Operação Jabuti: PF cumpre no Rio de Janeiro mandados de prisão por desvio de recursos na FECOMÉRCIO; PF prende presidente da entidade

Orlando Santos Diniz, presidente da FECOMÉRCIO.

Orlando Santos Diniz, presidente da FECOMÉRCIO.

Policiais federais fazem hoje (23/02/2018) uma operação para investigar desvio de recursos da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ). Os agentes cumprem quatro mandados de prisão, sendo um de prisão preventiva e três de prisão temporária. Além disso, há dez mandados de busca e apreensão.

A operação, chamada Jabuti, é um desdobramento da Operação Calicute, que investiga esquemas de corrupção envolvendo o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, que está preso em Curitiba. O nome da Operação faz alusão a funcionários-fantasmas, que entre os funcionários da FECOMÉRCIO-RJ eram conhecidos como “jabutis”.

Além dos desvios de recursos, a Polícia Federal investiga crimes de lavagem de dinheiro e de pagamento de cerca de R$ 180 milhões em honorários advocatícios com recursos da Fecomércio.

Segundo as investigações da PF, pessoas ligadas à Fecomércio-RJ estariam envolvidas em operações irregulares incluindo o desvio de recursos, lavagem de dinheiro e pagamento, com recursos da entidade, de vultosos honorários a escritórios de advocacia. Entre os escritórios beneficiados está o de Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral.

Também foi apurado que diversas pessoas receberam, por anos, salários da entidade, embora nunca tenham trabalhado na Fecomércio. “Algumas dessas pessoas, na verdade, trabalhavam para o ex-governador preso, e outras são familiares próximos de outros membros da organização criminosa”, diz a nota da PF.

Em dezembro de 2017, Orlando Diniz foi afastado do Sesc-Rio, pelo Superior Tribunal de Justiça.

Sobre a investigação

Segundo reportagem do Jornal O Globo, com a ajuda do ex-governador Sérgio Cabral, o presidente afastado da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio), Orlando Diniz, desviou, segundo a investigação, ao menos R$ 3 milhões de duas entidades do Sistema “S”, o Sesc e o Senac-RJ, para a Thunder Assessoria Empresarial, firma na qual figura como sócio-administrador. Esta conexão, apontada pela força-tarefa da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio, é um dos fundamentos da prisão preventiva de Diniz nesta sexta-feira, ordenada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Na época, a força-tarefa da Lava Jato chamou a atenção para ‘o assombroso volume de recursos que a Fecomércio – Federação das Indústrias do Comércio do Rio – passou a desembolsar para o escritório de Adriana Ancelmo principalmente em 2015 e 2016’.

O repasse de R$ 13.025.183,26, da Fecomércio do Rio ao escritório de advocacia da ex-primeira-dama do Estado Adriana Ancelmo já havia sido alvo da Lava Jato. Em novembro de 2016, quando o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) foi preso, o Ministério Público Federal havia apontado um ‘crescimento vertiginoso’ da banca.

Durante o governo Cabral, o escritório de Adriana Ancelmo recebeu R$ 35,8 milhões de 10 empresas. Uma delas, a Fecomércio do Rio.

“Os valores pagos exclusivamente pela Fecomércio são superiores a soma de todos os clientes do escritório nos anos anteriores, sabendo que existe pedido de investigação do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas da União, envolvendo a Fecomércio e a contratação de escritórios de advocacia”, destacou a força-tarefa na ocasião.

Com informações da Agência Brasil, O Globo e Estadão.

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