O Almirante Tamandaré e o 2º Distrito Naval | Por Baltazar Miranda Saraiva

Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré foi um militar da Armada Imperial Brasileira que atingiu o posto de almirante. É o patrono da Marinha de Guerra do Brasil e o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.

Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré foi um militar da Armada Imperial Brasileira que atingiu o posto de almirante. É o patrono da Marinha de Guerra do Brasil e o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.

Possuidor de uma alma demasiadamente forte, nada o fazia retroceder em seu sonho luminoso de servir ao Brasil como marinheiro. Soberbo, desafiador e augusto, sempre se viu embalado pelo hino triunfal das batalhas. Esse brasileiro, de família humilde, nasceu em 13 de dezembro de 1807, na cidade de Rio Grande, Rio Grande do Sul, cuja data, no Brasil inteiro, se comemora como o Dia do Marinheiro.

Aos treze anos de idade, alistou-se como voluntário na Marinha do Brasil, onde iniciou carreira como praticante de piloto na Fragata ‘Niterói’, sob o comando de John Taylor. Nesse posto tomou parte em vários combates navais no litoral da então Província da Bahia, inclusive na perseguição à força naval portuguesa que se retirava em 1823.

Seu nome: Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré. Tomou parte na campanha pela consolidação da Independência. Em seguida, foi matriculado na Academia Imperial; porém, antes de concluir o curso, seguiu para combater na revolta conhecida como ‘Confederação do Equador’. Seu desempenho foi tão destacado que o Imperador o promoveu ao posto de Segundo Tenente, o que lhe facultou alcançar o oficialato.

Posteriormente, participou da Guerra Cisplatina, onde se distinguiu, recebendo seu primeiro comando de navio aos 18 anos de idade. Participou de vários movimentos internos. Seu heroísmo foi provado não só em batalhas, mas também em época de paz, como quando salvou a nau portuguesa ‘Vasco da Gama’, que afundava, e também a tripulação e os passageiros de um navio inglês que se incendiava.

Em 14 de março de 1860, Joaquim Marques Lisboa recebia o título de ‘Barão de Tamandaré’. Em 1864, começa a mais longa das guerras, travadas com o Brasil, a ‘Guerra do Paraguai’. O comandante elabora minuciosamente o plano de ataque. No dia 9 de janeiro de 1867, o Barão de Tamandaré recebe o mais alto posto da Marinha ‘Almirante Tamandaré’. No dia em que completou 80 anos recebeu o título de ‘Conde’ e depois é elevado a ‘Marquês’, recebendo também a ‘Ordem da Rosa’. Foi Ministro do Supremo Tribunal Militar, do qual aposentou-se pouco antes de morrer.

A data de seu nascimento é comemorada como o Dia do Marinheiro. Nesse dia se homenageia a digna e honrosa profissão de marinheiro, cuja vida, em sua maior parte, é passada nos rios e oceanos, defendendo a soberania do Brasil.

Tamandaré é herói de guerra do Paraguai e patrono da Marinha. A data do seu nascimento representa o dia em que o Brasil presta suas homenagens aos homens e mulheres do mar, que, qual cisne branco em noite de lua, vão deslizando por nossos verdes mares, neles flutuando, de norte a sul.

O contexto do momento é distinto. Os desafios são outros, mas o dignificante exemplo de Tamandaré, esse insigne brasileiro, que se dedicou a servir à Pátria com destemor, lealdade e ética, tornou-se um modelo para os homens e mulheres que compõem a Força, permanente e atual.

Sua ligação com a Bahia é histórica. No ano de 1837 arrebentou na Bahia a Sabinada. Tamandaré embarcou na corveta Regeneração para servir na Divisão Naval aqui estacionada. Passou a comandar outra corveta, a Dezesseis de Março, na mesma data do nome da embarcação, no ano de 1838, e dela desembarcou pouco depois, em 18 de maio, ocasião de seu desarmamento.

Quando se encontrava em Salvador, em companhia de seu colega o tenente Moreira Guerra, foi surpreendido com uma rebelião em terra, e ardilosamente conseguiram tomar uma canhoneira dos revoltosos, sem dar um único tiro, e foram ao encontro da esquadra imperial que se encontrava fundeada na Baia de Todos os Santos.

A Cerimonia Militar alusiva ao ‘Dia do Marinheiro’, inclusive com homenagens a diversas autoridades, na Bahia, ficou a cargo do 2º Distrito Naval, comandado pelo Vice-Almirante Almir Garnier Santos, que celebrou o evento no Forte de Santo Antônio da Barra (Farol da Barra), presidindo a solenidade em sua área de jurisdição, com mais de 1.100.000 km², englobando os estados da Bahia, Sergipe, norte de Minas Gerais e sudoeste de Pernambuco. A leste, a área possui mais de 1200 Km de confrontação com o Oceano Atlântico e, a oeste, é cortada pelo Rio São Francisco, desde Pirapora, em Minas Gerais, até Paulo Afonso, em nosso Estado.

Os baianos têm um carinho todo especial por seus marinheiros. Não foi sem razão, pois, que nosso grande escritor, Jorge Amado, contou a história de Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo curso, no famoso romance ‘Os velhos marinheiros’, que desembarcou em Periperi, fardado de marinheiro e cheio de mapas, cachimbo e telescópio, que viraram atrações em todo o nosso litoral.

Aqui na Bahia há a tradição dos marinheiros da umbanda, que são homens e mulheres que, quando encarnados, de alguma formam se relacionam com o mar. Segundo a lenda eles levam todos os males para as ondas do mar e, por esse motivo, são considerados os Exus da calunga grande, nos quais temos o mar imenso, domínio da Grande Mãe, Senhora de Iemanjá.

Esses marinheiros também trabalham na linha da rainha do mar (Iemanjá), trazendo mensagens de esperança e força para os baianos. Seu trabalho é realizado em descarrego, consultas e passes no desenvolvimento dos médiuns e em outros trabalhos envolvendo demandas. O interessante é que esses marinheiros se apresentam cambaleantes, simbolizando o balanço do navio, flutuando sobre as ondas do mar.

Diante de tantos simbolismos, presentes nas narrativas dos poetas, cantores e escritores baianos, não podemos deixar de registrar que, neste dia 13 de dezembro, nos mares de Iemanjá, rainha do mar, o novo capitão de longo curso é o Vice-Almirante Almir Garnier Santos, que, tal qual Tamandaré, de família humilde, ingressou na Marinha praticamente com a mesma idade, e em cuja pessoa homenageamos todos os marinheiros da Bahia e do Brasil, em seu dia festivo e histórico, dia de Joaquim Marques Lisboa, Almirante Tamandaré, ‘o velho marinheiro’.

*Baltazar Miranda Saraiva é Desembargador, membro da Comissão de Igualdade do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ/BA), Membro da ABI – Associação Bahiana de Imprensa, Membro da SOAMAR – Sociedade Amigos da Marinha e Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES).

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