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Escola Ruy Barbosa: um marco em Feira de Santana | Por Adilson Simas

Alunos da turma de 1981, concluintes da 4ª série do ensino fundamental da Escola Ruy Barbosa, em Feira de Santana.

Alunos da turma de 1981, concluintes da 4ª série do ensino fundamental da Escola Ruy Barbosa, em Feira de Santana.

Licenciada em Letras, professora aposentada da Uefs e ex-secretária municipal de Educação, Ana Rita de Almeida Neves, em artigo para a edição especial do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana ressalta a importância da Escola Ruy Barbosa criada nos idos de 1945 e exalta a vocação educacional de sua criadora, a professora Valdemira Alves de Brito, carinhosamente chamada de ‘Profª Nena’, nascida nesta cidade em abril de 1918 e que se viva estivesse completaria neste 2018 que se avizinha, cem anos de existência. Vale a pena ler o texto da mestra Ana Rita de Almeida Neves:

“Na época da internet, para que serve o professor?” Esta curiosa pergunta é feita por um estudante ao seu professor numa crônica do italiano Umberto Eco (2007).

No seu texto, Eco observa que, sem dúvida, as informações da internet podem até serem mais amplas e também mais aprofundadas que aquelas apresentadas pelo professor em classe, todavia a internet não ensina como “ligar dados e estabelecer visões sistemáticas entre eles, nem como filtrar; selecionar; comparar; julgar as informações, de modo a aceitá-las ou recusá-las”.

Professora Nena foi a fundadora da Escola Ruy Barbosa

As considerações do professor italiano trouxeram-me à lembrança a Escola da Prof Nena: a Escola Ruy Barbosa, incontestavelmente um marco na história da educação na Princesa do Sertão.

Escola de tradição em Feira de Santana, a Ruy Barbosa apresentava no escudo gravado na camisa da sua farde o slogan: EDUCAR e INSTRUIR.

Se Eco pretendeu fazer seus leitores refletirem sobre a ideia de que não é suficiente o domínio da informação, mas é importante, também – ou sobretudo -, desenvolver competências e habilidades que possibilitem ao sujeito aprendiz saber o que fazer, como lidar com as informações, a Ruy Barbosa no seu slogan, buscava revelar a sua pretensão de EDUCAR, formando, com base em valores firmes, como respeito, disciplina, compromisso, responsabilidade, cidadãos instruídos, contudo capazes de irem além da instrução, da mera aquisição de conhecimentos.

Certamente, por esse esforço de não apenas instruir, mas principalmente educar, a Escola da Profª Nena se fez viva – e viva se mantém – no decorrer das décadas de sua história na educação de Feira de Santana, contribuindo na formação de profissionais que vivificam o desenvolvimento do município e de tantos outros rincões.

Por suas salas de aulas, corredores, pátios, transitaram aqueles que hoje são psicólogos, professores, odontólogos, políticos, juízes, profissionais liberais, médicos, artistas, escritores, advogados, engenheiros, poetas, administradores, economistas, contadores, fisioterapeutas, turismólogos, jornalistas, comerciantes… aqueles que, atuando nas mais diferentes áreas de trabalho, de alguma forma, revelam na sua atuação profissional, muito do que aprenderam com a palavra, com a postura, com as atitudes, com o exemplo da Profª Nena e daqueles  que com ela atuaram na Escola Ruy Barbosa.

Valdemira Alves de Brito – Profª Nena – nasceu em Feira de Santana, em 13 de abril de 1918, formou-se em Professora Primária em 1938, pela Escola Normal de Feira de Santana, que funcionava na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita), no prédio onde hoje funciona o Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA). Por aprovação em concurso público foi designada para lecionar no Município de Maracás/Bahia de onde foi transferida para o Município de Conceição do Jacuípe/Bahia e, depois, para Feira de Santana.

Em Feira, em 1945, na garagem de sua residência, na Avenida Senhor dos Passos, 47, começou a lecionar a um pequeno grupo de crianças. O grupo cresceu com a chegada de mais crianças, e duas professoras foram convocadas: as irmãs Lourdes Santana e Didi Santana, as primeiras professoras contratadas para lecionar na Escola da Profª Nena, cujo nome – Ruy Barbosa – nasceu da votação entre os alunos da época.

A Profª Valdemira Alves de Brito faleceu em 6 de janeiro de 1998. Uma personalidade desta terra formosa e bendita, que marcou a área educacional do seu rincão natal. Atuou na educação por quase seis décadas, sempre com altruísmo, dedicação, responsabilidade, compromisso, firmeza, e – apesar de não gostar de revelar – com um coração sensível, humano, justo, próprio dos que compreendem a educação como direito de todos, como um valor fundamental na vida do ser humano.

Em vida, recebeu, com alguma resistência, homenagem do Rotary Clube de Feira de Santana, e teve, por deferência  do prefeito da época, Dr. Colbert  Martins, seu nome numa Escola Municipal. Em dezembro de 2012, a Câmara Municipal de Feira de Santana concedeu-lhe, em homenagem póstuma, a Comenda Áureo Filho.

Pela Escola Ruy Barbosa continua a transitar por todos os seus espaços, sob a liderança de familiares da Profª Nena, crianças, adolescentes, professores, funcionários, pais, descortinando o mundo, o conhecimento, a vida, EDUCANDO e CONSTRUINDO.

Estudantes, professores, funcionários, pais continuam, como há mais de seis décadas, a fazer valer o ideal de uma mulher determinada, dinâmica, firme, que sabia o valor da disciplina, do respeito, da igualdade, da responsabilidade, uma pessoa humana, sensível, justa: Uma educadora que acreditava na educação, porque acreditava no homem.

Uma educadora que deu o melhor de si pela educação, uma educadora que depositava suas esperanças na educação, porque tinha convicção de que, através da educação, o homem poderia SER MAIS: mais informado, mais competente, mais solidário, mais humano, mais comprometido consigo próprio, com o outro, com a vida, com o mundo. Mais GENTE, mais FELIZ.

É consenso afirmar-se que a educação é o bem maior para o desenvolvimento pessoal e para o desenvolvimento de uma comunidade. Não há crescimento com dignidade sem educação. A Escola Ruy Barbosa é um marco na educação de Feira de Santana.

*Adilson Simas é jornalista.

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