Ex-presidente Lula no Rio de Janeiro: “perceberam que, na política, é difícil me derrotar”

Artistas e intelectuais se reuniram para demonstrar solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indignação frente aos ataques à democracia e ao direito de o povo escolher seu futuro nas urnas.

Artistas e intelectuais se reuniram para demonstrar solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indignação frente aos ataques à democracia e ao direito de o povo escolher seu futuro nas urnas.

A máxima de que o artista vai onde o povo está se concretizou na forma de um emocionante ato realizado na última terça-feira (16/01/2018) no Rio de Janeiro, onde intelectuais, atores, escritores, cineastas e diversos artistas manifestaram seu apoio ao ex-presidente Lula.

O tom do encontro resume-se na letra de “Virada”, cantada por Beth Carvalho bem acompanhada por Noca da Portela:

“O que adianta eu trabalhar demais se o que eu ganho é pouco?
Se cada dia eu vou mais pra trás nessa vida, levando soco?
E quem tem muito tá querendo mais
E quem não tem tá no sufoco?
Vamos lá, rapaziada, tá na hora da virada, vamos dar o troco!
Vamos botar lenha nesse fogo, vamos virar esse jogo que é jogo de carta marcada.
O nosso time não está no degredo
Vamos à luta sem medo
Que é hora do tudo ou nada!”

A senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o embaixador Celso Amorim, além do Líder do PT no Senado, Lindbergh Farias e a deputada Benedita da Silva prestigiaram o encontro, que recebeu nomes como Beth Carvalho, Nelson Sargento, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, MC Martina e MC Brenda, Sílvio Tendler, Eric Nepomuceno, Emir Sader, Márcia Tiburi, Gregório Duvivier, Guilherme Boulos, Bemvindo Siqueira, Osmar Prado, Tonico Pereira e Aderbal Freire-Filho.

“Não estou aqui em defesa de um ser humano, mas de um país e de todas as pessoas que são presas injustamente!”, resumiu o ator Gregório Duvivier. “Eu quero votar para presidente! A defesa do Lula é uma volta às diretas porque é dizer: eu é que quero decidir em quem eu posso votar, e não um juiz!”

Nesta quinta-feira (18), um novo encontro de Lula com intelectuais e artistas acontece na Casa Portugal, às 19h, em São Paulo.

Usando uma camisa que levava estampada o rosto do ex-presidente, o ator Osmar Prado se emocionou ao subir ao palco para a sua fala. “Nós, atores, somos um pouco covardes, porque nos escondemos atrás de um personagem. Mas, neste momento, tenho que abrir meu peito e ser o mais sincero possível, ter consciência de saber o motivo de estar aqui”, afirmou.

“Isso tudo está sendo orquestrado porque, para eles, é preciso destruir o legado do PT e do presidente Lula, e isso nós não podemos permitir!”

Lembrando o quanto é importante conhecer a miséria, a fome e a injustiça, a poetisa Elisa Lucinda fez uma fala conclamando a resistência:

“Eu fico feliz de ver tantas pessoas aqui porque tenho a experiência de um governo de inclusão. E essa onda conservadora que está aí agora não consegue oferecer isso! Nós temos um compromisso com a esperança, com dar rumos a este país, que vinha no caminho certo até ser vítima deste golpe!”

Cadê a prova?

O líder do MTST Guilherme Boulos fez questão de destacar o despudor da perseguição que está sendo feita contra o ex-presidente. “Contra Temer, há provas, e ele está no Planalto. Contra Aécio, há provas, e ele está no Senado. Contra Lula, não tem provas. É uma condenação indigna!”

Ele reforçou que a tentativa de impedir a candidatura do ex-presidente é um ataque frontal aos direitos do povo: “Para defender Lula, não é preciso defender seu programa integralmente, nem estar 100% sintonizado com seu partido. Defender Lula é questão de defender a Constituição brasileira!”

Falando sobre o processo que é movido contra o ex-presidente, o advogado e professor de Direito Penal Fernando Hideo Lacerda fez questão de destacar que a perseguição que hoje testemunhamos, com uma sentença sem provas e cheia de arbitrariedades, “não é coisa pontual de um tribunal ou de um juiz”:

“No autoritarismo no século 21, não cabe o peso do fuzil, como no dos anos 20. O peso do fuzil foi substituído pelo peso do martelo. O peso da toga substituiu o peso da farda. O autoritarismo contemporâneo escolhe para quem vale ou não o Direito.”

Presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffmann reiterou que a denúncia que está sendo cometida contra Lula não é retórica política do partido ou da esquerda. “Isso está num livro escrito por 122 juristas de renome internacional que dizem que a sentença do Moro não tem base jurídica”, reforçou.

