Seis razões que explicam por que Salvador tem o melhor Carnaval do mundo

Desfile do bloco Filhos de Gandhy na Castro Alves em direção ao Campo Grande, durante carnaval 2018 de Salvador.

Desfile do bloco Filhos de Gandhy na Castro Alves em direção ao Campo Grande, durante carnaval 2018 de Salvador.

O Carnaval de Salvador não é uma festa baiana, é do mundo, atrai pessoas de todo os lugares para vários dias de diversão quase ininterrupta. Neste ano, a capital recebe 770 mil turistas para os festejos. Desse total, 400 mil do interior da Bahia, 300 mil de outras partes do país e 70 mil estrangeiros. Sob o tema Salvador Meu Carnaval, a proposta em 2018 é que todo mundo seja contemplado pelos shows e atrações, mas o que traz tanta gente para cá? Conheça alguns motivos enumerados pelos próprios foliões.

Riqueza cultural

Salvador foi a primeira capital do país, tem muita história para contar e uma grande riqueza cultural. Isso é o que tem atraído alguns foliões para cá, como Pablo Albonnoz, de Buenos Aires. “Uma amiga já tinha vindo e me indicou. Cheguei a pesquisar antes, vi que o tinha o do Rio de Janeiro, mas aqui me chamou mais atenção. Queria ver a gente, a cultura, cheguei até antes para ir à festa de Iemanjá”, conta.

Organização e segurança

Mesmo com as ruas lotadas, a organização e segurança tornam o ambiente ideal para qualquer público. A baiana Daniela Del Rei veio com o marido, Luciano, e a filha, Clara. “A gente vem todo ano para a Pipoca mesmo. Não conseguimos ir para outro lugar. Uma vez chegamos a ir para o litoral norte, mas não deixamos de vir curtir pelo menos um dia. A organização e a segurança estão muito boas”, relata. Afinal, não é todo lugar onde duas milhões de pessoas saem às ruas sem que haja registro de incidentes graves.

Criança tem espaço

Os pequenos também têm lugar garantido na folia, e os pais não deixam de trazê-los para curtir os festejos. “Minha filha sempre pede para vir e como tem os espaços para criança. Ela já foi para o Algodão Doce com Carla Perez e quer ver As Muquiranas. O local tá ótimo, muito bom para ela brincar”, explica a soteropolitana Edleuza Gomes, que trouxe a filha, Maria Fernanda, 8 anos.

Solteiro ou comprometido

Seja para ficar no cantinho ou no meio da pipoca, o importante é o respeito, um requisito que o casal André Trindade e Sumaia Reis, da cidade de Aracaju, acreditam que está sendo cumprido. “A gente sabe que qualquer festa pode ser uma festa de casal, não temos esse problema, mas sempre falaram que Salvador era um perigo Tivemos uma surpresa e estamos adorando passar o Carnaval”, exaltam.

Caldeirão para a mistura

Carnaval não tem idade e é uma festa que vem se tornando ainda mais democrática em Salvado. O baiano Gildésio Anjos, 62, veio com a esposa Fátima, 64, e disse que é um frequentador assíduo da folia. O que mais o agrada é a diversidade. “Todo ano a gente vem. Adoramos essa mistura. O Carnaval em Salvador tem festas para todos os gostos e necessidades. O Brasil precisa aprender isso”, afirma.

Bloco, camarote e pipoca

A variedade de estilos de festa é outro motivo forte que faz os foliões escolherem Salvador como destino para o Carnaval. Inclusive a opção de curtir a festa em bloco, na pipoca ou no camarote. Ou fazer tudo isso. “É meu segundo Carnaval em Salvador. Desde a primeira vez que eu vim, não quero ir para outro lugar. Esse ano vamos para tudo, pipoca, camarote. Isso é a melhor parte do Carnaval aqui”, enfatiza a turista de Aracaju Thiara Barros, que veio com os amigos

A rua

 A região da Barra é um dos epicentros da festa. pela avenida Oceânica desfilam — por dia a partir das 13h — charangas, blocos e trios elétricos. Essa última formação foi criada na Bahia em 1951 pelos músicos Dodô e Osmar, aos quais se uniu Temístocles Aragão, que usaram um carro Ford de 1929. Armandinho, filho de Osmar, também desfila nesse carnaval com seu próprio trio por ele nomeado de Circuito do Centro, que também recebe o sobrenome de seu pai e vai da praça de Campo Grande à de Castro Alves. Tanto na Barra como no Centro ocorrem desfiles diariamente.

