Feira de Santana em história: Os primeiros médicos | Por Adilson Simas

Imagem de 1971 registra reforma da Praça do Padre Ovídio, em Feira de Santana.

Imagem de 1971 registra reforma da Praça do Padre Ovídio, em Feira de Santana.

No livro ‘A Feira no século XX’, o escritor e poeta Antônio Moreira Ferreira destaca os primeiros médicos residentes em Feira de Santana, aqui clinicando a partir da Santa Casa de Misericórdia fundada no século XIX, mais precisamente em 1865. O escritor ressalta o trabalho de Joaquim Remédios Monteiro e Gastão Clóvis Guimarães em tempos distintos, além de citar outros como Fernando São Paulo, Honorato Bonfim e Joaquim D’Almeida Couto. Vale a pena a leitura do texto:

– Não podemos afirmar com exatidão, mas parece-me que a Santa Casa de Misericórdia foi fundada em 1865 sem que houvesse um médico residente em Feira de Santana.

O Dr. Joaquim Remédios Monteiro, ao que sabemos, chegou em Feira entre 1880 e 1890 e, embora tenha vindo em busca da sua saúde dentro do bom clima de Feira, foi realmente o primeiro médico residente a clinicar nesta cidade, quando já existia a Santa Casa de Misericórdia.

Quanto ao segundo médico, ainda depende de uma pesquisa (1º trabalho para a futura Academia de Medicina de Feira de Santana?), pois está muito próximo o período entre Dr. Fernando São Paulo, Dr. Gastão Guimarães, Dr. Honorato Bonfim e o Dr. Joaquim D’Almeida Couto.

Os quatro atuaram na década de 10, porém só temos certeza da residência do Dr. Gastão Guimarães que, em 1914, já se firmara em Feira.

Os primeiros médicos aqui chegados, fizeram o trabalho de verdadeiros desbravadores do atavismo, oriundo do sincretismo que misturava curas, religiões, superstições, com rezas, chás, etc.

Dr. Gastão fez um trabalho de catequese tão perfeito, que não foi muito difícil vacinar o povo contra varíola e posteriormente contra a peste bubônica.

É bom lembrar que, então, não existiam escolas de 2º grau e a maioria das escolas primárias eram regidas por professoras leigas e, assim, não podiam ajudar muito naquele campo.

Por oportuno, lembramos que a escova de dente chegou em Feira no fim da década de 30. O campo da higiene foi outro que coube aos primeiros médicos o trabalho da educação. E, para tanto, tinham que descer do seu linguajar clássico para o coloquial do tabaréu da região.

Agora me lembrei de uma estória, contada por meu avô, acontecida aqui em Feira quando Dr. Remédios Monteiro começou a clinicar.

Segundo ele, existia um fazendeiro na região que, apesar de rico, era muito ignorante. Desejando educar a filha única (Mariinha), mandou-a para um colégio em Salvador donde, tempos depois, voltou professora.

Ao regressar da capital, encontrou sua mãe doente. Perguntando ao pai pela doença da sua genitora, o velho respondeu sem titubear: – “Tá cum tumô na bunda.”

Ela, então, aconselhou levá-la imediatamente ao médico.

Enquanto preparavam o carro de boi para levá-la deitada, a moça chamou o pai em particular e recomendou: – “Quando o senhor chegar ao médico, não fale em tumor na bunda. Diga: tumor nas nádegas.” – Com um pouco de dificuldade, o velho entendeu que a palavra “bunda” era, então, indecente.

Depois de algumas horas de viagem, chegaram ao consultório do médico, que mandou o casal entrar. A moça preferiu ficar do outro lado do cubículo, o qual era dividido por tábuas de meia altura.

Inicialmente, o Dr. Remédios perguntou ao velho o que havia com sua esposa, e ele disse que ela estava com tumor… como não conseguiu lembrar das nádegas, pôs a cabeça sobre o tablado e perguntou em voz alta: –

“Mariinha!!! como é mesmo o apelido que você botou na bunda de sua mãe?”.

*Adilson Simas é jornalista.

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