Roberto Romano: processo que levou a condenação de Lula é mais político e ideológico | Por Sérgio Jones

Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia na UNICAMP, São Paulo.

Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia na UNICAMP, São Paulo.

O professor de Ética e Filosofia Roberto Romano era um dos crítico mais ferozes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Na conjuntura atual, defende o ex-presidente, cujo recurso contra a condenação que recebeu em primeira instância por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro será julgado no dia 24 de janeiro. “ O processo é mais político e ideológico do que construído sobre as bases do direito público”, garante.

 “No caso do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, a regra não está sendo obedecida”, critica. “Desde o início dos processos, em Curitiba, temos um juiz acusador, uma procuradoria parcial antes do exame público e rigoroso de provas, uma defesa acuada”. No entendimento do professor, o comportamento da promotoria durante todo o procedimento que levou à condenação, por Sergio Moro, foi de militância política, não de serena defesa do interesse público.

Ele destaca ao longo de entrevista concedida a um determinado órgão de imprensa do sul do Brasil que os interesses econômicos e políticos envolvidos neste caso “estão se revelando no atual governo da República”, entre eles corte nos direitos trabalhistas, atenuações do combate ao trabalho escravo, privatização de empresas públicas, ruína de agências financiadoras de pesquisa e de universidades públicas produtivas.

Também afirma a existência de equívocos existentes na condução do julgamento do ex-presidente Lula e que a regra não está sendo obedecida. E o que se tem presenciado é que em Curitiba, a postura adotada por Moro é  de um  juiz acusador, uma procuradoria parcial antes do exame público e rigoroso de provas, uma defesa acuada. E vai mais profundo na questão ao se referir ao lastimável ato político conhecido como “power point”, em que os acusadores exibiram pressa e parcialidade ideológica. Concepções pessoais substituíram a coleta e o exame de provas, acusações foram edificadas de preferência sobre a delação premiada, com os “colaboradores” presos, sua pessoa e famílias ameaçadas.

O jurisconsulto admite que na sua concepção é que houve consideráveis abusos de autoridade movido contra o reú. “Este processo é mais político e ideológico do que construído sobre as bases do direito público”. E cita  que os interesses políticos são muitos, principalmente  os que se apoderaram do poder, com a destituição do governo da presidente Dilma Rousseff, os interesses do setores empresariais (entre eles, os mais fortes residem no agronegócio e nas finanças), partidos políticos. Todos eles movidos pelo oportunismo, parcelas do Ministério Público que exacerbam as suas prerrogativas e assumem atitude de arrogante salvacionismo. No Brasil, hoje, ser crítico das instituições tornou-se sinônimo de “comunismo”.

No tocante a operação o que foi apurado no caso do ex-presidente Lula, não houve isenção ideológica dos três setores (promotoria, magistratura, defesa), exame rigoroso de provas e testemunhos, presunção de inocência. Tais itens não estão sendo seguidos na íntegra durante o processo. Enquanto isso, a maioria do povo brasileiro considera que o processo uma perseguição ao político que soube, ao lado de conviver com o grande capital, abrir sendas para que milhões deixassem a pobreza extrema.  A maioria esmagadora não o julga culpado. Mas infelizmente, existem segmentos sociais que se imaginam “superiores” à população pobre.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista ([email protected]).

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