Os ‘blocos’

O Ilê Alyê mantém vivo o legado afro-americano do país através da música. No sábado cruzou a cidade partindo do bairro de Curuzú, o de maior população negra. Também existem blocos LGTBIQ como o Mascarados e o Crocodilo (sai no domingo às 18h45; e na segunda-feira às 19h), que desfila acompanhado de Daniela Mercury.

Beco da Off

Na Rua Dias d’ Ávila, 33, se concentra toda a atividade LGTBIQ. DJ todos os dias, purpurina, bailes, caipirinhas e cervejas, onde o ritmo não para desde o primeiro dia.

Camarotes

Um dos aspectos da festa mais criticados por alguns, que acham que significa elitizar o que sempre foi uma festa popular. A maioria está ao lado da praia, do Farol da Barra a Ondina. Existem de todos os tipos, classe e preço: a entrada de um dia oscila entre 150 e 4.000 reais. Nos camarotes de luxo, além de comida e bebida há um salão de beleza onde você pode cortar o cabelo, fazer a barba e fazer as unhas. Um dos mais interessantes é o de Gilberto Gil, onde nunca deixa de tocar música. O preço da entrada custa a partir de 1.890 reais.

Pelourinho

O coração histórico de Salvador não só conta com seu próprio programa de carnaval, como é o melhor lugar para se fantasiar e pintar o corpo de tinta branca, costume que tem sua origem na maquiagem utilizada pelo grupo de percussão Timbalada em suas apresentações, criado por Carlinhos Brown na favela do Candeal.

Casa do Carnaval

Em pleno Pelourinho, na Casa do Frontispício, a Casa do Carnaval acaba de abrir suas portas. Nesse espaço cultural é narrada a história do Carnaval, são exibidos trajes míticos, alguns dos melhores trios elétricos são lembrados e são enfatizadas as influências africanas da festa. Também se pode aprender a dançar samba, guiado por uma série de vídeos para não perder o ritmo.

Carnaval náutico

Em frente ao Solar do Unhão, antigo armazém portuário que atualmente é o MAM (Museu de Arte Moderna), se realiza no domingo o Carnaval Náutico. É a primeira edição dessa curiosa proposta que leva o ambiente festivo ao oceano. O plano consiste em embarcar (50 reais) e aproveitar a música e o baile no convés.

Eletrocarnaval

Nesse ano a sessão dedicada à música eletrônica teve um cuidado especial, com estrelas nacionais como o DJ NVD e o DJ Alok que tocará na Barra na terça às 17h.

Costa Itapuã

Essa antiga vila de pescadores (Itapuã significa a pedra que ronca, pelo som feito pelo Atlântico ao se chocar contra essa zona rochosa) permanece alheia ao carnaval e é o local perfeito para descansar um pouco da festa, tomar um banho de mar e praticar surfe na Praia Stella Maris.

Rio Vermelho

É a área de agito por excelência de Salvador. Se depois das festas de rua você quiser mais, esse é o lugar para ir. O bar Santa Maria, Pinta e Niña (Largo de Santana s/n), que tem seu nome das três caravelas com as quais Colombo chegou à América, convida a continuar a noite enquanto a discoteca XYZ (rua João Gomes, 249) anima a aproveitá-la até o amanhecer. Se você dúvida, com dizem os baianos, o melhor é fluir com o Carnaval; deixar se levar pelos acontecimentos.

*Com informações do El País.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).