Fogo e Fúria: Steve Bannon ataca Donald Trump em livro; presidente dos EUA diz que ex-estrategista-chefe perdeu o juízo

Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca no Governo Trump.

Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca no Governo Trump.

O ex-estrategista-chefe da Casa Branca Stephen Kevin Banno (Steve Banno) atacou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declarações que estão no livro Fire and Fury: Inside the Trump White House (Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump, tradução livre), que será lançado na próxima semana. Trechos da obra foram divulgados na quarta-feira (03/01/2018) pela imprensa.

Numa das declarações, Bannon classificou o encontro entre o filho de Trump e um grupo de russos durante a campanha eleitoral de 2016 como “traição” e “falta de patriotismo”, segundo trechos divulgados pelo jornal britânico The Guardian.

O encontro entre Donald Trump Jr. e a advogada russa Natalia Veselnitskaya ocorreu em junho de 2016 e visava a obtenção de informações que poderiam incriminar Hillary Clinton. O genro do presidente, Jared Kushner, e seu então gerente de campanha, Paul Manafort, também estavam na reunião, que é um dos alvos de uma investigação sobre a interferência russa nas eleições dos EUA e eventuais ligações entre Moscou e a campanha republicana para favorecer a vitória de Trump.

Em outro momento do livro, o ex-estrategista disse que o candidato republicano nunca esperou ganhar as eleições presidenciais de 2016, em que concorreu com a democrata Hillary Clinton, segundo a revista americana New York.

Bannon acrescentou que Trump acreditava que sua nomeação presidencial iria impulsionar a sua marca e, assim, ele poderia desfrutar de “incontáveis oportunidades”, segundo o livro de Michael Wolff. Para escrever a obra sobre os bastidores da Casa Branca, o autor realizou mais de 200 entrevistas, entre elas com o presidente americano e pessoas ligadas ao republicano no governo.

Trump critica Bannon

Após a publicação de trechos do livro pela imprensa, Trump afirmou que Bannon perdeu o juízo e que não tem mais nenhuma ligação com o governo americano. “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com a minha presidência. Quando ele foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu a cabeça”, afirmou o presidente, em comunicado.

Trump acusou ainda o ex-estrategista de ter passado o tempo na Casa Branca vazando informações falsas para imprensa na tentativa de parecer mais importante do que era.

“Agora que ele está por conta própria, Steve está aprendendo que vencer não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve tem muito pouco a ver com nossa vitória histórica, que foi entregue pelos homens e mulheres esquecidas deste país”, ressaltou Trump.

Bannon, que foi um dos principais conselheiros de Trump, deixou a Casa Branca no início de agosto em meio a um escândalo causado pelo o silêncio do presidente americano, seguido por uma declaração vaga, depois da violência cometida por supremacistas brancos em Charlottesville. Acusações de vazar informações para a imprensa e divergências com Kushner, também pensaram para o afastamento do ex-estrategista.

Bannon, um provocador de 63 anos que se define como “um nacionalista econômico”, alcançou relevância dentro da Casa Branca no início do mandato de Trump, havendo mesmo quem dissesse que era ele quem realmente mandava na presidência. Ele trabalhou na campanha de Trump, tendo ajudado a definir o mote “Os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Donald Trump diz que Bannon perdeu o juízo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o seu ex-assessor Steve Bannon perdeu o juízo com as revelações feitas por ele num livro a ser lançado em 9 de janeiro. No livro, Bannon retrata a Casa Branca como um lugar caótico e classifica Trump de imaturo.

Após a divulgação de trechos de Fire and Fury: Inside the Trump White House (Fogo e Fúria: Por dentro da Casa Branca de Trump), no qual Bannon relata o encontro do filho mais velho de Trump com um advogada ligada ao Kremlin como “antipatriótico” e “um ato de traição”, o presidente dos EUA não mediu palavras em sua resposta.

“Steve Bannon não tem nada que ver comigo nem com minha presidência. Quando ele foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu o juízo”, acusou Trump, nesta quarta-feira (03/01/2018). Bannon deixou seu cargo na Casa Branca em agosto, quando retornou ao site ultranacionalista de notícias Breitbart e assumiu várias posições em desacordo com o governo de Trump.

“Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil como eu deixo transparecer”, disse Trump. “Steve raramente esteve numa reunião individual comigo”, concluiu o presidente dos EUA, além de apontar que Bannon “não representa minha base” e apenas participou da campanha por interesse próprio. Em outubro, o discurso de Trump era outro: “Ele é meu amigo há muito tempo. Gosto muito de Steve.”

Mais tarde, os advogados de Trump enviaram uma carta a Bannon com a ordem de que ele pare de dar declarações depreciativas sobre Trump e sua família, segundo relatos da emissora ABC, que citou o advogado de Trump, Charles Harder. Bannon teria sido acusado de quebrar um compromisso de confidencialidade assinado quando começou a trabalhar na campanha de Trump.

Encontro na Trump Tower

O ex-estrategista-chefe da Casa Branca e atual chefe do Breitbart teceu severas críticas sobre um encontro que teria ocorrido em junho de 2016 entre funcionários da campanha presidencial de Trump e um grupo de pessoas com vínculos com o Kremlin. Excertos do livro do escritor Michael Wolff foram publicados pelo jornal britânico The Guardian.

No livro, Bannon diz ter ficado surpreso com o encontro organizado pelo filho do presidente, Donald Trump Jr., que também incluiu o genro de Trump, Jared Kushner, além do diretor de campanha, Paul Manafort.

“Os três senhores da campanha acharam que era uma boa ideia se encontrar com um governo estrangeiro dentro da Trump Tower na sala de conferência no 25º andar – sem advogados. Eles não tinham advogados”, disse Bannon. “Mesmo que você pense que isso não foi traição ou antipatriótico, e eu pensei que era tudo isso, você deveria chamar o FBI imediatamente”, afirmou.

Em outro momento do livro, o ex-estrategista disse que o candidato republicano não esperava ganhar as eleições presidenciais de 2016, em que concorreu contra a democrata Hillary Clinton, segundo a revista americana New York. Trump e família teriam ficado chocados e assustados com o resultado.

Bannon acrescentou que Trump acreditava que sua nomeação presidencial iria impulsionar a sua marca e, assim, ele poderia desfrutar de “incontáveis oportunidades”. Para escrever a obra sobre os bastidores da Casa Branca, Wolff realizou mais de 200 entrevistas, entre elas com o presidente americano e pessoas ligadas ao republicano no governo.

Novo Watergate?

O encontro na Trump Tower é alvo de uma investigação federal sobre uma possível intervenção russa nas eleição presidencial de 2016. Trump nega qualquer conluio com a Rússia.

A reunião de junho de 2016 foi proposta por um intermediário, que afirmou que a advogada russa Natalia Veselnitskaya poderia oferecer informações prejudiciais sobre Hillary. Trump Jr. respondeu com um “eu adoro” – uma troca de mensagens posteriormente divulgada por ele via Twitter, depois que estas chegaram às mãos da imprensa americana.

“Eles vão esmagar Don Junior como um ovo em rede nacional”, disse Bannon. No livro de Wolff, Bannon também afirmou que a investigação do procurador especial Robert Mueller se concentrará em lavagem de dinheiro. O ex-assessor apontou que os negócios financeiros de Kushner, em particular, são um ponto de interesse.

Mueller pretendia interrogar Bannon sob juramento de qualquer maneira – algo mais provável de ocorrer depois dos desdobramentos desta semana. No entanto, isso pode levar Trump a demitir preventivamente Mueller ou indultar todos os afetados – o que levaria à maior crise institucional dos EUA desde o Watergate.

Mueller tentará atrair os três colaboradores mais próximos de Trump para serem testemunhas-chave – Manafort, Trump Jr. e Kushner. Manafort já foi acusado de lavagem de dinheiro. No livro de Wolff, Bannon descreveu o caso com a Rússia como um “furacão de categoria cinco”, enquanto os assessores de Trump “sentam-se na praia”.

*Com informações da Deutsche Welle.

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