Demonstrando seu orgulho por estar ao lado de Lula, o senador Lindbergh Farias mandou um claro recado para os que tentam criminalizar a atuação e a militância do Partido dos Trabalhadores.

“A gente radicaliza no posicionamento porque temos que ter direito à indignação! É uma injustiça contra um inocente, contra a vontade do povo! Essa gente quer tirar do povo o direito do julgamento político, mas eles que julguem na Justiça dentro dos parâmetros legais. O julgamento político deve ser feito pelo povo brasileiro nas urnas!”

“Eu tenho um recado para a Rede Globo: É de causar indignação abrir o jornal e dizerem que o que quer que aconteça em Porto Alegre é responsabilidade do PT. Eu quero dizer em alto e bom som: eu acuso e ponho a responsabilidade na Rede Globo por esse golpe que está colocando este país nesta situação. Eu acuso e responsabilizo!”

“Eles não precisam ter medo, porque nós nunca fizemos atos agressivos. Mas sabemos ser agressivos na nossa luta para não tirar os direitos do povo! Esse ato comprova exatamente isso, e teremos muitos outros para mostrar que nós não seremos mansos”, afirmou Gleisi.

“Nós estávamos vivendo um momento irrealista neste país quando participei da Constituinte de 1988, e eu não imaginava que a gente fosse voltar a ter um golpe no país”, disse o ex-presidente Lula na abertura de sua fala.

“Nós estávamos anestesiados. A gente gritava ‘ Fora Temer’ e ‘ Não ao golpe’, mas construíram maioria e deram um golpe na Dilma. Colocaram o Temer, e ainda não tinha passado o efeito da anestesia. Somente agora ele está passando, e a terra prometida é uma terra pior do que aquela que eles anunciavam.”

Lula avalia que a máxima de que é mais fácil destruir do que construir resume a situação atual da política no país. “Em pouco tempo, criaram animosidade na sociedade, um clima de ódio e rivalidade, como se dois torcedores de times diferentes não pudessem ir ao mesmo teatro, ao mesmo cinema, à mesma praia.”

“O Lula precisa ser extirpado, porque não adiantou tirar a Dilma. Quando a gente vê as pesquisas, não aparece o Alckmin, não aparece o Temer, não aparece o Merval, não aparece o Hulk, não aparece o Serra, não aparece o que eles queriam que aparecesse. Que desgraça (para eles) fazer tudo isso e aparecer um Bolsonaro do lado deles! Será que eles não pensaram que ao extirpar Lula e Dilma, tirar o PT, ia aparecer uma coisa tipo Bolsonaro?˜

“Perceberam que, na política, é muito difícil me derrotar. Por mais que nos batessem, havia na sociedade a compreensão de ter vivido um país melhor, experimentado um momento de ascensão social, perceber que é possível chegar na universidade um negro, um pobre, ter coisas mínimas que em qualquer sociedade as pessoas têm que ter.”

Quando tentam inventar crimes que nunca existiram, a sociedade brasileira sabe a verdade. É por isso que essa perseguição é a única forma vista pelos golpistas de impedir a candidatura, avalia o ex-presidente.

“Eu não estou dando a minha vida para ser candidato. Não acredito nessa ideia de ser humano insubstituível, não acredito nesse ser superior. A democracia é o melhor regime político. Então eu não quero ser candidato, eu quero provar a minha inocência!”

A falta de provas é evidência de que a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Moro mentiram, afirma Lula. “Mas, se eles estavam acostumados a lidar com político que tem medo, que roubou e fica com o rabo preso, eles estão lidando com um ser humano diferente. Para mim, a honra vale muito e, depois de assumir um compromisso com vocês, com a classe trabalhadora, eu não iria roubar um apartamento de 500 mil reais quando eu poderia ter um apartamento cheio de malas de dinheiro.”

“Eu prefiro morrer do que mentir. Eu não tenho o direito de mentir para vocês. Eu já provei a minha inocência, agora provem a minha culpa”, disse.

Sobre o julgamento em segunda instância que ocorrerá no próximo dia 24 em Porto Alegre, Lula disse: “Eu estou com a consciência limpa de quem espera que o Tribunal leia os autos do processo, a sentença e, com base no que está escrito, tome a sua decisão. A única coisa que peço é que não tentem tomar decisões políticas para me condenar. Se juntar todos os delegados que fizeram inquérito comigo, os procuradores, o Moro, e fundir todos, não vai dar um cara honesto como eu.”

Lembrando a inauguração do campo de futebol Dr. Sócrates Brasileiro, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema, em São Paulo, Lula demonstrou seu bom humor de sempre. “Aquele futebol era uma demonstração de que o velhinho sabe jogar!”, brincou o ex-presidente que sempre andou de cabeça erguida, e assim seguirá.

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