Intervenção militar no Rio de Janeiro: prevalência do estado penal sobre o estado social | Por Sérgio Jones

Fuzileiros Navais participam de operação na favela Kelson's, zona norte do Rio de Janeiro.

Fuzileiros Navais participam de operação na favela Kelson’s, zona norte do Rio de Janeiro.

O paradoxo de todo o contexto social que impera ao longo da história em  um país chamado Brasil pode-se resumir em uma simples, porém não de menor importância, observação: o presidente da república Michel Temer que enfrenta, até o presente momento, duas denúncias por atos e prática de corrupção, além de organização criminosa, ambas barradas de forma ainda mais criminosa pela despudorada  Câmara dos Deputados, é o mesmo que ocupa o espaço da grande imprensa reacionária, a serviço de quem paga mais, para afirmar que o momento pede uma medida “extrema”.  Visando derrotar o crime organizado. Tal pronunciamento se resume em falar de corda em casa de enforcado.

Mas esquece o mandatário de que o crime organizado não se encontra encastelado no seio do povo e sim nos altos escalões dos podres poderes dos quais ele e sua quadrilha fazem parte. Segundo observação feita por ele a intervenção, de acordo com o decreto, “é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro” (art. 1º, § 2º).

Toda esta conversa não passa de uma falácia arquitetada e  habilmente planejada para promover, como muito bem afirma o  sociólogo e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, “a intervenção é uma medida que vai deslocar a atenção por completo da pauta muito ruim da área que já era tocada por este governo. Um exemplo é o Plano Nacional de Segurança Pública, criado há um ano e que não obteve nenhum efeito prático. É um jogo profissional de xadrez habilidoso para atenuar um problema que não será resolvido agora e vai cair em cheio no colo do próximo presidente”.

Para a desgraça do povo brasileiro, quando o Estado faz a opção pelo uso da força para combater os segmentos sociais considerados mais  vulneráveis, como nos casos dos pobres, negros e favelados – os mesmos que integram a grande maioria da população carcerária – são estes os principais alvos da repressão para atender os desejos, conscientes e inconscientes, dos grupos de bestas endinheiradas e da estúpida classe média conservadora e preconceituosa.

Na guerra em que o Estado resolve tratar seu povo como inimigo, nunca é demais lembrar que a burguesia não tem pátria, o grande perdedor de toda esta dantesca tragédia social é o povo, a democracia burguesa é relativa e só existe de fato para uma pequena parcela de privilegiados da sociedade que pode bancá-la em toda a sua plenitude. Somente através de uma política social adequada, que favoreça a erradicação da pobreza, que torne a educação realmente um direito de todos, que não permita ser a saúde um privilégio de poucos, não propiciando que crianças morram de fome. É que se poderá efetivamente tornar verdadeiramente possível alcançar o patamar do tão proclamado Estado democrático de direito. Que até o presente momento se apresenta como direitos de poucos em detrimento da grande massa de indigentes sociais que pululam este triste país dos trópicos, que ironicamente se diz abençoado por Deus.

*Sérgio Jones, jornalista ([email protected])

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