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‘Mídia, Estado e Sociedade na Bahia, Brasil’, estudo de Julián Durazo Herrmann revela como a concentração midiática através da Rede Bahia transformou ACM em exemplo de coronelismo eletrônico

A partir do GolpeCivil/Militar de 1964, a Família Magalhães expandiu poder político com uso do poder midiático.

A partir do GolpeCivil/Militar de 1964, a Família Magalhães expandiu poder político com uso do poder midiático.

Publicado, em 2016, no periódico científico quadrimestral ‘Brazilian Journalism Research’ (BJR), cuja propriedade é da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), o artigo ‘Mídia, Estado e Sociedade na Bahia, Brasil’, de autoria de Julián Durazo Herrmann, aborda a perspectiva Estado-sociedade no estudo da função da mídia nos processos subnacionais de democratização.

A pesquisa realizada por Herrmann ocorreu na Bahia. Ela aborda a propriedade da mídia, acesso social aos meios de comunicação, autonomia política da mídia perante o Estado e outros atores sociais, assim como a forma que toma a solução dos conflitos entre o mandato público e o interesse privado da mídia.

Julián Durazo Herrmann afirma que Antonio Carlos Magalhães (ACM, Salvador, 4 de setembro de 1927 — São Paulo, 20 de julho de 2007) se constitui, na Bahia, entre as décadas de 1970 e 1980, em espécie de ‘coronel eletrônico’ e que essa herança do magalhismo foi transmitida para os descendentes, ACM Junior e ACM Neto, perpetuando o poder político da família, através do uso concentrado do poder midiático.

Dentre as conclusões, o pesquisador infere que:

— Durante todo o século XX, a concentração da mídia foi importante na Bahia, onde uns poucos jornais (como A Tarde e o Correio) dominavam a paisagem midiática. O sistema midiático atual emergiu nos anos 1970 e 1980, com a aparição e consolidação de Antônio Carlos Magalhães (ACM) como chefe político da Bahia. ACM investiu grandes recursos na mídia para desenvolver mais um canal de expansão de sua influência política, criando assim a Rede Bahia (DANTAS NETO, 2006 apud HERRMANN, p. 103, 2016).

— Limitada no início, a influência midiática de ACM cresceu com a sua nominação como ministro das Comunicações em troca de seu apoio ao governo do presidente José Sarney (1985-1990, primeiro governo civil após o regime militar). Essa posição lhe permitiu controlar as concessões de radiodifusão, que utilizou politicamente com o objetivo expresso de construir alianças, na Bahia e no Brasil afora (MAGALHÃES ET AL., 1995; TEIXEIRAGOMES, 2001 apud HERRMANN, p. 103, 2016). Apesar da incerteza legal dessas concessões, elas nunca foram revisadas nem revogadas. Além disso, o direito à informação estabelecido na Constituição federal de 1988 nunca foi regulamentado. (HERRMANN, p. 103, 2016)

— O peso midiático da Rede Bahia cresceu com a aquisição de novos canais de rádio e televisão e com o desenvolvimento de serviços editoriais e de internet. ACM se tornou, assim, um exemplo claro de coronelismo eletrônico (SANTOS 2008; LIMA 2015). Após sua morte em 2007, o conglomerado ficou nas mãos da sua família sob a direção de seu filho, ACM Jr. (HERRMANN, p. 103, 2016)

— A Rede Bahia é agora um dos maiores conglomerados midiáticos subnacionais do Brasil e controla o Correio — maior jornal do estado —, uma dúzia de canais de rádio e TV em todo o estado e, o mais importante, é a repetidora exclusiva de Rede Globo — maior conglomerado midiático do Brasil, mas impedido de ter presença direta na Bahia pelo Código de Telecomunicações de 1962 (WHITTEN-WOODRING, JAMES, 2012; REDE BAHIA, 2014 apud HERRMANN, p. 103, 2016).

Perfil do pesquisador

Julián Durazo Herrmann é professor de ciência política na Université du Québec à Montréal. Possui doutorado em Política comparativa – McGill University (2006). Tem experiência na área de Ciência Política, com especialidade em política comparativa, com em federalismo e política subnacional em América latina. Sua pesquisa atual examina o papel do clientelismo, do estado de direito e da mídia nas mudanças políticas subnacionais no Brasil e no México. Desde 2016, é presidente da Associação Canadense de Estudos

Baixe

HERRMANN, Julián Durazo. Mídia, Estado e Sociedade na Bahia. Brazilian Journalism Research’ (BJR), V. 12 , N. 2, 2016. 

Confira entrevista em vídeo

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]