Apesar da crise, investimentos na Bahia crescem 27%, diz secretário estadual Jaques Wagner; em 2017, foram implantados 78 empreendimentos e investidos R$ 4,2 bilhões

Secretário estadual Jaques Wagner visita fábrica do Grupo O Boticário em Camaçari. Economia do estado passa por crescimento, enquanto economia nacional retrocede.

Secretário estadual Jaques Wagner visita fábrica do Grupo O Boticário em Camaçari. Economia do estado passa por crescimento, enquanto economia nacional retrocede.

Apesar da crise econômica e política que atinge o País, os números mostram que 2017 foi um ano de muito bons negócios para a Bahia. Foram implantados 78 empreendimentos que assinaram protocolos de intenções com o Governo do Estado, 14 a mais que em 2016, com um total de R$ 4,2 bilhões em investimentos, um crescimento de 27% em relação ao ano anterior, quando foram investidos R$ 3,3 bi.

Foram assinados 92 protocolos de intenções, com previsão de investimentos de R$ 3,9 bilhões e criação de 11.670 novos empregos. Para 2018, estão previstos a implantação de 170 empreendimentos com investimentos de R$ 10 bilhões e a geração de 15 mil novos empregos.

O segmento de Eletricidade e Gás foi o responsável por 88% dos investimentos com a inauguração de 28 parques de energia eólica e solar com um total de R$ 3,7 bilhões. No próximo ano, estão previstos a implantação de mais 47 parques, uma soma total de R$ 5,4 bilhões, sendo 39 parques de energia eólica, com previsão de R$ 4,5 bilhões e 8 de solar, R$ 870 milhões.

Já o segmento de calçados, couros e componentes é o maior gerador de postos de trabalho e foi responsável pela criação de 1.460 empregos. A consolidação do setor calçadista foi um dos grandes destaques de 2017, que fechou o ano com chave de ouro com a inauguração da Ferracini, na última  segunda-feira (18/12), em Amargosa e a criação de 300 empregos. O setor  promete ainda a criação de 2.240 vagas de empregos para 2018.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, destacou o avanço significativo na questão das energias renováveis. O encaminhamento de soluções para o problema das linhas de transmissão e a renovação de incentivos no âmbito federal para equipamentos de energia foram duas grandes conquistas. Além da retomada dos leilões de energia, que garantem a manutenção do parque industrial baiano. Este ano foram realizados dois certames nos últimos dias 18 (A-4) e 20 (A-6) de dezembro, já para 2018, a data anunciada é 04 de abril.

No leilão A-4 predominou a contratação de empreendimentos de energia solar fotovoltaica sendo comercializadas 20 usinas de energia solar (UES) totalizando 574 MW.  Destas, 4 projetos (112 MW) estão na Bahia. Já o leilão A-6 contratou 63 novos empreendimentos de geração de energia, representando 3.841 MW potência cujos investimentos estão estimados em R$ 13,9 bilhões. Destes 63 projetos, 49 são empreendimentos de energia eólica que serão construído em Estados do Nordeste sendo 4 (108 MW) na Bahia.

“Em 2017, tivemos a alegria de inaugurar os dois primeiros complexos solares no Estado, um no município de Bom Jesus da Lapa e outro em Tabocas do Brejo Velho. Vários parques eólicos também entraram em funcionamento, em especial no semiárido baiano e isso gera emprego e renda na região mais pobre do Estado. A construção e inauguração desses parques são importantes para gerar novos empregos e atividades econômicas. Lembrando que no meio do ano, houveram semanas que a energia eólica foi responsável por mais de 50% do fornecimento de energia para a região Nordeste e isso é fruto do trabalho da equipe da SDE”, afirma Wagner.

Promoção e investimento

O setor de Óleo e Gás teve uma evolução significativa desde a criação do Programa Reate – Programa de Revitalização das Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás em Áreas Terrestres, do Ministério de Minas e Energia, e lançado no estado no início do ano. Segundo o superintendente de Promoção do Investimento, Paulo Guimarães, hoje existe uma estrutura dentro da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para dar suporte a área de campos maduros. Em setembro, na 14ª rodada da agência, as áreas leiloadas no Estado foram todas arrematadas por empresas de pequeno e médio portes. O índice de sucesso da Bahia ficou entre 26 e 27%, bem superior ao nível nacional, que não chegou a atingir 15%.

“Este é um movimento que tem tudo para se consolidar. Temos uma discussão e um avanço na questão do gás natural. Temos o investimento da Total em parceria com a Petrobras no Terminal de Regaseificação e nas termelétricas, o que deve trazer no médio prazo um avanço para Bahia nesse setor. Destaco ainda dois projetos significativos, o de ampliação da Bridgestone, em Camaçari e a ampliação e projeto de flexibilização de um dos fornos da Braskem que envolveu mais de R$ 300 milhões de investimentos e torna a empresa mais competitiva no setor de Petroquímica, já que além da nafta, será possível utilizar gás etano como matéria prima para produção do polietileno”, afirma Guimarães.

