Deputado Ângelo Coronel critica partidarização de membros do Judiciário e MP; parlamentar demonstra solidariedade ao ex-presidente Lula, durante encontro Internacional realizado na ALBA

Deputado Angelo Coronel, ex-presidente Lula e governador Rui Costa durante Encontro Internacional Parlamentar, no Fórum Social Mundial, realizado no auditório Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA).

Deputado Angelo Coronel, ex-presidente Lula e governador Rui Costa durante Encontro Internacional Parlamentar.

Ex-presidente Lula discursa durante Encontro Internacional Parlamentar, no Fórum Social Mundial, realizado no auditório Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA). Deputado Angelo Coronel (PSD) presta solidariedade ao líder trabalhista.

Ex-presidente Lula discursa durante Encontro Internacional Parlamentar, no Fórum Social Mundial, realizado no auditório Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA). Deputado Angelo Coronel (PSD) presta solidariedade ao líder trabalhista.

O 1º Encontro Internacional Parlamentar, ocorrido na manhã desta quinta-feira (15/03/2018), no auditório Jornalista Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), representou um desagravo ao presidente Lula e uma ode pela democracia no mundo.

Com o tema “Estado de Exceção e Lawfare”, o evento integrou a programação do Fórum Social Mundial – que acontece em Salvador até sábado -, e contou com a participação de deputados da França, Argentina e Chile, cinco senadores brasileiros, deputados federais de vários estados do país e toda a bancada da base do governo do Estado na Alba.

Presidente da Alba, deputado Angelo Coronel (PSD), num discurso enfático, disse que não serão “três descendentes de alemães e um de italiano que vão tirar o direito do ex-presidente Lula de se candidatar à presidência. Chega de menudos. Nem menudos de toga vão tirar a vontade de 50 milhões de brasileiros”, afirmou Coronel.

Na mesa de honra, além do anfitrião do encontro e do ex-presidente Lula, o governador Rui Costa (PT), os senadores baianos Otto Alencar (PSD) e Lídice da Matta (PSB); Roberto Requião (MDB-PR), João Capiberibe (PSB-AP), Humberto Costa (PT-PE), o ex-governador Jaques Wagner (PT), o francês Eric Coquerel, a argentina Cristina Britez, a representante do Parlasul, Julia Perie (Chile); sem contar a presidente do Instituto Assembleia de Carinho, Eleusa Coronel, e os deputados Ivana Bastos (PSD) e Joseildo Ramos (PT) representando o parlamento baiano. A mediação foi do deputado federal Nelson Pelegrino (PT).

Chefe do Legislativo estadual elogiou a “maneira desbravadora de Rui Costa governar a Bahia” e voltou a criticar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Para ele, “fica a dúvida se o Rio sofre uma intervenção ou uma execução”, numa referência ao bárbaro crime cometido contra a vereadora e socióloga Marielle Franco (PSOL), com nove tiros, na noite desta quarta-feira (14), na região Central da cidade.

O ex-presidente Lula disse que “o que acontece com o Brasil é grave e que o caminho é a luta popular em defesa da democracia”. Falou do crescimento democrático no país e na América do Sul nos últimos 12 anos e a guinada à direita que passa o mundo, ressalvando que o ‘crime’ que ele e a ex-presidente Dilma cometeram foi elevar o salário mínimo, melhorar a vida dos brasileiros, retirar milhões de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza, reservado 47 milhões de hectares de terra para a reforma agrária, ter dado altivez internacional ao Brasil, entre outros.

Desafio

O petista condenou a criminalização da atividade política e pediu “coragem, honra e orgulho de todos para não destruírem a classe política”. Lula reiterou que sua condenação é um golpe, “eles estão condenando não a mim, mas a um jeito de governar”. E fez um desafio: se apresentarem uma vírgula de prova contra mim, que me prendam; mas do contrário, que esse pessoal peça demissão do serviço público”.

Rui Costa considerou o encontro uma afirmação do parlamento e da democracia, e que Lula sofre a maior perseguição da história do país, embora ocupe lugar no coração de cada brasileiro. Chefe do Executivo estadual destacou que “a herança escravocrata tenta impedir o avanço social no Brasil”. Lembrou relatório do Banco Mundial, chamando de “década de ouro”, em vários aspectos, o período compreendido entre 2003 a 2013, que engloba os dois governos Lula e parte da gestão de Dilma Rousseff. Governador também bateu duro na tentativa de se violar a autonomia universitária, no que concerne a implantação da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.

Integraram ainda o Encontro Internacional Parlamentar duas palestras sobre o tema do evento, “Estado de Exceção e Lawfare”, proferidas pelos professores Pedro Serrano e Fernando Lacerda da PUC/São Paulo.

Os professores mostraram como o autoritarismo contemporâneo produz suas medidas de exceção, prática que no Brasil se inicia na década de 90, tendo como principais características o aumento no número de presos – que subiu de 300 mil para 750 mil -, o crescimento no número de assassinatos, notadamente contra negros, pobres, jovens e da periferia.

Lawfare

Pedro e Fernando ressaltam que a expressão “lawfare” tem origem inglesa e significa a utilização de recursos jurídicos com o objetivo de promover perseguição política, sendo a maior ferramenta dos regimes tiranos da contemporaneidade, e principal tese dos advogados de defesa do ex-presidente Lula.

Eles destacaram peculiaridades desse estado de exceção, dando como exemplo a interrupção de ciclos democráticos de governo, a imputação de crimes comuns contra lideranças políticas, não raro de esquerda, e com sérias avarias à imagem da vítima, valendo-se sempre da construção de discursos elaborados e utilização da mídia, como o combate à corrupção. No início do encontro, foi declarado um minuto de silêncio pela memória da vereadora carioca Marielle Franco.

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