Salvador: espetáculo de rua Auto da Barca de Camiri abre II FESTAC

Cena do espetáculo Auto da Barca de Camiri.

Cena do espetáculo Auto da Barca de Camiri.

Primeiro espetáculo de rua da Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha, Auto da Barca do Camiri abre o Festival Estudantil de Artes Cênicas (FESTAC) nesta sexta-feira (08/12/2017), às 17 horas, na Praça do Campo Grande, em Salvador. Com dramaturgia da renomada dramaturga e critica paulista Hilda Hilst, a peça marca a estreia dos artistas Vinicius Bustani e Erick Saboya na função de direção e retrata a elaboração de um processo investigativo sobre um misterioso homem que muitos declaram ter poderes milagrosos.

Escrita em 1968, a montagem é um marco para o programa de formação de atores e atrizes do Vila. Na peça, o auto e produzido por dois juízes da capital que chegam a uma cidade do interior e recebem testemunhas que afirmam ter presenciado, ou não, feitos extraordinários oriundos do tal ‘Homem dos Milagres’. A autora Hilda Hilst se inspirou na morte do revolucionário Che Guevara no mesmo ano que a dramaturgia foi escrita.

“Esse homem que ninguém sabe e ninguém vê representa o espírito revolucionário do povo”, explica Vinicius Bustani, que, enquanto integrante da LIVRE, protagonizou montagens como ‘Hamlet’ e ‘Sete Contra Tebas’, dirigidas por Marcio Meirelles, e retornou recentemente de estágio no Théâtre du Soleil (França).

“A gente se inspirou muito no Teatro do Oprimido [método criado pelo teatrólogo Augusto Boal], no teatro como uma arma política, ideológica e social. A nossa proposta foi unir o ideal socialista da Hilda com o pensamento dessas correntes de teatro social e jogar isso para o público, não para o privado”, conta Erick Saboya, que venceu em 2014 a categoria especial do Prêmio Braskem de Teatro pela cenografia da peça ‘A Bunda de Simone’ e assinou, já em 2017, os cenários das peças ‘A Besta’ e ‘Luzes da Boemia’, da Livre, além das cerimônias de entrega do Prêmio Braskem de Teatro e do Prêmio Caymmi de Música.

Neste trabalho, a rua é cenário e também laboratório de pesquisa e experimentação. “Estar na rua é uma experiência única. Pensamos em como ser receptivos para transformar cada estímulo, formatando uma proposta que usasse a própria realidade como um modo de construir uma vivência estética. Inclusive a cenografia, aqui, é uma resposta ao meio, uma tentativa de pensar uma cenografia que tirasse partido desse estímulo que já existe, daquilo que é real e está”, comenta Erick, ao acrescentar que foram dois meses de intenso trabalho, o que possibilitou um processo para interferências da cidade e seus personagens.

Durante a temporada, as intervenções na rua acontecem antes mesmo do início do espetáculo. “Antes da apresentação, acontece o que chamamos de ‘ato poético’. Os atores chegam cerca de 1 hora antes, se dispersam e cada um escolhe um ponto no espaço para se instalar, iniciando uma performance que tem como objetivo instaurar a presença e começar a construir o personagem. Eles vão recebendo as pessoas que chegam, causado um estranhamento.”, adianta Vinicius Bustani. Depois do ‘ato poético’, os personagens se reúnem para o início da peça.

Para Saboya, a participação do projeto Auto da Barca de Camiri em festivais de teatro é uma poderosa plataforma para o alcance de um público mais ampliado, além de existir todo um apoio na realização e produção das apresentações, especialmente, “nós que fazemos na rua e exige uma série de cuidados especiais, além de contar com uma divulgação mais abrangente”.

O projeto conta com um “time da pesada” de colaboradores: Edson Migracielo, como dramaturgista; Vanda Cortez, no treinamento de rua; Ian Cardoso, como diretor musical; Tiago Ribeiro, na criação do design das máscaras; além da participação do diretor Daniel Guerra, como consultor, e de Bia Simões, Carla Leite e Ariel Oliveira na preparação física e corporal dos atores.

FESTAC

O Festival Estudantil de Artes Cênicas (FESTAC) chega ao seu segundo ano querendo discutir como é criar, produzir e gerir montagens cênicas dentro das escolas secundaristas e universidades de Artes Cênicas baianas. Em 2017, o festival realizado numa parceria entre os coletivos teatrais COATO e COOXIA, e a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (ETUFBA) ocorre entre os dias 08 e 17 de dezembro, em vários espaços culturais da cidade e ocupando ruas do centro soteropolitano.

Ao todo, serão apresentados 12 espetáculos da capital e do interior do Estado (Feira de Santana, Ilhéus, Jequié e Santo Antônio de Jesus); Mesa de Debate: Gerir Resistência, sobre sustentabilidade e manutenção de festivais universitários; e um Workshop de Crítica Cultural com profissionais da Revista Barril.

O II FESTAC tem o apoio financeiro do Calendário das Artes 2017, edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), Governo do Estado da Bahia; e do Programa de Extensão Universitária, da Universidade Federal da Bahia (PROEXT/Ufba).

Ficha Técnica

Texto: Hilda Hilst

Direção: Erick Saboya Bastos e Vinicius Bustani

Dramaturgista: Edson Migracielo

Direção Musical: Ian Cardoso

Treinamento de Rua: Vanda Cortez

Consultoria cênica: Daniel Guerra

Produção de cenografia: Igor Araujo Liberato

Design de máscaras: Tiago Ribeiro

Preparação corporal: Bia Simões, Carla Leite e Ariel Oliveira

Assistente de direção musical: Bruno Torres

Assistente de dramaturgista: Clara Romariz

Assistentes de cenografia: Gilberto Reys, Camila Castro, Renato Lessa

Assistentes de produção: Lene Nascimento e Amanda Cervilho

Elenco: Clara Romariz, Bruno Torres, Rodrigo Lelis, Camila Castro, Lavínia Alves, Igor Nascimento, Lene Nascimento, Beatriz Almeida, Milena Nascimento, Adriana Leite, Renato Lessa, Gilberto Reys, Amanda Cervilho e Iracema Vilaronga

Produção: Universidade Livre do Teatro Vila Velha

Agenda

Quando: 8 de dezembro (sexta-feira), às 17 horas

Onde: Praça 2 de Julho, s/n – Largo do Campo Grande, Salvador

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