Lugares para visitar – Salvador: Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim)

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.

A Basílica Santuário do Senhor do Bonfim é a primeira igreja do Brasil a abrir sua torre para visitação pública. O acesso foi permitido a partir desta sexta-feira (16/02/2018) com a reabertura do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), que funciona dentro do templo mais famoso da Bahia e que oferece obras da Primeira Escola Bahiana de Pintura, Esculturas, milagritos, imagens sacras, alfaias e inúmeros outros artigos doados à igreja ao longo de três séculos.

O museu, com mais de duas décadas, passou por um processo de requalificação conduzido pela museóloga e professora da Universidade Federal da Bahia, Genivalda Cândido da Silva, e pelo museólogo e especialista em arte sacra, Cássio Bêribá. Segundo Genivalda, o trabalho envolveu uma triagem cuidadosa de todo o acervo, permitindo aos visitantes que possam ter uma compreensão melhor das peças em exposição. O acervo é formado por objetos que representam graças alcançadas (pagamento de promessas/milagres), desobriga e doações de fiéis. “São três ambientes: a sala dos milagres, o salão de artes sacras e as alfaias (paramentos litúrgicos). Além destes, a visita permite a aproximação do altar-mor e, a grande novidade, dá acesso à torre da igreja”.

O juiz da Devoção do Senhor do Bonfim, Francisco Pitanga, afirma que a Basílica Santuário é o primeiro templo do Brasil a abrir sua torre para visitação. “A igreja do Bonfim já é referência do turismo religioso no País e o principal templo da Bahia. O objetivo é fazer com que o museu seja referência de visitas e pesquisas. É cobrada uma taxa de R$ 5 que ajuda aos projetos sociais, como o Bom Samaritano e outros que trabalham com pessoas carentes”.

Turismo religioso

Pitanga ressalta a importância da Igreja do Bonfim para o turismo religioso da Bahia, inclusive com a requalificação da Praça do Bonfim e construção do Caminho da Fé – entre a Igreja de irmã Dulce, no Largo de Roma e a Basílica – que foram anunciados pela Prefeitura de Salvador, e a manutenção técnica, realizada com recursos do Governo do Estado. “A abertura da torre é inédita no Brasil. O visitante terá uma visão 360° da região entre a Baía de Todos os Santos, Península de Itapagipe, bairro do São Caetano e Avenida beira Mar”.

A visita à torre é acompanhada por estagiários de Museologia e funcionários da Igreja, sendo só permitido o acesso de três pessoas de cada vez. São 55 degraus em madeira. O fôlego da subida compensa com o visual maravilhoso. Pitanga lembra que foi a Devoção do Senhor do Bonfim a responsável pelo desenvolvimento dos bairros do entorno da Igreja, construindo a Avenida Dendezeiros e outros equipamentos. “A história da Igreja começa em 1746, levando 26 anos para ficar pronta. Os romeiros acessavam de barco e muitos dormiam ao relento até que a Devoção construiu a Casa dos Romeiros (ao lado da igreja) para abrigá-los”.

O Espaço Casa dos Romeiros atualmente funciona como ponto de apoio turístico, com loja de artigos religiosos, o Santo Café e o Restaurante e Espaço de Artesanato Vila Criativa. Em breve, será inaugurado no local uma extensão do Museu dos Ex-Votos, a Sala dos Milagres, que funcionará na Casa 28.

Acervo

Além das pinturas da primeira escola baiana, doadas a partir de 1836 por José Teófilo de Jesus, os visitantes podem encontrar pela frente obras de arte que remontam três séculos de história, com peças em ferro, prata, ouro, bronze, madeira e parafina. As alfaias (paramentos litúrgicos) mostram a tradição das missas católicas. Genivalda Cândido observa que o órgão de tubos foi doado por franceses em 1854 e ainda hoje funciona em datas importantes. “A visita permite uma visão contemplativa do altar-mor, dando ainda a oportunidade de elevação espiritual diante de todo um acervo relacionado à religião”

Entre as peças, ela destaca uma bala – retirada de um sobrevivente, espadas, patentes militares, milagritos (braços, pernas, olhos e outros) em materiais como ouro, prata, broze e ferro, bíblia bizantina, relicários, concha batismal em madrepérola e imagens de santos como Santo Expedito, São Jorge, Santa Terezinha, Nossa Senhora das Rosas, Nosso Senhor do Bonfim dentre outros.

Criação

O Museu do Bonfim foi criado em 11 de janeiro de 1975, por Rubem Freire de Carvalho, com a colaboração do seu irmão João Carlos Freire de Carvalho Lopes. Encontramos esta sala dentro do Santuário do Nosso Senhor do Bonfim, podendo observar as fotos, objetos, lembranças de pessoas que obtiveram algum tipo de graça alcançada, seja ela milagrosa ou um desejo realizado graças ao Senhor do Bonfim. Objetos esses, que transformaram histórias, e transformaram a vida de muitas pessoas.

Encontramos também, um acervo de muitos devotos, os quais, com a sua fé, não deixam de fazer seus pedidos, ou dar o seu agradecimento pelos benefícios e livramentos alcançados. A maioria dessas peças são feitas de gesso, ouro e prata, que produzem parte do corpo humano, do qual obteve a graça desejada. Várias telas pintadas representam os milagres ocorridos, como, o quadro de agradecimento pela sobrevivência a uma epidemia no ano de 1855, ou quadros pintados por artistas conhecidos. Só estando aqui, e observando os detalhes de cada peça, de cada ação ocorrida através das bênçãos do Senhor do Bonfim, que nós entendemos a beleza desse acervo.

Confira imagens

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim).
Vista da Baía de Todos os Santos, a partir do alto da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Vista da Baía de Todos os Santos, a partir do alto da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Interior do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Fitas do Senhor do Bonfim, amarradas no gradil da fachada da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Fitas do Senhor do Bonfim, amarradas no gradil da fachada da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Fachada da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Fachada da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Fachada da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador (Igreja do Bonfim), em Salvador.
Esculturas do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Esculturas do Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho (Museu dos Ex-Votos da Igreja do Bonfim), em Salvador.
Baiana nas escadaris da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador (Igreja do Bonfim), em Salvador.
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