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Comunidades pobres estão perdendo terras para a Coca-Cola e PepsiCo | Por Sérgio Jones

Cartaz alerta para atuação da Coca-cola, PepsiCo e ABF.

Cartaz alerta para atuação da Coca-Cola, PepsiCo e ABF.

A crise global, que se estende na atualidade, não tem precedentes ao longo de toda a sua história. Segundo denúncia feita após a realização de uma exaustiva pesquisa elaborada pela Oxfan Internacional, entidade atuante em mais de 100 países, constatou que a Coca-Cola e a PepsiCo estão envolvidas em disputas de terra, em que a confederação internacional alega que cerca de 800 negócios vêm sendo realizados em grandes extensões de terras por parte de investidores estrangeiros que abrangem 33 milhões de hectares, toda esta área, tomada como propriedade corporativa globalmente desde 2000.

Dentre estes detalhes, a pesquisa destaca também supostas disputas com a gigante dos alimentos britânica ABF – em que afirma que comunidades pobres do Brasil ao Camboja estão perdendo as suas casas para dar lugar a lucrativas plantações de cana-de-açúcar para alimentar a crescente e insaciável “fome de açúcar” dos países desenvolvidos.

A diretora de campanhas da Oxfam, Sally Copley foi firme ao fazer a seguinte observação: “Precisamos ter certeza de que o que comemos e bebemos não faz com os mais pobres e mais vulneráveis de todo o mundo se tornem sem-teto ou sem-terra. A PepsiCo, a Coca-Cola e a ABF são as três grandes gigantes da indústria do açúcar e devem liderar o caminho para garantir que não fiquemos com um gosto amargo nas nossas bocas”.

O crescente apetite por açúcar tem sido amplamente ignorado como um fator que contribui para o roubo de terras no mundo em desenvolvimento. Isto ocorre quando as comunidades locais que dependem da terra são despejadas sem consentimento ou compensação – muitas vezes violentamente – para dar lugar a plantações de cana-de-açúcar.

A Oxfam garante que as disputas de terras ocorrem principalmente com as empresas que fornecem açúcar para a Coca-Cola, incluindo a Coca-Cola, Sprite, Fanta e Dr Pepper. Os produtos da PepsiCoenvolvidos incluem Pepsi-Cola e Mountain Dew.

O relatório da entidade cita um exemplo ocorrido com uma comunidade específica de pescadores do estuário de Sirinhaém no Brasil que está lutando para reaver o acesso à sua terra depois de terem sido violentamente expulsos para dar lugar a uma usina de açúcar. O mesmo ocorre no sudoeste do Brasil, ativistas no Mato Grosso do Sul estão lutando contra a ocupação de suas terras por uma plantação de cana-de-açúcar para abastecer uma usina de propriedade da Bunge.

A Oxfam também detalha ligações em relatos da mídia entre a ABF e casos de conflitos de terra em outros países como Mali, Zâmbia e Malawi. Embora um dos porta-vozes da empresa da ABF, tenha argumentado, través de sua subsidiária africana Illovo, que sempre foi extremamente sensível a questões referentes à posse das terras (…) Em todas as suas operações na África, a Illovo tem sido escrupulosa na sua abordagem à propriedade das terras”.

No caso do Brasil, a constituição garante que a terra por se tratar de um bem da União é inalienável e indisponíveis. Mas não é o que deixa transparecer quando se trata de especulação financeira, que ocorre sempre de forma violenta e criminosa.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista ([email protected]).

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