O processo de judicialização do Brasil fez duas vítimas, Lula e Dilma, diz Luiz Felipe de Alencastro

Ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff, durante ato em defesa da democracia e de Lula candidato, ocorrido na Esquina Democrática de Porto Alegre (RS).

Ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff, durante ato em defesa da democracia e de Lula candidato, ocorrido na Esquina Democrática de Porto Alegre (RS).

O historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, professor de História econômica na Escola de Economia de São Paulo, pesquisador no Centro de Estudos do Atlântico Sul e professor emérito na Universidade Sorbonne, em Paris, comenta sobre a confirmação da condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu não possuía nenhuma informação especial, mas a condenação por unanimidade era uma hipótese possível”, afirma Luiz Felipe de Alencastro. “O que foi uma surpresa foi o endurecimento da decisão, com o prolongamento da pena, de nove anos e meio para doze anos, e, sobretudo, essa decisão [do tribunal] de Porto Alegre não faz mais referência à data de 2009, que constava na primeira condenação do Moro em Curitiba, que seria a data na qual o tal tríplex teria passado a pertencer ao ex-presidente Lula”, afirma o historiador e cientista político. “A não referência a nenhuma data complica a demanda de prescrição dos fatos no processo do Lula”, analisa.

A condenação em segunda instância de Lula aconteceu no mesmo dia – 24 de janeiro – em que a procuradora-geral do Brasil, Raquel Dodge, arquivou o processo por corrupção contra José Serra (PSDB). “O senador Serra tinha acusações e indícios muito mais fortes e denúncias muito mais pesadas contra ele. O processo corria com provas bancárias e vários outros dados”, relembra.

“É importante pontuar que o ex-presidente Lula está sob escrutínio da Justiça e de todo o sistema de investigações por equipes inteiras há mais de 10 anos, não é de agora. O Serra começou a ser investigado há pouco tempo e imediatamente se chegou a uma situação de denúncia grave. Ontem mesmo veio a decisão de que o processo do Serra deveria ser arquivado porque havia prescrição do crime, que teria sido cometido em 2010. Evidentemente as duas decisões explodindo no noticiário ao mesmo tempo criaram um forte contraste”, diz.

Dois pesos, duas medidas?

“O jornalista da Folha de S. Paulo, Celso Barros Pinto até escreveu que é verdade que a Lava Jato atingiu muitos políticos e muitos partidos, mas concretamente essa onda de processos e a judicialização da política brasileira fez duas vítimas importantes, e as duas são do PT, Dilma Rousseff e Lula”, declarou Alencastro.

“Visivelmente o Lula vai continuar em campanha até onde for possível, porque é possível até que ele seja preso, daqui a um ou dois meses, quando for julgado o último recurso, embora seja arriscado e duvidoso fazer esse cálculo. Mas se ele for condenado e não puder se candidatar, ele estará fisicamente no palanque do candidato que representará as forças que estão por trás dele”, afirma o historiador.

Confira vídeo

*Com informações da RFI.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]