Artigo republicado pelo Exército coloca sob suspeição Força Tarefa do Caso Lava Jato; perda das chaves criptográficas do sistema de controle de propinas da Odebrecht está no centro do esquema

Com o título ‘O mistério da Lava-Jato’, o Exército Brasileiro republicou artigo, na página oficial da instituição.

Com o título ‘O mistério da Lava-Jato’, o Exército Brasileiro republicou artigo, na página oficial da instituição.

Com o título ‘O mistério da Lava-Jato’, o Exército Brasileiro republicou artigo, na página oficial da instituição, em que questiona atuação da Força Tarefa do Caso Lava Jato. No centro do esquema está a perda de duas chaves criptográficas utilizadas para acessar o ‘Mywebday’, sistema de informática utilizado por executivos do Grupo Odebrecht para pagamento de propina à agentes políticos e servidores. As chaves estavam em posse de membros da Força-tarefa.

No artigo, escrito originalmente pelo editor de livros Carlos Andreazza e publicado no Jornal O Globo, em 6 de fevereiro de 2018, é reiterada da tese da seletividade da atuação dos membros da Força-Tarefa, cujos objetivos estão vinculados a ganhos pessoais, ataque ao trabalhismo, destituição de governo democrático, implantação e manutenção de uma plutocracia-autocrática no comando da República.

Exemplo emblemático da atuação criminosa de membros da Força-Tarefa do Caso Lava Jato ocorreu quando o sigilo telefônico da presidente da República Dilma Rousseff foi quebrado e divulgado no Jornal Nacional da Rede Globo, veículo de comunicação com intenso vínculo com o Golpe Civil-Militar de 1964 e Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016 e, cujo discurso é baseado no conservadorismo-reacionário.

No artigo, Carlos Andrezza levanta teses, apresenta dados e questionamentos que conformam um quadro degenerativo da atuação da Força-Tarefa do Caso Lava Jato, conforme observa-se a seguir:

— Há seis meses, cinco discos rígidos com cópia das informações – e dois pen-drives que deveriam dar acesso ao software – chegaram ao Ministério Público Federal. Desde então, porém, nada. Nem MPF nem Polícia Federal conseguiram restaurar-lhe o conteúdo. De consistente mesmo, a respeito, apenas o movimento – em curso – para abafar a história e deixar tudo como está, e a desconfiança de que o trabalho por quebrar os códigos do programa foi deliberadamente negligenciado. Um exemplo, na melhor das hipóteses, da profundidade da incompetência em questão: o MPF simplesmente não testou as chaves de acesso no momento da entrega do material. Hoje, suspeita-se – tudo, claro, sob investigação – de que os dispositivos tenham sido apagados e reescritos. Que tal? Respire fundo, leitor, para lidar com a declaração a seguir: “O sistema está criptografado, com duas chaves perdidas. Não houve meio de recuperar. Nem sei se haverá. Não houve qualquer avanço nisso.”

— São muitas as dúvidas. Todas derivam da falta de transparência acerca do conteúdo do Mywebday. O Ministério Público Federal recebeu o material – extraído de servidor na Suíça – em agosto de 2017. Nunca se falou sobre a impossibilidade de ser lido. Desde então, conforme noticiado, a única restrição de acesso – muito problemática – tinha origem contratual: segundo uma das cláusulas estabelecidas no acordo com a Odebrecht, só os procuradores poderiam analisar os dados – em detrimento, claro, da Polícia Federal, o órgão investigador por excelência. Algumas reportagens, entre agosto e novembro do ano passado, registraram o motivo da seletividade: o MPF zelava pela exclusividade – e aqui o colunista tenta não rir – para evitar que os documentos vazassem.

— Incontroverso é que o episódio – o descaso para com a substância do sistema – evidencia mais uma vez a distorção no modo como o Ministério Público Federal compreende e usa o instituto da colaboração premiada. Essa deturpação de finalidade autoriza algumas reflexões. Por exemplo: se o MPF tivesse priorizado o ingresso ao programa, talvez encontrasse conjunto de informações capaz de tornar prescindíveis os acordos de delação (ou boa parte deles) firmados com quase 80 executivos da Odebrecht. Se tivesse se dedicado, antes de tudo, a decifrar o sistema (ou a comprovar a impossibilidade de fazêlo), quem sabe o Estado brasileiro se livrasse de ter de oferecer tantos benefícios a tanta gente; e quem sabe a colaboração premiada deixasse de ser muleta para investigadores incompetentes (e/ou apaixonados pelo palanque) e se tornasse o que é: recurso complementar. Nesse caso, é provável, teríamos mais provas e menos heróis.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]