deve apoiar políticos vinculados à Feira de Santana, para mandato federal. Com relação aos estaduais, disse que os nomes de Carlos Geilson (PSDB), José de Arimateia (PRB) e Targino Machado (PPS) encontram consenso no apoio do grupo para reeleição.

Vazio partidário

Observa-se que não é apenas a crise policial que conduz à evidente derrocada do MDB nas eleições estaduais de 2018. A movimentação de ACM Neto demonstra o desejo de esvaziar o partido e a liderança dos Vieira Lima.

No contexto atual, o MDB pode contar com apenas Lúcio Vieira Lima como candidato à reeleição, para deputado federal e Pedro Tavares, como candidato à reeleição, para mandato estadual.

Apaguem as luzes

O jornalista Ivan Lessa (1935 – 2012), quando trabalhava no jornal ‘O Pasquim’, publicou uma página denominada ‘Gip! Gip! Nheco! Nheco!’, em uma das publicações, ao comentar sobre o slogan cunhado pela Ditadura Civil/Militar de 1964, ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’, registrou: “o último a sair apague a luz do aeroporto”.

A frase de Ivan Lessa sintetiza com soberba o drama de conservadores e reacionários na Bahia, acossados pelos próprios erros, liderados pela sombra do passado ditatorial, tentam subsistir transmutando-se em novos rótulos.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).