Ex-presidente Lula em Porto Alegre: “Não estou preocupado comigo, mas com o Brasil”

Lula: Um dia, vamos provar que é possível construir um país diferente, que gere empregos formais, com documentos, em que as pessoas possam ter aumento de salário. Eu não posso me conformar com o complexo de vira-lata que tomou conta do nosso país.

Lula: Um dia, vamos provar que é possível construir um país diferente, que gere empregos formais, com documentos, em que as pessoas possam ter aumento de salário. Eu não posso me conformar com o complexo de vira-lata que tomou conta do nosso país.

Um dia antes do julgamento em segunda instância pelo TRF-4, o ex-presidente foi à capital gaúcha para agradecer a solidariedade de milhares de militantes.

A presença do ex-presidente Lula foi um marco de esperança e ânimo para a militância que enche as ruas de Porto Alegre nesta semana de lutas que antecede o julgamento em segunda instância no TRF-4 na capital gaúcha.

Após ter sua presença confirmada na segunda-feira (22/01/2018), Lula fez questão de realizar um ato no centro histórico da cidade para agradecer a aguerrida militância que tem feito inúmeras demonstrações de solidariedade nos dias que antecedem a sessão.

Além de um acampamento organizado pelo MST diante do tribunal, caravanas de todo o país encheram os hotéis da cidade de homens e mulheres que participaram de atividades culturais, seminários com juristas e especialistas internacionais, comitês populares e atos em denúncia dos absurdos jurídicos em que se baseia a sentença do juiz Sérgio Moro e à tentativa golpista de tirar do povo o direito de escolher nas urnas o Brasil que quer para si.

“Eu não vim falar do meu processo na Justiça, porque eu tenho advogados competentes que já provaram minha inocência. Porque acredito que aqueles que vão votar têm que se ater aos autos do processo. E porque eu tenho vocês. Com vocês eu convivo há mais de 40 anos e vocês sabem da minha inocência”, iniciou o ex-presidente.

“Um dia, vamos provar que é possível construir um país diferente, que gere empregos formais, com documentos, em que as pessoas possam ter aumento de salário. Eu não posso me conformar com o complexo de vira-lata que tomou conta do nosso país. Eu não posso me conformar com uma elite subalterna e subserviente, uma elite perversa que foi a última a acabar com a escravidão.”

Cercado por 80 mil pessoas que ocupavam as ruas para demonstrar sua solidariedade, Lula brincou sobre a vontade de falar olhando nos olhos de cada uma das pessoas que o rodeavam.

“Talvez isso seja para quem está acostumado a trabalhar em ‘caldeirão’”, disse, arrancando risos do público. “A verdade é que eu, falando aqui, converso com a direita, com a esquerda, com o pessoal de trás e com o pessoal da frente.”, brincou.

Lula voltou a criticar as atitudes da imprensa brasileira, que não tem compromisso com a verdade, não tem respeito com as famílias, com as crianças, e que faz de tudo para se proteger escondendo o que lhe convém. “Tem o ‘New York Times’ de hoje, que traz matérias que a imprensa brasileira não tem coragem de divulgar, que a imprensa covarde do Brasil não tem coragem de produzir.”

O ex-presidente reforçou que não está preocupado com o seu caso. “Não estou preocupado comigo, estou preocupado com o que está acontecendo o povo brasileiro. Acabaram com o dinheiro da ciência e tecnologia, estão desmontando as Escolas Técnicas, acabando com a Lei da Partilha, com a Petrobras.”

“Eu duvido que os jornalistas que escrevem mentiras a meu respeito, que o William Bonner durma todos os dias com a consciência tranquila que eu durmo. Porque eu sei que eu não cometi crime nenhum, mas ele sabe que está mentindo.”

Nenhum país consegui se desenvolver sem antes investir em educação. É por isso que, na época da descoberta do pré-sal, houve a preocupação de garantir royalties para o setor. “Este país é tão hipócrita que a elite trata o dinheiro para a educação como gasto. Faço questão de dizer que meu compromisso é proibir que se fale em gasto quando o assunto é educação.”

Enquanto o país é destruído por um projeto golpista rejeitado nas urnas, a imprensa brasileira tenta passar a ideia de um crescimento econômico que é irreal. “Se alguém sabe cuidar do Brasil, do povo brasileiro, somos nós. Fizemos tudo? Não. Erramos? Erramos. Mas porque somos seres humanos. Há muito tempo este país não vivia autoestima, a crença na qualidade de vida, como nos nossos governos.”

A ascensão do povo pobre foi o “crime” pelo qual a elite não perdoou Lula. “A doença que inventaram chamava Dilma, Lula, PT, esquerda. Fizeram uma cirurgia para tirar Dilma, agora estamos acordados. A doença que tentaram tirar foi substituída por uma pior, que é a doença que não traz mais sonhos para o povo.”

“Só uma coisa vai me tirar das ruas desse país e será no dia que eu morrer. Até lá estarei lutando por uma sociedade mais justa. Qualquer que seja o resultado do julgamento, eu seguirei na luta pela dignidade do povo desse país.”

Além de agradecer o apoio dos militantes e movimentos sociais que tomaram as ruas de Porto Alegre, o ex-presidente, que anunciou que pretende realizar a próxima caravana Lula pelo Brasil pela região Sul, se dirigiu ainda aos companheiros da Argentina, do Uruguai, da Itália, de Portugal, da República Dominicana e da Venezuela que estavam presente.

Juntos no palco, os líderes do PT na Câmara e no Senado, Paulo Pimenta e Lindbergh Farias se posicionaram em nome das bancadas que nunca baixaram a cabeça para defender a democracia. “Não aceitamos que um juiz de Primeira Instância persiga o Lula com o apoio da Globo, do Dallagnol. Vocês serão julgados pela História por isso!”, afirmou Pimenta.

“Tenho certeza de que este movimento vai se alastrar pelo Brasil inteiro para defender a democracia brasileira. Eles estão assustados porque o plano deles deu errado: toda pesquisa que fazem o Lula só sobe!˜, completou Lindbergh.
“Vamos mobilizar toda a sociedade civil para que Lula seja candidato. Só a soberania popular pode julgar lula”, resume Tarso Genro. “Julgar Lula, sendo ele inocente, é a possibilidade que eles têm de acabar com a democracia no Brasil. Nós queremos que Lula seja julgado pelo povo nas urnas. Lugar de política é nas urnas, e não no Poder Judiciário”, resumiu a deputada do PCdoB Manuela D’Ávila.

“Hoje, Porto Alegre é a capital da resistência democrática contra uma farsa judicial que está cada vez mais evidente. Por isso, demonstrações de força como a de hoje são fundamentais. Vamos seguir firmes na resistência pelo direito de Lula ser candidato e pela democracia”, afirmou Guilherme Boulos.

Para o senador Roberto Requião (PMDB), o ato desta terça representa um tribunal popular que fala, em alto e bom som, por si só. “O TRF-4 não tem nada a ver com os nossos desígnios e nossas vontades. O Tribunal será julgado pela História!”

A presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff deixou claro que não há plano B para quem acredita na inocência de Lula. “O primeiro ato do golpe foi o meu impeachment. O segundo ato é um governo sem legitimidade executando a política de retirada de direitos. O terceiro, é impedir que Lula seja candidato.”

“Nós estamos em um momento histórico de encruzilhada”, defendeu a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann. “Querem fazer eleição sem um componente progressista e popular. Querem eleição entre eles. Essa sentença envergonha o Brasil e o mundo. Do nosso lado, estão grande juristas brasileiros e internacionais.”.

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