Presidente da África do Sul renuncia

Envolvido em uma série de escândalos e pressionado pelo próprio partido, Jacob Zuma anuncia saída do cargo que ocupava há quase uma década. Político é alvo de centenas de acusações de corrupção.

Envolvido em uma série de escândalos e pressionado pelo próprio partido, Jacob Zuma anuncia saída do cargo que ocupava há quase uma década. Político é alvo de centenas de acusações de corrupção.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, renunciou nesta quarta-feira (14/02/2018) ao cargo em um pronunciamento na TV estatal do país. O político, que comandava a presidência desde 2009 e contra quem pesam centenas de acusações de corrupção, acatou um ultimato do próprio partido, o Congresso Nacional Africano (CNA).

“Fui obrigado a me demitir como resultado de um voto de falta de confiança estabelecido pelo CNA”, disse Zuma, citando a ameaça feita por membros do seu partido de convocar na quinta-feira uma votação no Parlamento sul-africano para expressar que não estavam mais apoiando seu governo. O antecessor de Zuma, Thabo Mbeki, foi forçado a deixar o cargo da mesma maneira em 2008.

“Eu, portanto, tomei a decisão de deixar o cargo de presidente da República com efeito imediato. Embora eu não concorde com a decisão da liderança do meu partido, sempre fui membro disciplinado do CNA”, completou. Caso não renunciasse, Zuma corria o risco de ser destituído pelo Parlamento. Mais cedo, numa entrevista, ele havia adotado um tom mais desafiador, dizendo que não pretendia renunciar.

Zuma, um veterano da luta antiapartheid, enfrentava uma série de escândalos de corrupção que arranharam sua imagem. Ele estava envolvido em uma disputa com uma facção rival do seu partido, liderada pelo vice-presidente Cyril Ramaphosa, que agora vai assumir provisoriamente a presidência no país.

A expectativa é que Ramaphosa seja confirmado como o novo chefe do Executivo com mandato até maio de 2019 pelo Parlamento nesta quinta-feira. Ramaphosa será o quinto presidente da África do Sul desde o fim do apartheid, em 1994. Todos os chefes do Executivo desde então foram filiados ao CNA.

Há cerca de dois meses, o rival de Zuma assumiu o posto de presidente do CNA, acelerando a derrocada do chefe de Estado. Zuma havia apostado na candidatura de Nkosazana Dlamini-Zuma, sua ex-mulher, como líder do CNA. A derrota da candidatura da apadrinhada do presidente foi vista como uma vitória para os reformista do CNA.

Escândalos de corrupção

Zuma já havia sobrevivido a várias moções de censura. Em agosto do ano passado, o Parlamento da África do Sul rejeitou uma moção contra o presidente.

A crise evidencia a desordem vigente no CNA, partido que foi o principal movimento contra o governo de minoria branca e que lidera a África do Sul desde o fim do apartheid, em 1994. Antes com o status moral de ser o partido de Nelson Mandela, o CNA teve sua popularidade abalada pelos escândalos de corrupção ligados a Zuma.

O agora ex-presidente é alvo de quase 800 acusações de corrupção, entre elas as relativas a contratos de armas do final dos anos 1990 e a investigações por ter usado o Estado para favorecer empresários vinculados com concessões públicas milionárias. Ele nega as acusações.

Em 2016, o Tribunal Constitucional da África do Sul obrigou Zuma a ressarcir o Estado em 500 mil euros gastos de forma irregular na reforma de sua residência particular.

*Com informações de Deutsche Welle.

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