Editorial: 2018, a eleição de Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin (PSDB) e ACM Neto (DEM), e Lula (PT) e Rui Costa (PT), Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 objetiva eleger e legitimar Bloco de Poder Conservador na presidência da República e em governos estaduais.

Geraldo Alckmin (PSDB) e ACM Neto (DEM), e Lula (PT) e Rui Costa (PT), Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 objetiva eleger e legitimar Bloco de Poder Conservador na presidência da República e em governos estaduais.

A arquitetura do Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 está completa. O tempo joga contra as forças sociais e políticas de esquerda. A condenação do líder trabalhista e ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT/SP) dificilmente será revertida a tempo para que viabilize uma candidatura, em 2018, à presidência do país. Condenado em segundo grau, mesmo que livre, dificilmente o sistema jurídico-político lhe permitirá ser candidato, este é o argumento dos conservadores e reacionários para negar ao povo brasileiro um processo eleitoral justo e democrático.

É eliminado do processo eleitoral de 2018 o ex-presidente Lula, principal líder político do maior partido do Brasil. A medida objetiva possibilitar a eleição de um membro da plutocracia autocrática autoritária e, com isto, aparentar legitimidade e legalidade ao governo conservador que dará continuidade ao Governo Temer. A possível eleição de Geraldo Alckmin (PSDB/SP) à presidência da República, legítimo representante dos conservadores e reacionários, é o plano do Bloco de Poder de Direita.

Apenas a união dos partidos progressistas pode fazer emergir o Bloco Poder de Esquerda e mobilizar a classe trabalhador, com a finalidade de deter o projeto dos conservadores reacionários. Caso o Bloco de Poder de Direita seja vitorioso em 2018, os progressistas sentirão a opressão da mídia golpista, que vão lhes desconstruir o discurso, inoculando, através da Teoria da Agulha Hipodérmica, o preconceito e ódio a alteridade e a possibilidade de transformação da sociedade através do nacional desenvolvimentismo com inclusão social e autodeterminação. Neste cenário, o neoliberalismo se instalará com maior intensidade no país, oprimindo os trabalhadores e o pensamento progressista.

O tempo urge. A necessidade de construir e apresentar um projeto de nacional desenvolvimentismo, que viabilize a alternância de representatividade política dentro do  mesmo Bloco de Poder é premente.

Disputas regionais

O projeto nacional dos conservadores e reacionários tem reflexos nas disputais estaduais. A Bahia, estado governado pelo líder trabalhista Rui Costa, é um dos alvos preferenciais do Bloco Hegemônico de Poder, que reassumiu o controle da República com o Golpe de 2016.

Resistir a opressão instituída com a assunção antidemocrática do Governo Temer — através da troika do golpe formada na Bahia com a união de ACM Neto (DEM), Antônio Imbassahy (PSDB) e Geddel Vieira Lima (PMDB) — é fundamental para a manutenção da política progressista implantada no país, desde a vitória da esquerda, em 2002, culminada com a posse de Jaques Wagner no governo da Bahia, em 2007.

Resistir é preciso

As armas da direita, do pensamento conservador reacionário, são conhecidas, dentre elas, observasse com maior frequência e intensidade a sabotagem de governos através de supressão de recursos financeiros, produção e reprodução de discursos fascistas que instigam o ódio, manipulações discursivas que objetivam acentuar o descontentamento da população, a exemplo do que ocorre na segurança pública; desconstrução de lideranças trabalhistas através de falsas acusações, uso de recursos financeiros oriundos do Bloco de Poder Econômico para cooptação de lideranças políticas, estruturas partidárias e de setores da mídia; uso de mecanismos antidemocráticos e até da violência física para intimidar adversários.

Exemplo de sociedade onde o trabalhismo edificou moderna e inclusiva estrutura social é verificado em diversos países europeus. Diferente dos Estados Unidos da América (EUA) — que tem como base política o liberalismo econômico, sistema opressor que impõe desequilibrado à própria população e a povos de diversos países, a exemplo do muro que pretende segregar fisicamente da população mexicana — os povos europeus, na maioria, adotaram a integração política, econômica e social, através do Estado de Bem-estar-social (Welfare State), seguida de medidas keynesianas como forma compensatória de desequilíbrios regionais.

Lições da história

Karl Marx, um dos principais pensadores da humanidade, ensina que o trabalho determina o significado de ser humano, sendo uma condição da própria ideia de humanidade, porque é definidora de todas as estruturas sociais. Portanto, é no coletivo do trabalho, e não no individualismo, que o ser social se materializa, momento em que ele passa a existir, porque é no outro que está o complemento de si mesmo, é no outro que se encontra a referência do próprio indivíduo, e é no conjunto de muitos outros que se constitui a estrutura social e as contradições do sistema.

É hora de superar as contradições da sociedade brasileira, com a união da classe trabalhadora e a retomada do progressismo econômico e social.

*Carlos Augusto é cientista social e jornalista.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).