Salvador: Casa do Benin segue com a exposição itinerante Aféto, do fotógrafo paulista Roger Cipó

Exposição fotográfica Aféto é realizada na Casa do Benin, em Salvador.

Exposição fotográfica Aféto é realizada na Casa do Benin, em Salvador.

A Casa do Benin, espaço cultural gerido pela Fundação Gregório de Mattos, da Prefeitura de Salvador, segue com a exposição itinerante Aféto, mostra fotográfica que vem percorrendo o país e chama atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de Candomblé, a partir do olhar do fotógrafo Roger Cipó, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo.

Aféto foi lançada no Festival de Fotografia do Rio de Janeiro (FOTORio 2017), Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea. Em seguida, promoveu uma temporada na Aparelha Luzia – quilombo urbano de circulação de artes pretas em São Paulo. Em Salvador, a exposição fica até 3 de março, de segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas – aberta ao público, gratuita.

Ao percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, e vivenciar as diferentes manifestações de fé afro-brasileira, Cipó apresenta raras e delicadas imagens revelando a interação dos fiéis entre si, como uma família ao redor de suas obrigações sagradas, e durante as cerimônias, quando os orixás manifestam seu afeto por meio de suas sacerdotisas e sacerdotes. Um novo olhar para as práticas pretas de fé, sob a ótica de um fotógrafo, que no candomblé, é Alabê (responsável pela orquestra dos atabaques).

De acordo com o artista, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência da cultura afro-brasileira e fortalecimento da identidade do povo de axé, a partir da experiência de fé nos orixás, evidenciando o terreiro como espaço de acolhimento, em resposta a uma cultura de segregação e ódio fomentado pelo racismo.

A mostra teve grande repercussão inicial ao ser exibida sobre o sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, e chega a Salvador na semana do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data escolhida para relembrar a memória de Mãe Gilda de Ogum. Símbolo da luta pela liberdade religiosa dos povos de terreiro, a Ialorixá Gilda dos Santos faleceu em 21 de janeiro de 2000 em decorrência das diversas violências sofridas após ter seu rosto estampado em um jornal evangélico a acusando de charlatã. O crime de ódio seguiu de agressões físicas a seus filhos de santo, invasões ao seu terreiro, Abassa de Ogum, o que agravou o estado de saúde da sacerdotisa, provocando sua morte. Para o fotógrafo e as organizações responsáveis pela realização, Aféto traz uma mensagem de respeito a fé, por uma cultura de paz e liberdade de crença.

Ficha técnica

Fotografia: Roger Cipó

Curadoria: Marco Antonio Teobaldo

Parceiros institucionais: Instituto dos Pretos Novos, FOTORio

Apoio: Casa do Benin, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Prefeitura de Salvador, – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT)

Realização: Gestão e Salvaguarda dos Terreiros Tombados e Coletivos de Entidades Negras (CEN)

Agenda

Visitação: até 3 de março de 2018 – de segunda à sexta-feira, das 10 às 17 horas

Rua Padre Agostinho Gomes, 17 – Pelourinho – Salvador

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