Carnaval revela essência da sociedade brasileira, diz antropólogo Roberto DaMatta

Roberto DaMatta: O carnaval de certo modo revela o fundo da sociedade brasileira.

Roberto DaMatta: O carnaval de certo modo revela o fundo da sociedade brasileira.

Desfile da escola de samba Unidos da Tijuca, no Carnaval 2018 do Rio de Janeiro.

Desfile da escola de samba Unidos da Tijuca, no Carnaval 2018 do Rio de Janeiro.

Ele é professor titular de Antropologia Social do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e professor emérito da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. O RFI Convida nesta segunda-feira (12/02/2018) o antropólogo Roberto DaMatta, autor, entre outros, do livro “Carnavais, malandros e heróis”.

“O carnaval de certo modo revela o fundo da sociedade brasileira”, diz o antropólogo Roberto DaMatta. “Ele inverte, traz o fundo do poço para cima, como virar uma bolsa de cabeça para baixo ou uma roupa do avesso”. Na sociedade brasileira, “onde tudo é proibido”, Roberto afirma que momentos de liberação sempre se fizeram necessários. “[O Brasil é] uma sociedade que teve também reis, imperadores, que teve uma aristocracia pesadíssima com escravidão negra, uma sociedade que é patronal, familística, e que, como em quase todas as sociedades tradicionais, estavam inscritos na dinâmica destas sociedades determinados momentos orgiásticos, onde se podia fazer tudo”, diz.

“Evidentemente está acontecendo uma mudança, é popular. E popular no Brasil não tem a ver com cidadania, como no caso francês – foi o povo quem fez a Revolução Francesa”, afirma. “Acho que nos últimos anos a ênfase na escola de samba diminuiu, e acho que vai diminuir mais, por causa do problema com a política, o populismo”, avalia o especialista.

“Não haverá mais dinheiro para distribuir para a escola de samba, e esse carnaval que aparece nos blocos, um carnaval atomizado como sempre foi – várias coisas acontecendo ao mesmo tempo – tira a centralidade das escolas de samba, o que é uma mudança razoável”, diz o antropólogo.

A politização da avenida em 2018

“O que acontece neste carnaval, mais claro ainda que no ano passado, é que, com a expansão de uma ética igualitária e dos novos dilemas que se colocam em uma sociedade democrática, com liberdade conjugada com igualdade, aparece o chamado politicamente correto dentro desta nova ética, muito falado no Brasil”, analisa DaMatta.

“Existe hoje um controle das músicas e da própria propaganda do carnaval. A nudez feminina começa a ser controlada, pois não se pode mais mostrar a mulher como objeto sexual. E os elementos políticos de diversos matizes começam a aparecer também nos desfiles e nos enredos das escolas de samba, como apareciam de uma outra maneira durante o regime militar, onde então se mostrava uma sensualidade ou uma sexualidade mais explícita, que ofendia a moral da classe média daquela época, e sobretudo da direita brasileira que estava no governo”, pontua.

*Por Márcia Bechara, da RFI Brasil.

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