Sento Sé: alunos e pais protestam contra municipalização do Colégio Estadual Deputado Jayro Sento Sé

Manifestação contra municipalização do Colégio Estadual Deputado Jayro Sento Sé.

Manifestação contra municipalização do Colégio Estadual Deputado Jayro Sento Sé.

Na manhã desta sexta-feira (12/01/2018), por volta das 10 horas, alunos, ex-alunos, professores e pais, saíram vestidos de preto simbolizando o luto em ato de protesto na Avenida de Sento Sé ao som de ‘vamos amigo, lute!’ em defesa da não municipalização do Colégio Estadual Deputado Jayro Sento Sé, que tem em torno de 1.000 alunos. Em tom de indignação, os alunos pararam em frente ao gabinete da prefeita Ana Passos e gritaram em voz alta “Queremos nosso Jayro de volta”. Para tentar impedir o fechamento da rede estadual do colégio, os alunos da escola resolveram criar um abaixo-assinado e estão recolhendo as assinaturas das pessoas que, assim como eles, estão insatisfeitos com a situação.

O pedido de municipalização do colégio foi solicitado pela secretária de Educação do Município no final de 2017 na visita do governador Rui Costa à Sento Sé. Nesta última terça-feira (09), a prefeita de Sento Sé, Ana Passos, esteve com a diretoria da NR-15 em Juazeiro, assinando toda documentação de transferência da unidade da rede estadual para o município. A decisão deverá ser publicada no Diário Oficial do estado nos próximos dias.

O professor de química e física, Thiago Café, é educador do colégio há mais de 12 anos contou que seu sentimento hoje é de muita insatisfação e muita dor no coração. Para ele é uma gratificação enorme poder dar aula no Jayro. “Aqui não é uma escola e sim uma família. Pegaram nossa história de 33 anos e enterraram sem dar nenhuma satisfação, fizeram isso tudo debaixo dos panos, nem sequer comunicaram a comunidade. As matriculas já estavam abertas, muitos pais de alunos já se programando para colocar seus filhos no colégio, isso é uma injustiça. Não concordo com essa atitude, não sei quem fez isso, mas quem fez não tem amor a educação de Sento Sé”, concluiu Thiago.

“Não levaram em conta nossa história, a nossa família Jayro, nossa luta por fazer crescer cada dia mais o ensino do nosso colégio. Nós não queremos brigar com ninguém, nem com escola nenhuma. Queremos só nosso colégio para darmos aulas e os alunos poderem estudar.  É difícil falar do sentimento que estamos passando, a gente cria vínculos e laços com cada aluno, mas para as autoridades isso não vale nada. Na verdade, não somos nada para as autoridades, eles fazem o que querem e como querem, disse a professora de biologia Glória Cassia Castro, que estava bastante triste com a situação.”

A senhora Luzivanda da Silva de 38 anos, mãe de aluno, disse que ficou sabendo da municipalização pela boca do povo, que sequer a direção informou para os pais essa situação. Para ela, o sentimento é de destruição. “Destruíram o Jayro, sua história e seu legado. Tive 11 irmãos que estudaram e se formaram aqui, hoje eu e minha família se entristece ao ver essa destruição, finalizou Luzivanda.

A aluna Yasmin Mesquita, de 16 anos, estuda no colégio desde a 6º série do Ensino Fundamental. Ela contou que o Jayro é sua família, onde foi bem recebida desde quando entrou em 2013. “Gabriel, os professores são como pais, o pessoal da merenda seriam tias, minha turma é como irmãos e os demais como primos. Jayro é minha casa, onde eu sempre recebi apoio. Com essa notícia parece que estou sendo eliminada da família, vou ser adotada por outro colégio e por pessoas que certamente não conseguirão substituir o carinho e atenção que recebi anteriormente, jamais irei me acostumar com tal situação. Desde o ensino fundamental estou na família Jayro, meu sonho era concluir o ensino médio agora em 2018 na casa em que fui bem acolhida, estávamos planejando tudo, seria o melhor ano dentro da casa”.

Estão destruindo nossos sonhos. Não estão atingindo somente a mim, e sim a todos que tem respeito e admiração pelo colégio. A falta de consideração foi tanta que não nos reuniram para passar a informação, ficaram com aquela incerteza sem querer nos dizer a verdade. Não houve nenhuma iniciativa do estado, nem do município para nos reunir e conversar sobre o assunto, ficamos sabendo porque saiu boatos e fomos atrás de informações. Nós estudantes do 3º ano, após vários anos juntos teremos que nos separar. Vão mandar a gente para outros colégios que ficam bastante longe de nossas casas, sendo subordinados a subir ladeiras em sentido à roça.”, concluiu Yasmin.

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