O superintendente destacou ainda na área química, as ampliações da Proquigel, em Candeias e da Estireno, em Camaçari, onde também acontece a implantação da Flopan. “Não posso deixar de citar o movimento que o Governo do Estado tem feito no sentido de melhorar sua infraestrutura tanto na capital quanto no interior, com melhoria de rodovias e inauguração de policlínicas que vão criando melhores condições para Bahia receber investimentos. Tudo isso acaba sendo resultado importante porque nosso trabalho é tanto de atrair investimento quanto articular para que o ambiente de negócios seja cada vez melhor”, finaliza.

PDI Bahia 2035

O Plano de Desenvolvimento Integrado da Bahia (PDI Bahia 2035), que visa inserir de maneira dinâmica e proativa a sócio economia baiana na nova economia global e nacional que se desenha para os próximos anos, é o primeiro projeto efetivo de planejamento econômico baiano para os próximos 20 anos desde Rômulo Almeida, há aproximadamente 50 anos.

Segundo a superintendente de Estudos e Políticas Públicas, Maria Lúcia Falcón, ambicionando transformações sociais e econômicas mais expressivas, o Governo do Estado está construindo sua estratégia de longo prazo que deve conferir ênfase ao desenvolvimento humano, à produtividade, à sustentabilidade e a competitividade, com foco na redução das desigualdades e inclusão sócio produtiva.

“Numa economia global cada vez mais interdependente e complexa, na qual novas tecnologias de produção e de organização da produção já mostram que produtividade sistêmica e características específicas dos mercados são os principais determinantes dos investimentos, enquanto a arbitragem de custos de produção e incentivos fiscais perdem importância, conhecimento, capacidade de aprendizagem e interação estão se tornando as variáveis fundamentais da criação de valor e para atração de novos investimentos. Assim, o aumento da competitividade da economia baiana vai requerer reformas que aumentem a densidade empresarial, encorajem a realocação dos recursos de atividades de mais baixa para atividades de mais alta produtividade e promovam a melhoria do ambiente de negócios e a diversificação produtiva”, afirma Falcón.

A metodologia desta fase inicial do trabalho envolve duas etapas: a primeira consiste de uma discussão articulada com a sociedade nos territórios para capturar as contribuições e comunicar claramente os objetivos do PDI Bahia 2035; a segunda está voltada para o aumento do conteúdo técnico do plano, que consiste na realização de um ciclo de debates com diversos especialistas sobre temas estratégicos e suas perspectivas para o futuro, bem como modelos de desenvolvimento.

Energia Eólica

Atualmente há 237 projetos, sendo 182 do mercado regulado (leilões). Dos quais 82 estão em operação (2.137MW), 58 projetos em construção (1.355MW) e 42 (932MW) terão a construção finalizada até 2019 respeitando a data de entrega da energia a ser gerada. De mercado livre, são 55 projetos dos quais 8 em operação (96kW), 25 estão em construção (486MW) e 22 (400MW) com construção prevista de acordo com os contratos bilaterais.

São 23 municípios baianos beneficiados, principalmente na região do semiárido do estado, onde se concentra o melhor potencial eólico, e proporcionando a interiorização do desenvolvimento. Os três municípios com mais projetos estão no sudoeste baiano: Sento Sé, com 45 projetos e 1067MW; Caetité, com 38 projetos e 810MW; e Igaporã, com 32 projetos e 550MW.

A cadeia produtiva consolidada gera mais de 3.000 empregos nas unidades industriais dos principais fabricantes de equipamentos do setor: aerogeradores (GE/Alstom, Nordex/Acciona e Gamesa), pás (Teccis) e torres (Torres Eólicas do Nordeste, Torrebrás e Wobben).

Energia Solar Fotovoltaica

Dos 34 projetos baianos, nove estão em operação (206 MW), 10 em construção (259 MW) e 8 (224 MW) terão a construção finalizada até 2018, respeitando a data de entrega da energia a ser gerada, com investimento total de R$ 3,2 bilhões.

Oito municípios são beneficiados com os projetos, principalmente na região do semiárido, Tabocas do Brejo Velho, com 10 projetos (273 MW), Bom Jesus da Lapa com oito projetos (219MW) e Caetité com sete projetos (190MW).

A Bahia possui grande potencial para geração distribuída (microgeração, até 75 kW, e minigeração, até 5 MW). Existem no estado 385 empreendimentos de micro e mini geração distribuída, totalizando 3,92 MW e 456 unidades consumidoras que recebem os créditos dos projetos, conforme dados da Aneel, de Dezembro/2017.

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