Eleições 2018: Prefeito José Ronaldo deixa subentendido que candidatura ao Senado está condicionada à candidatura ao governo da Bahia protagonizada por ACM Neto

Prefeito José Ronaldo deixa indefinida candidatura ao senado e vincula futuro político à ACM Neto e Deus.

Prefeito José Ronaldo deixa indefinida candidatura ao senado e vincula futuro político à ACM Neto e Deus.

Durante entrevista coletiva ocorrida nesta quinta-feira (15/02/2018) na sala de imprensa do Centro de Atendimento ao Feirense (CEAF), o prefeito José Ronaldo (DEM) assinou pagamento da última parcela do financiamento adquirido junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF – Corporação Andina de Fomento). O empréstimo municipal de US$ 11 milhões foi aprovado pelo plenário do Senado Federal, em 18 de dezembro de 2007, com a finalidade de executar obras de integração urbana (viadutos). O valor das obras dos viadutos foi de cerca de R$ 80 milhões e foram financiados cerca de R$ 40 milhões com a instituição financeira multilateral.

Além do anúncio da quitação do financiamento, provocado por profissionais da imprensa, o prefeito José Ronaldo abordou o processo eleitoral 2018. Antes de comentar sobre as eleições, apresentou breve retrospectiva sobre a trajetória política, momento em que, emocionado, verteu lágrimas. Do jovem de futuro incerto em Paripiranga, para o comando da segundo maior cidade da Bahia pela quarta vez, o prefeito percebeu que os anos se passaram e que sonhos e desilusões deram forma ao homem de 65 anos.

Eleições 2018

Na sequência, questionando de diferentes maneiras se seria candidato ao senado, ou ao governo da Bahia, em oposição ao grupo liderado pelo governador Rui Costa (PT), José Ronaldo, de forma evasiva, disse que até o final de março, ou pouco antes, anunciaria se seria ou não candidato ao senado. Destacando que os contatos mantidos em pré-campanha objetivam uma candidatura ao senado, com ACM Neto (DEM) concorrendo como candidato à governador, e que não vislumbraram outra possibilidade, completando “entrego nas mãos de Deus”.

Dando continuidade ao diálogo, em determinados momentos da coletiva, José Ronaldo deixava a contenção das palavras para expressar severa crítica ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governador Rui Costa, qualificando as lideranças de arrogantes, por acreditarem que podem vencer as eleições antecipadamente.

Questionado sobre o Caso Lava Jato, Ronaldo foi incisivo, “algo criado pelo PT”. A declaração do alcaide é curiosa, observando que os dados levantados pela força-tarefa do Caso Lava Jato e os depoimentos de criminosos colaboradores da justiça comprovam que o sistema de financiamento político e enriquecimento ilícito existia muito antes do PT assumir o poder da República, e que o financiamento de diversas campanhas era decorrente de esquemas licitatórios, que beneficiavam grupos econômicos, responsáveis por transferir recursos destes contratos públicos para partidos, políticos e agentes públicos.

Neste aspecto, um exemplo emblemático é o fato do presidente nacional do Democratas (DEM), senador José Agripino, responder à processo judicial no Supremo Tribunal Federal (STF), por possível envolvimento em esquemas de corrupção do Caso Lava.

O envolvimento do senador José Agripino no Caso Lava Jato provocou o debate da necessidade de mudança no comando do DEM. Sobre este aspecto, José Ronaldo tratou de declarar que espera ver o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), presidindo o partido. Ocorre que o prefeito da capital é citado, também, em colaboração premiada de ex-executivos da Odebrecht, como beneficiário de esquema de corrupção.

Além do fato de vincular a candidatura ao senado, a candidatura de ACM Neto ao governo, José Ronaldo disse que as pesquisas de intensão de voto são favoráveis ao grupo demista e que, no momento, ocorre muitas incertezas com relação ao processo eleitoral de 2018. Mas, que acredita que o resultado do pleito será similar ao de 1989, época em que Fernando Collor foi eleito presidente da República com o poio dos conservadores, reacionários e da Rede Globo, vencendo o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva. A análise do prefeito trouxe à memória a lembrança de alguns filmes, a exemplo da obra ‘A espera de um milagre’.

Tibieza

Analisando as declarações do prefeito José Ronaldo e as afirmações do prefeito ACM Neto concedias à imprensa, sobre a participação nas eleições de 2018, observa-se que ambos mantêm, não um suspense quanto às candidaturas, mas uma completa indecisão. Pode-se afirmar, a partir do contexto, que eles estão à espera de um milagre.

Deus na disputa

Senhor dos destinos dos seres humanos, Deus, certamente, entrega a política ao livre arbítrio dos indivíduos, preferindo encontra as pessoas nos templos religiosos, nas orações e na imaterialidade do espírito. Até porque, o Estado é Laico e o conceito de política é eminentemente materialista. Concluindo, pode-se especular sobre cenários políticos, mas não sobre milagres políticos.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

Assine o JGB

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Publicidade

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]